PARTE 5

12. O significado dos 144 mil salvos (Ap 7,1-17)

 

Depois do sexto selo, que simboliza o fim do mundo e o julgamento de Deus,  ainda antes do sétimo selo, o Apocalipse nos oferece uma visão sobre os que serão salvos. Analise as passagens e seus comentários, como estamos fazendo desde o início.


 

1. Depois disso, vi quatro Anjos que se conservavam em pé nos quatro cantos da terra, detendo os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, sobre o mar ou sobre árvore alguma. 2. Vi ainda outro anjo subir do oriente; trazia o selo de Deus vivo, e pôs-se a clamar com voz retumbante aos quatro Anjos, aos quais fora dado danificar a terra e o mar, dizendo:3. Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores, até que tenhamos assinalado os servos de nosso Deus em suas frontes.

João usa o costume antigo de marcar escravos. O patrão marcava-os com o seu sinal, como fazem hoje os pecuaristas com seus animais. Estes quatro anjos são os que regulam os pontos cardeais e os ventos, segundo uma crendice popular judaica. Esses quatro anjos, considerados “donos” do mundo, são impedidos, no dia do julgamento, de danificar a terra, o mar e os eleitos antes da marcação do sinal. Este sinal é um T (tau), a letra T em grego, que Ezequiel fala em Ez 9,4.

4. Ouvi então o número dos assinalados: cento e quarenta e quatro mil assinalados, de toda tribo dos filhos de Israel;
5. da tribo de Judá, doze mil assinalados; da tribo de Rubem, doze mil;
da tribo de Gad, doze mil;
6. da tribo de Aser, doze mil; da tribo de Neftali, doze mil; da tribo de Manassés, doze mil;
7. da tribo de Simeão, doze mil; da tribo de Levi, doze mil; da tribo de Issacar, doze mil;
8. da tribo de Zabulon, doze mil; da tribo de José, doze mil; da tribo de Benjamim, doze mil assinalados.

O último apóstolo vivo lembra a saída do povo hebreu do Egito, no Êxodo. Todos os homens são chamados para a salvação. Só não se salva quem não quer. Todas as tribos citadas – as 12 tribos de Israel, simbolizando todo o povo de Deus – foram marcadas pelo recenseamento, conforme Nm 1,20-43. Este recenseamento é que os coloca de forma definitiva como povo de Deus. Este número – 144 mil – é um número simbólico. Qual o critério usado por Deus para salvar só 144 mil dos bilhões de homens existentes em todos os tempos? 12 vezes 12 mil resultam em 144 mil; 12 significa número ideal e mil, totalidade. Este número, por muitas seitas usado como literal, representa que Deus quer salvar a todos! A uma totalidade ideal.

9. Depois disso, vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribo, povo e língua: conservavam-se em pé diante do trono e diante do Cordeiro, de vestes brancas e palmas na mão,
10. e bradavam em alta voz: A salvação é obra de nosso Deus, que está assentado no trono, e do Cordeiro.
11. E todos os Anjos estavam ao redor do trono, dos Anciãos e dos quatro Animais; prostravam-se de face em terra diante do trono e adoravam a Deus, dizendo:
12. Amém, louvor, glória, sabedoria, ação de graças, honra, poder e força ao nosso Deus pelos séculos dos séculos! Amém.
13. Então um dos Anciãos falou comigo e perguntou-me: Esses, que estão revestidos de vestes brancas, quem são e de onde vêm?
14. Respondi-lhe: Meu Senhor, tu o sabes. E ele me disse: Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro.

Observe que realmente este número (144 mil) é simbólico. O autor fala logo em seguida, no v.9, que o número dos eleitos é incalculável! Se fosse calculável, o número de 144 mil poderia, talvez, ser considerado literal.

Nos versículos 10,11 e 12 vemos os eleitos – vestes brancas – cantando hinos para Jesus Cristo, nosso Salvador.

Analisando os versículos 13 e 14, notadamente concluímos que estes “salvos” são aqueles que vieram da grande tribulação – perseguição de Domiciano, contemporânea a João – e testemunharam a Jesus, dando suas próprias vidas.

15. Por isso, estão diante do trono de Deus e o servem, dia e noite, no seu templo. Aquele que está sentado no trono os abrigará em sua tenda. Já não terão fome, nem sede, nem o sol ou calor algum os abrasará,
16. porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o seu pastor e os levará às fontes das águas vivas; e Deus enxugará toda lágrima de seus olhos.

