PARTE 6

17. O primeiro sinal: a luta entre o bem e o mal alcança seu ponto máximo (Ap 12,1-18):

            Observamos que nos capítulos 4 a 11, João nos mostra que todos os acontecimentos passados, presentes e futuros estão nas mãos de Deus, dirigindo-os e ordenando-os. O cristão precisa perceber a vontade de Deus expressa exatamente nestes acontecimentos. Existe, durante todo o curso da história, uma tensão constante entre o bem e o mal.

            A partir do capítulo 12, até o 22, João, instrumento de Jesus, a Palavra de Deus, começa a responder às comunidades sofre o fim dos tempos, o futuro da Igreja  e o triunfo da justiça divina. 

Primeiramente, João mostrará o tempo feroz da perseguição de Domiciano (95 d.C.). A descrição da perseguição e dos perseguidores começa com os três sinais. O primeiro é a mulher, o segundo é o dragão e o terceiro é o anjo com sete taças.

            Vejamos agora, versículo a versículo, o teor do capítulo 12:

1. Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. 2. Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz.

 

Essa descrição tem um fundo astronômico: o “signo de virgem”, constelação zodiacal que tem como característica o brilho da estrela Espiga, estrela de primeira grandeza; abaixo está a constelação de Hidra, que lembra a serpente, o dragão. Repetindo: tem fundo astronômico, não astrológico, de predição do futuro.  Tal mulher está grávida, simbolizando o povo de Deus. O sol e a lua são sinais das promessas divinas feitas a este povo (Sl 89,37-38). As doze estrelas significam a totalidade do povo, do Antigo e do Novo Testamentos. O povo de Deus, como já vimos, tem origem nas 12 tribos e se concretiza nos 12 apóstolos. Estes são a base do povo de Deus.

Esta mulher que grita é a Igreja, a humanidade que sofre, que luta para dar à luz o BEM, a VIRTUDE, a VIDA.  É Nossa Senhora que deu à luz o BEM, JESUS.

3. Depois apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas.
4. Varria com sua cauda uma terça parte das estrelas do céu, e as atirou à terra. Esse Dragão deteve-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho.

Do outro lado está o dragão, segundo sinal. Esta luta começou desde o início dos tempos. Ele luta contra a mulher – Igreja, humanidade, Maria -, para devorar-lhes o filho – Jesus -, ou seja, sua mensagem de vida.

5. Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono.

Todavia,  a vida vence a morte. Deus defende o bem, a criança. É o próprio Jesus, que ressuscitando voltou para Deus e onde, como Senhor, domina e governa o mundo.

6. A Mulher fugiu então para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um retiro para aí ser sustentada por mil duzentos e sessenta dias.

A Igreja vai para o deserto, isto é, escapa da escravidão do pecado e começa sua caminhada para a libertação definitiva. Esta caminhada é passageira, simbolizada pelo número 1260 (corresponde à metade de 7, 3 anos e meio; 7, como já vimos, significa perfeição, plenitude).

Esta passagem também pode significar que Maria recebeu de Deus a graça de não ser tentada pela serpente (nem ter o pecado original), indo para um lugar preparado por Deus (alusão à assunção?).

7. Houve uma batalha no céu. Miguel e seus anjos tiveram de combater o Dragão. O Dragão e seus anjos travaram combate, 8. mas não prevaleceram. E já não houve lugar no céu para eles. 9. Foi então precipitado o grande Dragão, a primitiva Serpente, chamado Demônio e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Foi precipitado na terra, e com ele os seus anjos.

O diabo foi vencido. É chamado de satanás, isto é, o acusador (Ap 12,10; Jó 1,6-12; 2,3-7; Zc 3,1). Este acusador perdeu a luta (Col 2,13-15), sendo expulso do céu pelo arcanjo Miguel (v. Daniel, cap. 10). Miguel é descrito por Daniel exatamente como o mensageiro de Deus que vencerá a batalha final, após a qual acontecerão os tempos messiânicos.

10. Eu ouvi no céu uma voz forte que dizia: Agora chegou a salvação, o poder e a realeza de nosso Deus, assim como a autoridade de seu Cristo, porque foi precipitado o acusador de nossos irmãos, que os acusava, dia e noite, diante do nosso Deus. 11. Mas estes venceram-no por causa do sangue do Cordeiro e de seu eloqüente testemunho. Desprezaram a vida até aceitar a morte. 12. Por isso alegrai-vos, ó céus, e todos que aí habitais. Mas, ó terra e mar, cuidado! Porque o Demônio desceu para vós, cheio de grande ira, sabendo que pouco tempo lhe resta.

