Santo Alberto Magno, Doutor Universal e Patrono das Ciências Naturais

São Boaventura chamava Nossa Senhora de tesoureira dos bens celestiais. Por sua profunda humildade e obediência recebeu a recompensa de povoar de Santos, os tronos vazios que os anjos caídos perderam por orgulho.  Santo Alberto Magno é um desses Santos preparados por Maria para sentar nesses tronos celestes.

Santo Alberto nasceu em 1193 em Laningen na Alemanha. Nasceu nobre e rico, filho de uma família ilustre, mas desde cedo desejava ser sábio. Estudou na Universidade de Pádua.  Nesta cidade decidiu entrar para a ordem dos Dominicanos, depois de assistir a pregação do beato  Jordão da Saxônia, sucessor de São Domingos de Gusmão.  Alberto foi um verdadeiro milagre! Monge dominicano, superior e depois provincial da ordem dos dominicanos na Alemanha, pregador da oitava Cruzada, conselheiro de Papa, bispo, pacificador, administrador, teólogo, filósofo, cientista e Santo.

Fundador da ciência moderna

Seus trabalhos científicos abrangem: matemática, física, química, biologia, anatomia, mineralogia, geografia, agricultura, zoologia, botânica, astronomia e etc... Por isso, ainda em vida, era chamado de doutor universal, milagre da época, enciclopédia viva e maravilha do conhecimento.  Foi o fundador da ciência moderna segundo Chesterton. Grandes cientistas reconheceram seus trabalhos. Ernest Meyer, grande botânico do século IXX , disse de Santo Alberto: “Nenhum botânico que viveu antes de Alberto pode ser comparado a ele. Depois dele, nenhum pintou a natureza com cores tão vibrantes e a estudou de maneira tão profunda. Por isso toda a honra e glória ao homem que fez impressionantes progressos nas ciências”.  Roger Bacon se refere ao Santo assim: “somente um grande estudioso, que contemplando e ponderando o infinito, era capaz de absorver muitas coisas do mar infinito da sabedoria”.  Suas contribuições científicas foram diversas. Isolou o arsênico, fez a primeira descrição científica do espinafre, estudou o sono das plantas e foi pioneiro no estudo de diferentes ângulos de incidência dos raios solares no aquecimento da superfície da terra. Fez trabalhos acerca da mudança da coloração dos animais na proteção contra predadores, e previu, que se houvesse animais nas regiões polares, eles seriam brancos. Inventou remédios contra as pragas que atacavam a lavoura. Determinou que a via láctea era um enorme conjunto de estrelas. Estabeleceu que as figuras visíveis na superfície da lua, não eram reflexões de montanhas e mares da terra, mas características de sua própria superfície. Provou por fórmulas matemáticas que a terra era redonda.  Predisse uma grande massa de terra ao oeste da Europa. Foi encontrado na biblioteca de Cristovão Colombo anotações sobre os trabalhos científicos de Santo Alberto. Suas obras completas foram reunidas numa edição de 21 grossos volumes publicadas em Lyon(1651) e reeditada em Paris em (1890/1899).

 

 

 

 

Professor Brilhante

Santo Alberto lecionou durante quase toda sua vida e multidões de estudantes vinham de todos os lugares para assistir suas aulas. Na época em que lecionava na Universidade de Paris, as salas de aulas começaram a ficar pequenas diante do crescente número de alunos. A solução foi começar a dar aulas campais, e por isso, o lugar onde lecionava, a praça Maubert (Magnus Albert) em Paris, ganhou esse nome, em sua homenagem. Embora as aulas fossem ao ar livre, só se escutava a voz de Santo Alberto, pois a multidão de estudantes não queria perder uma só palavra de suas célebres aulas.

Filósofo

Na filosofia, embora ele seja considerado um filósofo aristotélico, seguiu um princípio de Santo Agostinho que diz: “toda verdade em qualquer lugar é verdade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Então é nossa!”.  Santo Alberto estudou tudo de Aristóteles de modo a torná-lo aceitável e apreciado dentro da Igreja. Esse trabalho era difícil, pois até então, Aristóteles era temido pelo clero em função de ensinamentos errados dos hereges Averróis e Pedro Abelardo.  Impressionantes que ele entra nessa “briga” e consegue trazer Aristóteles para dentro da Igreja. Alberto estudou Aristóteles de modo a usá-lo para defesa da fé e pegar de volta as verdades por ele descobertas como predisse Agostinho. Posteriormente, Santo Tomás de Aquino, seu principal discípulo e glória da Igreja, acrescenta e une seus trabalhos aos de Aristóteles. Ambos estabelecem que a filosofia é auxiliar da teologia. Dizem que Santo Tomás “batizou” Aristóteles, mas na verdade quem fez isso foi Santo Alberto. Ele dizia que em fé e medida era preciso acreditar em Santo Agostinho, para medicina apelava para Galeno e Hipócrates, e por fim, no caso da natureza das coisas, Aristóteles.

Teólogo

Fez comentários da maioria dos livros da bíblia. Os comentários mais famosos eram do evangelho de São Lucas e de São João. Vários Papas o chamaram várias vezes para dar esses sermões para a corte de Roma. Escreveu livros espetaculares sobre a missa e sobre a eucaristia. Escreveu uma suma teológica e um belíssimo livro sobre a santíssima virgem, onde propõe e responde 230 questões a respeito da Virgem Maria. Escreveu um livro equivalente ao livro Imitação de Cristo.