Exatamente por este testemunho maravilhoso, estão diante de Deus (trono de Deus), na Tenda de Deus – sinal da presença divina no meio do povo; ver Ex 25;40,1ss; Ap 7,15 – e não mais sentirão as vicissitudes da vida mortal, pois estão com o Senhor.

            Um capítulo maravilhoso, onde Jesus ensina, através de seu discípulo amado, que é justamente na perseguição, na dor, no sofrimento que se faz a opção de testemunhar o Bem Encarnado. É na luta que o cristão se purifica, lavando suas vestes no sangue do Cordeiro.

13. O sétimo selo e as trombetas (Ap 8,1-13)

            Este capítulo trata da abertura do último selo e abre a parte das trombetas, que vai de 8,1 até 11,14.  Neste capítulo as quatro primeiras trombetas aparecem. As trombetas são a presença de Deus e sua ação na história. O “tocar” significa a ação divina.

            João nos transmite a seguinte mensagem inicial: Deus vai agir no mundo, convocando os homens para a salvação. Depois desta convocação, teremos o julgamento.

1. Quando, enfim, abriu o sétimo selo, fez-se silêncio no céu cerca de meia hora.

Este silêncio indica a expectativa de uma grande ação de Deus.

2. Eu vi os sete Anjos que assistem diante de Deus. Foram-lhes dadas sete trombetas.

Os mensageiros de Deus  se preparam para anunciar a intervenção do Senhor.

3. Adiantou-se outro anjo e pôs-se junto ao altar, com um turíbulo de ouro na mão. Foram-lhe dados muitos perfumes, para que os oferecesse com as orações de todos os santos no altar de ouro, que está adiante do trono.
4. A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos santos, diante de Deus.

Antes de iniciar a ação de Deus, um anjo apresenta um pedido de justiça, feito pelos santos.

5. Depois disso, o anjo tomou o turíbulo, encheu-o de brasas do altar e lançou-o por terra; e houve trovões, vozes, relâmpagos e terremotos.6. Então os sete Anjos, que tinham as trombetas, prepararam-se para tocar.
7. O primeiro anjo tocou. Saraiva e fogo, misturados com sangue, foram lançados à terra; e queimou-se uma terça parte da terra, uma terça parte das árvores e toda erva verde.
8. O segundo anjo tocou. Caiu então no mar como que grande montanha, ardendo em fogo, e transformou-se em sangue uma terça parte do mar,9. morreu uma terça parte das criaturas que estavam no mar e pereceu uma terça parte dos navios.10. O terceiro anjo tocou a trombeta. Caiu então do céu uma grande estrela a arder como um facho; caiu sobre a terça parte dos rios e sobre as fontes.
11. O nome da estrela era Absinto. Assim, uma terça parte das águas transformou-se em absinto e muitos homens morreram por ter bebido dessas águas envenenadas.
12. O quarto anjo tocou. Foi atingida então uma terça parte do sol, da lua e das estrelas, de modo que se obscureceram em um terço; e o dia perdeu um terço da claridade, bem como a noite.

A partir daqui, a ação divina começa.

Esta descrição sobre o fogo lembra Ez 10,2 completamente. O fogo é símbolo da justiça e da purificação: Deus agirá, vai julgar e purificar seu povo!

 

Antes do julgamento, sete pragas acontecerão. Cada anjo anuncia uma ação de Deus através do toque de uma trombeta. Estas pragas são pedagógicas, isto é, são castigos que permitem aos homens se converterem... ainda dá tempo!

 

As primeiras quatro pragas – granizo e fogo, mar em sangue, água amarga e escuridão – atingem somente a natureza. As três seguintes – gafanhotos, morte pelo fogo, fumaça e enxofre; e a justiça final, que estão nos capítulos 9 e 10 – atingem somente o homem. Estas pragas lembram as pragas do Êxodo (Ex 7,8 até 10,29). Entretanto, aqui  o Êxodo é DEFINITIVO. É a libertação final!

 

A expressão terça parte significa que ainda dá tempo para a conversão! Nem tudo está totalmente perdido.

13. A esta altura de minha visão, eu ouvi uma águia que voava pelo meio dos céus, clamando em alta voz: Ai, ai, ai dos habitantes da terra, por causa dos restantes sons das trombetas dos três Anjos que ainda vão tocar.