Trata-se de um canto de vitória sobre o demônio, mas que termina com um “ai”.  O demônio foi vencido, mas todavia  poderá agir durante a caminhada da Igreja no mundo. Como vimos no v.6., é um tempo limitado de 1260 dias, que é o tempo da caminhada da Igreja.

13. O Dragão, vendo que fora precipitado na terra, perseguiu a Mulher que dera à luz o Menino. 14. Mas à Mulher foram dadas duas asas de grande águia, a fim de voar para o deserto, para o lugar de seu retiro, onde é alimentada por um tempo, dois tempos e a metade de um tempo, fora do alcance da cabeça da Serpente. 15. A Serpente vomitou contra a Mulher um rio de água, para fazê-la submergir.
16. A terra, porém, acudiu à Mulher, abrindo a boca para engolir o rio que o Dragão vomitara.

 

A perseguição à Igreja se concretiza. A ação do demônio é uma realidade. Deus já venceu, entretanto, o demônio no começo do mundo e só lhe permite agora testar a Igreja no tempo de sua caminhada.

Satanás se volta contra a Igreja Católica. Javé protege-a com as duas asas de águia (Ex 19,4; Deut 32,11; Is 40,31), expressão que designa exatamente a proteção divina.

O vômito no v.15 significa que ocorre uma torrente de perseguições contra a Igreja.  Tal rio de perseguição é o Império Romano, contudo, tal perseguição também é ideológico-religiosa.  Quantas vezes a Igreja é perseguida por venerar Maria? Por proteger os dez mandamentos de Deus, criticando o aborto, a camisinha, a pílula?

Quando a terra se abre, engolindo o rio; isto significa que a história assimilará tal fato e protegerá a memória do oprimido.

17. Este, então, se irritou contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus. 18. E ele se estabeleceu na praia.

A ação do dragão/satanás não termina, dirigindo seus ataques às comunidades/filhos da mulher/Igreja/Maria. Estas comunidades/filhos são as/os que observam os mandamentos de Deus e testemunham Jesus Cristo.

            João caracteriza, nestas linhas, a perseguição implacável de seu tempo (95 d.C.). O mal age descaradamente.

18. O segundo sinal: a besta e o cordeiro, o Império Romano e a comunidade cristã (Ap 13,1-18)

            O capítulo 12 sintetiza toda caminhada cristã. Os capítulos 13 e 14 concretizam historicamente esta caminhada, exemplificada na tensão entre o bem e o mal. Esta “concretização histórica” é o próprio embate entre o Império Romano e a comunidade cristã, no ano de 95. Neste capítulo 13 vemos as famosas figuras das bestas do Apocalipse.

            A primeira besta é o Império Romano, relatado nos versículos 1-8 e a segunda são as falsas ideologias, o imperador e os falsos profetas, mostrados nos versículos 11-17.

            Observemos os versículos para entendê-los:

1. Vi, então, levantar-se do mar uma Fera que tinha dez chifres e sete cabeças; sobre os chifres, dez diademas; e nas suas cabeças, nomes blasfematórios. 2. A Fera que eu vi era semelhante a uma pantera: os pés como de urso, e as fauces como de leão. Deu-lhe o Dragão o seu poder, o seu trono e grande autoridade. 3. Uma das suas cabeças estava como que ferida de morte, mas essa ferida de morte fora curada. E todos, pasmados de admiração, seguiram a Fera 4. e prostraram-se diante do Dragão, porque dera seu prestígio à Fera, e prostraram-se igualmente diante da Fera, dizendo: Quem é semelhante à Fera e quem poderá lutar com ela?

Nos primeiros quatro capítulos o Império Romano é descrito. A besta é símbolo do poder tirânico, retirado nas imagens usadas simbolicamente pelo profeta Daniel para designar os reinos da terra, poderosíssimos, mas passageiros (Dn 7,2-7.17). A besta vem do mar – símbolo da hostilidade, do mal, da confusão. Os dez chifres lembram o poder. As sete cabeças lembram as sete colinas de Roma e sete imperadores (Ap 17,9-10). Os diademas significam as cabeças coroadas, os imperadores. Lembram a idolatria dos imperadores, que se faziam de deuses, augustos. Como vemos no v.2, a besta tem poder avassalador, destruidor.