Defensor da Fé e da Verdade

No século XIII surgiram duas ordens mendicantes: Franciscanos e Dominicanos que tinham voto de pobreza, castidade e obediência. Como dominicano participou de muitas brigas. A mais famosa delas aconteceu a partir de um livro chamado: “Os perigos dos últimos tempos”. Este livro era uma sequência de falácias sobre as ordens mendicantes... Este livro causou um grande alarde, sobretudo em Paris, pois os professores universitários e intelectuais com inveja dos monges, - que também davam aula na universidade - aderiram as  mentiram do livro e ajudaram a difundá-las . Os professores não aceitavam serem preteridos por esses  santos com hábitos simples dando suas aulas maravilhosas com o terço na mão. Era demais para a vaidade deles!  Diante disso, o Papa Alexandre IV mandou um recado ao bispo de Paris pedindo explicações sobre o ocorrido. O Bispo manda chamar Santo Alberto que levou com ele dois monges: Tomás de Aquino e Boaventura. Obviamente, depois desse encontro, o bispo nunca mais falou nada sobre o assunto. Gostaria de registrar aqui esse momento da história! Pensem um instante!  Depois da morte dos apóstolos, não lembro de um momento onde estivessem reunidos três santos desta envergadura. Por mais que conheçamos suas vidas, a grandeza desses Santos só poderemos tomar ciência no céu!

 

Grande administrador e pacificador

Santo Alberto foi um grande administrador. Como dominicano criou e saneou dezenas de mosteiros. Como Bispo era enviado pelo Papa para várias dioceses da Europa para resolver conflitos de todo tipo, financeiros ou não, dentro ou fora da Igreja. Sempre resolvia tudo que lhe era designado e paz de Cristo chegava junto com ele. Só andava a pé e só levava o cavalo para carregar sua biblioteca pessoal. Em suas viagens, seja como bispo ou como provincial, ia mendigando comida e abrigo nas cidades onde passava. Em seus aposentos, ao longo da vida toda, nunca foi encontrado um centavo sequer. Ele tinha todos os motivos para ser vaidoso, mas foi um dos homens mais humildes que já existiu. Em suas viagens sempre estava cantando hinos de louvor a Nossa Senhora.  Fica a dica! Sempre que nos acharmos melhores que os outros, pensemos em Santo Alberto. Na sua vida e em sua humildade...

 

Defensor de Santo Tomás

Já no fim da vida, recolhido no mosteiro de colônia – já com uns 80 anos - soube do ressurgimento de inimigos antigos. Só que agora na Inglaterra, na figura do arcebispo de Canterbury. Este arcebispo, estimulando várias obras erradas sobre Aristóteles, convenceu o Papa João XXII a investigar tais erros de fé. O Papa escreveu ao Bispo de Paris pedindo providências. Esses erros eram cometidos pelos hereges Averroistas e por Singer de Brabant. A comissão de estudo levantou 219 erros. Até aí tudo bem, mas no meio desses erros foram relacionados 16 erros de Santo Tomás de Aquino. Quando Santo Alberto soube disso, decidiu sair de colônia e foi a pé até Paris. Dizem que foi a única vez que ele perdeu a paciência na vida! Ele se reuniu com o bispo e toda a comissão e desmoralizou todos sem exceção na defesa de Santo Tomás e da Verdade. Falou claramente que ninguém ali poderia falar nada de Santo Tomás. Chamou todos de ignorantes! Ninguém falou nada na hora e nem depois, inclusive o Papa. O assunto simplesmente foi dado como encerrado, pois ele não deixou pedra sobre pedra na defesa de seu discípulo amado, que nesta época, já estava no céu.

 Mas de onde vem tanta sabedoria, força e humildade?

Como vimos ele sabia de tudo que era possível saber, o que só pode ser explicado por uma graça sobrenatural. E de onde vem tanta graça? A verdade é que, na sua juventude de estudante, ele tinha muita dificuldade com os estudos. Certa noite decidiu fugir do colégio, mas no caminho, aparece a Virgem Maria que lhe diz: “Alberto, por que em vez de fugir, não rezas para mim que sou o Trono da Sabedoria?”. Tenha fé em mim que te darei uma inteligência e memória prodigiosa. E, para que saibas que fui eu que te dei, quando estiver próxima a sua morte, você esquecerá tudo que aprendeu.

Já no final da vida, durante um sermão, percebeu que havia esquecido tudo. Naquele instante se lembrou da promessa da Virgem e constatou que sua missão na terra estava chegando ao fim. Veio a morrer santamente alguns anos depois, em 15 de novembro de 1280. Seu corpo permaneceu incorrupto até 1482 e sempre que o caixão era aberto exalava um cheiro maravilhoso. Foi considerado doutor da Igreja e patrono das ciências naturais.

Conclusão

Como disse Jesus Cristo: pelos frutos que se conhece a árvore. A árvore má dá maus frutos e a árvore boa dá bons frutos. Eis aí um fruto de Nossa Senhora e da Igreja.

Santo Alberto Magno, interceda por nós! Maria Santíssima interceda por nós!