No fim da quarta praga, aparece a águia – o quarto ser vivo que representa o julgamento de Deus – que pronuncia TRÊS “AIS”. Estes três “ais” são as três últimas pragas que, como já dito, atingirão somente os homens.

            Deus está convidando os homens para a salvação. Nem tudo está perdido – terça parte. As tensões entre o bem e o mal estão vivas. O Evangelho condena o opressor, o rico egoísta, a injustiça social... Mesmo nas piores situações de pecado, sempre há esperança e tempo de conversão – mas somente antes do julgamento!

            Deus está nos dando oportunidade! Oportunidade de conversão.

14. O primeiro e o segundo “ais” (Ap 9,1-21)

            O nono capítulo começa com a quinta trombeta. Esta praga mostra a ação do demônio na terra. 

1. O quinto anjo tocou a trombeta. Vi então uma estrela cair do céu na terra, e foi-lhe dada a chave do poço do abismo;
2. ela o abriu e saiu do poço uma fumaça como a de uma grande fornalha. O sol e o ar obscureceram-se com a fumaça do poço.
3. Da fumaça saíram gafanhotos pela terra, e foi-lhes dado poder semelhante ao dos escorpiões da terra.
4. Mas foi-lhes dito que não causassem dano à erva, verdura, ou árvore alguma, mas somente aos homens que não têm o selo de Deus na fronte.

Os  gafanhotos representam, na Antigüidade, algo terrível, uma verdadeira punição divina. Basta ver em Ex 10,12. Toda esta linguagem representativa significa que o castigo vem de Deus. O poço do abismo é o lugar no seio da terra onde estão as forças demoníacas, segundo os antigos. Abrir o poço, portanto, é liberar estas forças do mal. A fumaça simboliza a negatividade desta liberação e os gafanhotos mostram a força demoníaca no mundo. Contudo, estas forças só ferem os homens injustos, não marcados com o selo de Deus, com o sinal de Deus, a cruz, ou o TAU. Estes fiéis marcados, souberam ler os acontecimentos, que Deus usava para purificar seu povo.

5. Foi-lhes ordenado que não os matassem, mas os afligissem por cinco meses. Seu tormento era como o da picada do escorpião.
6. Naqueles dias, os homens buscarão a morte e não a conseguirão; desejarão morrer, e a morte fugirá deles.

Esta força destrói, atormenta e castiga. E como dito no v.2, estas forças do mal confundem o homem em suas decisões. Entretanto, no v.5 vemos que este poder do mal é temporário - cinco meses.

7. O aspecto desses gafanhotos era o de cavalos aparelhados para a guerra. Nas suas cabeças havia uma espécie de coroa com reflexos dourados. Seus rostos eram como rostos de homem,
8. seus cabelos como os de mulher e seus dentes, como os dentes de leão. 9. Seus tórax pareciam envoltos em ferro, e o ruído de suas asas era como o ruído de carros de muitos cavalos, correndo para a guerra. 10. Tinham caudas semelhantes à do escorpião, com ferrões e o poder de afligir os homens por cinco meses.

João explica que as forças demoníacas estão na guerra e na opressão de homens sobre outros homens. A coroa é símbolo de poder, como já vimos. E o ouro representa a santidade. Isto quer dizer que existem estruturas e poderes humanos leigos que oprimem a humanidade e outras estruturas, também humanas, que parecem justas (reflexos dourados), mas que também oprimem o povo.

A sedução feminina – cabelos como os de mulher-  derruba impérios inteiros. Os dentes de leão simbolizam a exploração de um homem sobre o outro.

11. Têm eles por rei o anjo do abismo; chama-se em hebraico Abadon, e em grego, Apolion.
12. Terminado assim o primeiro ai, eis que, depois dele, vêm ainda dois outros.

É óbvio que o inspirador,  instigador de todos os males é o demônio, simbolizado neste versículo. Abadon, em hebraico, significa aquele que faz perder. O oposto de Jesus, que nos salva.

            O segundo “ai”, que começa no versículo 13 deste capítulo, é o conteúdo da sexta praga, no toque da sexta trombeta. Como vimos anteriormente, é a sexta ação divina. Este segundo “ai”, segundo Mauro Strabeli, pode ser dividido em três cenas distintas: a cavalaria infernal (9,13-21), a entrega do livro (10,1-11) e o episódio das duas testemunhas (11,1-13).