Nos v.3-4  João lembra que uma das cabeças foi ferida, mas curada e admirada por toda a terra. As cabeças lembram os imperadores. Estes versículos recordam a crendice popular da época que dizia que Nero, depois de morto, ressuscitara e se alistara nos exércitos partos, antigo povo cita, inimigo dos romanos, para lutar contra o Império. Já outra versão popular dita que Nero “ressuscitou” na pessoa de Domiciano. Nero, embora morto, continua vivo nas pessoas de seus sucessores.

5. Foi-lhe dada a faculdade de proferir arrogâncias e blasfêmias, e foi-lhe dado o poder de agir por quarenta e dois meses.
6. Abriu, pois, a boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar o seu nome, o seu tabernáculo e os habitantes do céu.
7. Foi-lhe dado, também, fazer guerra aos santos e vencê-los. Recebeu autoridade sobre toda tribo, povo, língua e nação, 8. e hão de adorá-la todos os habitantes da terra, cujos nomes não estão escritos desde a origem do mundo no livro da vida do Cordeiro imolado.

O Império Romano ridiculariza a Deus e à fé, perseguindo os fiéis. Este poder é temporário: 42 meses, que são 3 anos e meio, metade de 7, significando exatamente temporalidade (Ap 11,3;12,6).

9. Quem tiver ouvidos, ouça!
10. Quem procura prender será preso. Quem matar pela espada, pela espada deve ser morto. Esta é a ocasião para a constância e a confiança dos santos

João lembra que quem seguir a idolatria do imperador, está destinado à prisão e terá que assumir as conseqüências (a prisão). Se for necessário morrer pela espada, por causa da fé, que morram sem resistir. Se o imperador mata pela espada, não escapará também ele do castigo de Deus.

            Vejamos agora o que o texto fala da segunda besta:

11. Vi, então, outra Fera subir da terra. Tinha dois chifres como um cordeiro, mas falava como um dragão. 12. Ela exercia todo o poder da primeira Fera, sob a vigilância desta, e fez com que a terra e os seus habitantes adorassem a primeira Fera (cuja ferida de morte havia sido curada). 13. Realizou grandes prodígios, de modo que até fez descer fogo do céu sobre a terra, à vista dos homens. 14. Seduziu os habitantes da terra com os prodígios que lhe era dado fazer sob a vigilância da Fera, persuadindo-os a fazer uma imagem da Fera que sobrevivera ao golpe da espada.

Todo o poder tirânico não se sustenta sem a propaganda. S. João caracteriza esta propaganda oficial como falsos profetas que espalham a ideologia do poder e a defendem. Esta segunda besta é caracterizada pelas falsas ideologias. Parecem cordeiros, mas são dragões, lobos por dentro, encarnam a falsidade. Parecem ser coisas de Deus, fazem até milagres (v.13), causando a admiração do povo. O v.12 quer dizer que a primeira besta – o Império Romano  ou o poder do mal – tem como manifestação no mundo a segunda besta. Esta manifestação são os falsos profetas e as falsas ideologias, que tentam enganar o povo. O prodígio do v.13 lembra o de Elias (I Re 18,38-39).

15. Foi-lhe dado, também, comunicar espírito à imagem da Fera, de modo que essa imagem se pusesse a falar e fizesse com que fosse morto todo aquele que não se prostrasse diante dela.

Esta manifestação e os “milagres” convencem o povo a apoiar o sistema, a ideologia oficial.

16. Conseguiu que todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, tivessem um sinal na mão direita e na fronte,
17. e que ninguém pudesse comprar ou vender, se não fosse marcado com o nome da Fera, ou o número do seu nome.

Este apoio ao sistema permite o controle de tudo, principalmente da economia. Em todos os lugares e em todas as cabeças conseguem fixar a imagem do seu ídolo - sinal na mão direita e na fronte.  O regime é sustentado e a ideologia do Estado é mantida, com o interesse dos grupos dominantes preservado.

18. Eis aqui a sabedoria! Quem tiver inteligência, calcule o número da Fera, porque é número de um homem, e esse número é seiscentos e sessenta e seis.

Este poder idólatra, absolutista, dominador, na época de João era concretizado em um homem. E designa-o com o número 666. Sobre este número, temos um item de nossa série totalmente dedicado.

            Como vimos então, o poder tirânico está simbolizado na primeira besta, está vivo e atua nos nossos tempos. Este poder avassalador se concretiza nas pessoas de governantes, de chefes políticos e até de dirigentes religiosos que oprimem e enganam o povo. São bestas apocalípticas, autoridades, governantes, políticos corruptos!

            Estas bestas, contudo, não se fazem por si. São sustentadas pelas ideologias e pela propaganda. A propaganda “faz a cabeça”, faz crer que opressão é liberdade, que miséria é o primeiro passo para a riqueza, que libertinagem é liberdade. A propaganda é sorridente, faz promessas e distribui prêmios. É a propaganda que paga o 13o salário, institui previdências, faz “tudo pelo social”.  Coloca na cabeça do povo a marca do seu ídolo (Ap 13,16).  Quem não aceitar a propaganda do sistema oficial é marginalizado, perseguido, assassinado, considerado alienado, atrasado.  O número de todos esses homens que concretizam tais iniqüidades é 666. Enganam o povo e se sustentam à custa das armas, do dinheiro, da política, da comunicação social e até da religião.

            Sejamos cristãos autênticos. Não sejamos ambíguos! Cristão não pode se influenciar pela propaganda, pela falsa ideologia!

19. O Cordeiro ( Ap 14,1-20)

            Aqui o Cordeiro é destacado. É o símbolo das comunidades que são fiéis e que resistem ao poder do Império, como observamos nos primeiros cinco versículos deste capítulo.

            São João mostra as oposições entre as bestas vindas da terra e do mar e o Cordeiro vindo do monte Sião, isto é, da cidade santa de Deus. Mostra as oposições entre os marcados com o sinal da besta (666) e os marcados com o sinal de Cristo ressuscitado, entre os cantos de louvor dos salvos e as blasfêmias dos seguidores da besta (Ap 13,5); entre a fidelidade a Deus e a prostituição dos idólatras da besta(Ap 14,3-4); entre a mentira da propaganda do Império Romano e a verdade de Jesus (Ap 14,5).

            Analisemos os versículos e tenhamos uma idéia consistente da intenção destas linhas:

1. Eu vi ainda: o Cordeiro estava de pé no monte Sião, e perto dele cento e quarenta e quatro mil pessoas que traziam escritos na fronte o nome dele e o nome de seu Pai.2. Ouvia, entretanto, um coro celeste semelhante ao ruído de muitas águas e ao ribombar de potente trovão. Esse coro que eu ouvia era ainda semelhante a músicos tocando as suas cítaras.3. Cantavam como que um cântico novo diante do trono, diante dos quatro Animais e dos Anciãos. Ninguém podia aprender este cântico, a não ser aqueles cento e quarenta e quatro mil que foram resgatados da terra.4. Estes são os que não se contaminaram com mulheres, pois são virgens. São eles que acompanham o Cordeiro por onde quer que vá; foram resgatados dentre os homens, como primícias oferecidas a Deus e ao Cordeiro. 5. Em sua boca não se achou mentira, pois são irrepreensíveis.

Aqui é mostrada a força do poder da luz, contra a força das trevas, exibida no capítulo anterior.

Vale lembrar aqui o número dos seguidores do Cordeiro – 144 mil (Ap 7,4-8). Deus quer salvar a todos os homens. Constituem, este número, quase a totalidade dos homens. São virgens, não aceitaram a propaganda corrosiva, a idolatria do êxito e do poder. São virgens, não adoraram a besta.

As comunidades têm uma luta contínua para poderem manter a fidelidade a Deus, podendo, ao final, cantar o hino da vitória. Deus fará justiça, pois o poder das trevas cairá.

6. Vi, então, outro anjo que voava pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para anunciar aos habitantes da terra e a toda nação, tribo, língua e povo.

A partir deste versículo temos a sentença contra o Império. O “evangelho eterno” é a mensagem do evangelho de Jesus, o conteúdo do “livrinho (item 15)” que Deus deu a João para proclamar (Ap 10,9-11).

7. Clamava em alta voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória, porque é chegada a hora do seu julgamento. Adorai aquele que fez o céu e a terra, o mar e as fontes. 8. Outro anjo seguiu-o, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia, por ter dado de beber a todas as nações do vinho de sua imundície desenfreada. 9. Um terceiro anjo seguiu-os, dizendo em alta voz: Se alguém adorar a Fera e a sua imagem, e aceitar o seu sinal na fronte ou na mão, 10. há de beber também o vinho da cólera divina, o vinho puro deitado no cálice da sua ira. Será atormentado pelo fogo e pelo enxofre diante dos seus santos anjos e do Cordeiro. 11. A fumaça do seu tormento subirá pelos séculos dos séculos. Não terão descanso algum, dia e noite, esses que adoram a Fera e a sua imagem, e todo aquele que acaso tenha recebido o sinal do seu nome.
12. Eis o momento para apelar para a paciência dos santos, dos fiéis, aos mandamentos de Deus e à fé em Jesus.