            Vejamos aqui a cavalaria infernal:

13. O sexto anjo tocou a trombeta. Ouvi então uma voz que vinha dos quatro cantos do altar de ouro, que está diante de Deus,
14. e que dizia ao sexto anjo que tinha a trombeta: Solta os quatro Anjos que estão acorrentados à beira do grande rio Eufrates.
15. Então foram soltos os quatro Anjos que se conservavam preparados para a hora, o dia, o mês e o ano da matança da terça parte dos homens...
16. O número de soldados desta cavalaria era de duzentos milhões. Eu ouvi o seu número.
17. E foi assim que eu vi os cavalos e os que os montavam: estes últimos eram couraçados de uma chama sulfurosa azul. Os cavalos tinham crina como uma juba de leão e de suas narinas saíam fogo, fumaça e enxofre.
18. E uma terça parte dos homens foi morta por esses três flagelos (fogo, fumaça e enxofre) que lhes saíam das narinas. 19. Porque o poder nocivo dos cavalos estava também nas caudas; tinham cabeças como serpentes e causavam dano com elas.

Esta cavalaria infernal representa toda a força do Mal. Os judeus achavam que o rio Eufrates dividia o bem e o mal. De um lado, a Palestina, o lado deles; do outro, a Babilônia (v.14). Este modo de pensar judaico se deve pelo fato dos babilônios terem conquistado e dominado a Palestina e exilado os judeus, no período de 587 até 539 a.C. Depois dos gafanhotos – flagelo terrível de Deus – vem algo mais intenso, a cavalaria (v.16). Esta força procede de Satanás – fogo, fumaça e enxofre (v.18).  E tal força é destruidora.

 

20. Mas o restante dos homens, que não foram mortos por esses três flagelos, não se arrependeu das obras de suas mãos. Não cessaram de adorar o demônio e os ídolos de ouro, de prata, de bronze, de pedra e de madeira, que não podem ver, nem ouvir, nem andar.
21. Não se arrependeram de seus homicídios, seus malefícios, suas imundícies e furtos.

Apesar de toda esta dor, os homens não se convertem e continuam sua INFIDELIDADE, através da idolatria. Idolatria ao dinheiro, ao poder e a todas as formas de infidelidade. João, aqui, retrata também os problemas sociais de seu tempo e as perseguições iniciadas pelo procurador romano Festo.

            Deus continua falando, agindo para que seu povo perceba e se converta. Entretanto, há um limite para Sua Misericórdia: sua Justiça. É tempo de conversão! Antes que a Ira/Justiça de Deus se manifeste!

15. O livro (Ap 10,1-11)

            Temos agora a segunda cena do segundo “ai”. A primeira cena, do item anterior, lembra a misericórdia de Deus. Entretanto, esta misericórdia é limitada pela justiça. Nesta segunda cena, o Julgamento de Deus é exibido.

1. Vi então outro anjo vigoroso descer do céu, revestido de uma nuvem e com o arco-íris em torno da cabeça. Seu rosto era como sol, e as suas pernas como colunas de fogo.2. Segurava na mão um pequeno livro aberto. Pôs o pé direito sobre o mar, o esquerdo sobre a terra
3. e começou a clamar em alta voz, como um leão que ruge. Quando clamou, os sete trovões ressoaram.4. Quando cessaram de falar, dispunha-me a escrever, mas ouvi uma voz do céu que dizia: Sela o que falaram os sete trovões e não o escrevas.5. Então o anjo, que eu vira de pé sobre o mar e a terra, levantou a mão direita para o céu

Trata-se de um mensageiro de Deus, o anjo que entrega um livro a João.  Todo o universo treme (v.2-5) quando este se prepara para falar. Esta descrição mostra que trata-se do próprio Jesus, veio do alto, transcendente, Senhor e Vencedor.

6. e jurou por aquele que vive pelos séculos dos séculos, que criou o céu e tudo o que há nele, a terra e tudo o que ela contém, o mar e tudo o que encerra, que não haveria mais tempo; 7. mas nos dias em que soasse a trombeta do sétimo anjo, se cumpriria o mistério de Deus, de acordo com a boa nova que confiou a seus servos, os profetas.

Não há mais tempo. O julgamento está chegando. Deus deu as oportunidades e, breve, a justiça será feita.

8. Então a voz que ouvi do céu falou-me de novo, e disse: Vai e toma o pequeno livro aberto da mão do anjo que está em pé sobre o mar e a terra. 9. Fui eu, pois, ter com o anjo, dizendo-lhe que me desse o pequeno livro. E ele me disse: Toma e devora-o! Ele te será amargo nas entranhas, mas, na boca, doce como o mel.
10. Tomei então o pequeno livro da mão do anjo e o comi. De fato, em minha boca tinha a doçura do mel, mas depois de o ter comido, amargou-me nas entranhas.

Este livro é o Evangelho. A palavra de Deus que é doce para ser ouvida, mas amarga para ser absorvida e posta em prática.

11. Então foi-me explicado: Urge que ainda profetizes de novo a numerosas nações, povos, línguas e reis.

A função de pregar o Evangelho e vivê-lo pertence a todos nós, profetas (=aqueles que falam com entusiasmo das maravilhas de Deus).

                Vejamos, no próximo item, a terceira cena que concretiza o segundo “ai”, o terceiro “ai” e a sétima trombeta.

16. As duas testemunhas, o terceiro “ai” e a sétima trombeta (Ap 11,1-19)

Continua a narração do segundo “ai”(=castigo) de Deus.  Vimos no capítulo 9 que existe a misericórdia de Deus, mas também existe a Justiça e, por isso, o mal sucumbirá. No capítulo 10 notamos que o julgamento se fará por meio do Evangelho de Jesus. Ele é a medida. A lei. A lição. Como é de praxe, observemos passo a passo os versículos deste capítulo e seus comentários. Muita coisa está para ser dita aqui.

1. Foi-me dada uma vara semelhante a uma vara de agrimensor, e disseram-me: Levanta-te! Mede o templo de Deus e o altar com seus adoradores. 2. O átrio fora do templo, porém, deixa-o de lado e não o meças: foi dado aos gentios, que hão de calcar aos pés a Cidade Santa por quarenta e dois meses.

O templo de Deus, uma vez destruído – o templo de Jerusalém, que representa a Jerusalém Celeste – não terá mais esta sorte. O templo será tomado pelos pagãos – gentios – e o átrio será entregue às nações. Quarenta e dois meses significam três anos e meio, metade de 7 (=totalidade). Três anos e meio significa parcialidade. Isto é, o domínio dos pagãos é temporário. Este domínio é sobre os justos (=cidade de Deus, Santa). É um domínio passageiro. Este templo agora é a Igreja Católica, que está sendo perseguida no tempo de João- e é perseguida até hoje, justamente pelos pagãos/gentios/romanos/anticristãos.

3. Mas incumbirei às minhas duas testemunhas, vestidas de saco, de profetizarem por mil duzentos e sessenta dias.
4. São eles as duas oliveiras e os dois candelabros que se mantêm diante do Senhor da terra. 5. Se alguém lhes quiser causar dano, sairá fogo de suas bocas e devorará os inimigos. Com efeito, se alguém os quiser ferir, cumpre que assim seja morto. 6. Esses homens têm o poder de fechar o céu para que não caia chuva durante os dias de sua profecia; têm poder sobre as águas, para transformá-las em sangue, e de ferir a terra, sempre que quiserem, com toda sorte de flagelos.

Roupa feita de saco é a roupa dos profetas. São os fiéis que alcançaram o Reino, lutando por ele aqui. Os vestidos de branco já estão no Reino. Se estão vestidos de saco, estão na terra. O número 1260 significa parcialidade, pois correspondem, no calendário hebraico, aos 3 anos e meio. Significa dizer que este TESTEMUNHO será POR ALGUM TEMPO, TEMPORÁRIO.

Estas duas oliveiras, candelabros são imagens tiradas de Zc 4,1-10. Neste texto, estas imagens significam Zorobabel e Josué, autoridades civil  e religiosa -respectivamente- quando o povo voltou do exílio da Babilônia. Já os milagres feitos aqui, no Apocalipse, lembram Elias e Moisés (v.5-6). 

7. Mas, depois de terem terminado integralmente o seu testemunho, a Fera que sobe do abismo lhes fará guerra, os vencerá e os matará.

No fim deste testemunho – lembram que será por algum tempo? – a Fera que sobe do Abismo (símbolo do mal) matará as duas.  Isto quer dizer que o poder humano, o mal, vencerá as testemunhas, calando-as, assassinando-as. O mundo se alegrará (v.6), mas Deus fará seus fiéis participarem da Vida Eterna, castigando os ímpios (v.12-13).

8. Seus cadáveres (jazerão) na rua da grande cidade que se chama espiritualmente Sodoma e Egito (onde o seu Senhor foi crucificado). 9. Muitos dentre os povos, tribos, línguas e nações virão para vê-los por três dias e meio, e não permitirão que sejam sepultados.