 

O julgamento de Deus é anunciado por três anjos. O primeiro proclama que a hora chegou e que Deus é o único Senhor. O segundo diz que Roma, Babilônia cairá. O terceiro anuncia que os seguidores também cairão.

13. Eu ouvi uma voz do céu, que dizia: Escreve: Felizes os mortos que doravante morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, descansem dos seus trabalhos, pois as suas obras os seguem.

Os que são fiéis não devem temer, pois seus trabalhos, lutas e testemunhos são garantia de sua salvação.

            João descreve o julgamento de Deus em três etapas:

            1a) capítulo 14;

            2a) capítulo 15 até 19,10;

            3a) capítulo 20,1 até 22,15.

            Estas etapas precedem a conclusão do livro, que envolve os últimos capítulos.

            A primeira etapa pode ser analisada nos versículos seguintes (14-20) deste capítulo. Significam a força de Deus, que vence o mal presente na história, apresentando-nos o dia do julgamento.

14. Eu vi ainda uma nuvem branca, sobre a qual se sentava como que um Filho do Homem, com a cabeça cingida de coroa de ouro e na mão uma foice afiada. 15. Outro anjo saiu do templo, gritando em voz alta para aquele que estava assentado na nuvem: Lança a tua foice e ceifa, porque é chegada a hora de ceifar, pois está madura a seara da terra.

Jesus é o juiz. João usa símbolos para designá-lo (leia Dn 7,13): a nuvem (presença de Deus, Jesus é o Deus presente), a coroa (sinal da vitória, Ele é o Ressuscitado) e a foice (instrumento de colheita, de julgamento). Os acontecimentos estão maduros, devem ser colhidos, julgados. Deus realiza o pedido dos santos, que pediam justiça (Ap 6,9-10).

16. O Ser que estava assentado na nuvem lançou então a foice à terra, e a terra foi ceifada.

Jesus inicia o julgamento.

17. Outro anjo saiu do templo do céu. Tinha também uma foice afiada. 18. E outro anjo, aquele que tem poder sobre o fogo, saiu do altar e bradou em alta voz para aquele que tinha a foice afiada: Lança a foice afiada e vindima os cachos da vinha da terra, porque maduras estão as suas uvas. 19. O anjo lançou a sua foice à terra e vindimou a vinha da terra, e atirou os cachos no grande lagar da ira de Deus.

Outros anjos lançam suas foices sobre a terra. Jesus também diz que o julgamento final será como uma colheita a ser feita por Deus e seus anjos (Mt 13,24-30.34.41-43).

20. O lagar foi pisado fora da cidade, e do lagar saiu sangue que atingiu até o nível dos freios dos cavalos pelo espaço de mil e seiscentos estádios.

 

Os inimigos do Cordeiro são aniquilados definitivamente. A expressão pisar lagar designa o julgamento de Deus. Lagar é um tanque onde se espremem os cachos de uva para fazer vinho. Pisar lagar é um modo de falar que lembra os condenados judeus que eram julgados ou executados fora da cidade. Ou seja, os condenados pelo juízo de Deus estão fora do ambiente sagrado, divino. Estão excluídos.

A desgraça dos condenados será total e desesperadora. É o significado do número 1600, que é o resultado de 40x40. O número 40 é a multiplicação de 4x10. Quatro quer dizer abrangência da terra e dez é o número da história. Ou seja, 1600 estádios é um número que significa a mais absoluta derrota dos homens inimigos de Deus. Todos (4), em toda a terra, em todos os tempos (10), serão derrotados (=1600).

            O cristão não pode ser indefinido. Tem que fazer algo para melhorar o mundo, reagir diante da guerra , da corrupção, das inverdades, da idolatria... Deve lutar! Não deve ser covarde! Esta atitude ajuda os poderosos a se manter no poder, ajudam a iniqüidade a triunfar sobre a justiça.

Fonte de Pesquisa: O Apocalipse - Explicação e Atualização, Mauro Strabeli, Ave Maria Edições.