Metáfora que significa que nas grandes cidades – como Roma, que persegue os cristãos do tempo de João – a perseguição será maior e fará mais vítimas que as do episódio de Sodoma (Gn 19,23s) e as pragas do Egito (Ex 7 até 11).

10. Os habitantes da terra alegrar-se-ão por causa deles, felicitar-se-ão mutuamente e mandarão presentes uns aos outros, porque esses dois profetas tinham sido seu tormento.
11. Mas, depois de três dias e meio, um sopro de vida, vindo de Deus, os penetrou. Puseram-se de pé e grande terror caiu sobre aqueles que os viam.
12. Ouviram uma forte voz do céu que dizia: Subi aqui! Subiram então para o céu numa nuvem, enquanto os seus inimigos os olhavam.
13. Naquela mesma hora produziu-se grande terremoto, caiu uma décima parte da cidade e pereceram no terremoto sete mil pessoas. As demais, aterrorizadas, deram glória ao Deus do céu.

O mal se alegra com o fim dos bons. O v.11 diz que a força do Mal se assustará quando o Deus começar a se aproximar para julgá-la.  Deus castiga parcialmente (v.13- décima parte...), mas atingirá em grande número (sete mil). Todos os sobreviventes darão glórias ao Senhor. Os v.11-13 mostram que a Justiça de Deus virá, penetrando os humilhados e os colocando de pé.

Especificamente nos v.12-13 vemos que Deus castiga os ímpios e permite que os fiéis participem da Vida Eterna.


           
O mal sempre combaterá o bem, especialmente os cristãos. O mal está nas estruturas, nas pessoas, nas injustiças. Assim poderá matar os fiéis. Todavia, a perseguição é temporária – 1260, 3 anos e meio -  e Deus fará justiça a quem for fiel (v.12-13). Jesus pregou – testemunhou – foi perseguido e morto. Mas ressuscitou. Assim será com todos os fiéis. Sigamos este exemplo! Sejamos profetas como foi o Profeta!

Analisemos agora os últimos seis versículos deste capítulo, que encerra com o terceiro “ai” com a sétima trombeta – trata-se da JUSTIÇA DE DEUS CONCRETIZADA!

 14. Terminou assim a segunda desgraça. E eis que depressa sobrevém a terceira.




 

 O terceiro "ai" é a condenação de todo o mal.

 15. O sétimo anjo tocou a trombeta. Ressoaram então no céu altas vozes que diziam: O império de nosso Senhor e de seu Cristo estabeleceu-se sobre o mundo, e ele reinará pelos séculos dos séculos.

 A sétima trombeta indica a chegada do Reino de Deus. Deus julgou o mundo e reconstruiu seu Reino.

 16. Os vinte e quatro Anciãos, que se assentam nos seus tronos diante de Deus, prostraram-se de rosto em terra e adoraram a Deus, 17. dizendo: Graças te damos, Senhor, Deus Dominador, que és e que eras, porque assumiste a plenitude de teu poder real.

 Todo o universo - lembra o que os 24 anciãos representam? - adoram a Deus.

18. Irritaram-se os pagãos, mas eis que sobreveio a tua ira e o tempo de julgar os mortos, de dar a recompensa aos teus servos, aos profetas, aos santos, aos que temem o teu nome, pequenos e grandes, e de exterminar os que corromperam a terra.

 O mal já está julgado e derrotado. Inerte.

 19. Abriu-se o templo de Deus no céu e apareceu, no seu templo, a arca do seu testamento. Houve relâmpagos, vozes, trovões, terremotos e forte saraiva.

 

 Deus refaz a Aliança. Deus agora está presente, comunicando a vida eterna. Todo o mistério divino (o Santo dos Santos do templo de Jerusalém, a Arca da Aliança, que indicavam a presença divina) é revelado e se torna presença viva.

 

        João prova que a vitória de Deus e a instauração do Reino Definitivo são certezas absolutas. A luta ainda acontece, junto com a a perseguição de Roma, na época do apóstolo exilado em Patmos. Para que a glória de Deus esteja em nossas comunidades, precisamos realmente colocar Cristo no centro de nossa fé, seguindo seu Evangelho, colocando-o em prática e não permitindo que o mal tome conta de nossas vidas.

 
Fonte de Pesquisa: O Apocalipse - Explicação e Atualização, Mauro Strabeli, Ave Maria Edições.