PARTE 7

20. O terceiro sinal (Ap 15,1-8)

      O capítulo 15 relembra o início do capítulo 12 onde o autor fala dos primeiros dois sinais: a mulher vestida de sol e o dragão (v.1 e 3).

       Estes sinais falam da luta entre o bem e o mal. Tal luta tem um fim e o tempo do mal é limitado: 42 meses ou três anos e meio (Ap 11,2; 12,6.14).

       Observemos o terceiro sinal, que seriam os castigos de Deus, a derrota do mal e o canto de vitória dos fiéis ao Cordeiro, suportando as tribulações.

           

Esta narração recorda o Êxodo, fazendo uma alusão àquela experiência: mar, pragas, Moisés.

1. Vi ainda, no céu, outro sinal, grande e maravilhoso: sete Anjos que tinham os sete últimos flagelos, porque por eles é que se deve consumar a ira de Deus. 2. Vi também como que um mar transparente, irisado de fogo, e os vencedores, que haviam escapado à Fera, à sua imagem e ao número do seu nome,

conservavam-se de pé sobre esse mar com as cítaras de Deus. 3. Cantavam o cântico de Moisés, o servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e admiráveis são as tuas obras, Senhor Deus Dominador. Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações! 4. Quem não temerá, Senhor, e não glorificará o teu nome? Só tu és santo e todas as nações virão prostrar-se diante de ti, porque se tornou manifesta a retidão dos teus juízos.

A nova Babilônia-Roma será vencida e os fiéis ao Cordeiro cantarão a vitória sobre o novo faraó.  Os eleitos são os “de pé sobre o mar de vidro” e estar em cima deste mar significa que os eleitos superaram os elementos hostis do mundo – lembra que o mar é sinônimo de confusão, de maldade? .

No v.3 vemos o hino da vitória, o mesmo de Moisés (Ex 15,1), chamando-o porém de “cântico do Cordeiro”.

5. Depois disso, eu vi abrir-se no céu o templo que encerra o Tabernáculo do Testemunho.

 

As sete pragas são a imagem do julgamento de Deus que está começando a se realizar.

O desenvolvimento deste grupo de sete taças é semelhante ao das sete trombetas (Ap 8,2;11,15). A mesma base é o Êxodo. As pragas são os castigos de Deus contra os perseguidores de seu povo, castigos totais, não parciais. Por isto o número SETE. Deus castigará e aniquilará os perseguidores.  Este tabernáculo indica a presença de Deus.

6. Os sete Anjos que tinham os sete flagelos saíram do templo, vestidos de linho puro e resplandecente, cingidos ao peito com cintos de ouro. 7. Um dos quatro Animais deu-lhes então sete taças de ouro, cheias da ira de Deus que vive pelos séculos dos séculos.
8. Encheu-se o templo de fumaça provinda da glória de Deus e do seu poder. E ninguém podia entrar, enquanto não se consumassem os sete flagelos dos sete Anjos.

Os anjos estão vestidos desta forma porque trata-se de uma missão sagrada. Exatamente como os sacerdotes do Antigo Testamento se vestiam.

A justiça de Deus irá começar. Isto é exposto no capítulo 16, o seguinte.

Entretanto, os castigos primeiramente são um convite para a conversão. Deus sempre dá novas oportunidades, castigando para corrigir. Como as pragas do Egito, que tentaram corrigir o faraó, existe nas mesmas um fim antes medicinal do que condenatório.

 

      As pragas são trazidas da parte de Deus por seus anjos. São os mensageiros de Javé. Estes mensageiros não são necessariamente pessoas ou seres divinos. Podem ser acontecimentos do mundo. É assim que João parece entender. Dentro de um contexto teológico, os acontecimentos históricos e naturais de seu tempo são como pragas de Deus, para educar, corrigir.

       Nada é fatalismo!  Tudo acontece como momentos de Deus na história. Cada fato, cada lágrima se constitui uma novidade de Deus, apresentada ao homem para ajudá-lo na sua caminhada.

        Pense nisso!

21. O Harmagedôn e a queda iminente da Besta/Roma (Ap 16,1-21)

       O capítulo 16 vai discorrer sobre os castigos de Deus contra as estruturas que sustentam o trono da besta, sejam elas pessoas, grupos ou instituições. Toda Babilônia (Império Romano) está dominada pela maldade. Deus os convida à conversão, mas tais pragas não conseguirão converter os seguidores da besta, que ainda se voltarão contra Javé com blasfêmias e provocações (Ap 16,9.11.21).

         Vamos analisar este capítulo?

1. Ouvi, então, uma voz forte saindo do templo, que dizia aos sete Anjos: Ide, e derramai sobre a terra as sete taças da ira de Deus.

Designa os castigos de Deus. Eles preparam o julgamento que Deus aplicará contra a Babilônia/Império Romano.

2. O primeiro, portanto, pôs-se a derramar a sua taça sobre a terra. Formou-se uma úlcera atroz e maligna nos homens que tinham o sinal da Fera e que se prostravam diante de sua imagem.

A ideologia e a propaganda ferem o íntimo das pessoas, “fazem a cabeça”, queimam por dentro como úlcera. Tal castigo não surte efeito.

3. O segundo derramou a sua taça sobre o mar. Este tornou-se sangue, como o de um morto, e pereceu todo ser que estava no mar

Diante da insensibilidade dos seguidores da besta, Deus terá que condená-los. O julgamento será universal, absoluto e arrasador (mar e sangue).

4. O terceiro derramou a sua taça sobre os rios e as fontes das águas, e transformaram-se em sangue. 5. Ouvi, então, o anjo das águas dizer: Tu és justo, tu que és e que eras o Santo, que assim julgas. 6. Porque eles derramaram o sangue dos santos e dos profetas, tu lhes deste também sangue para beber. Eles o merecem.
7. Ouvi o altar dizer: Sim, Senhor Deus Dominador, são verdadeiros e justos os teus julgamentos.

 

A maldade da besta embebedou o mundo inteiro de sangue, o sangue dos mártires. Por esses crimes a besta será duramente julgada.

8. O quarto derramou a sua taça sobre o sol, e foi-lhe dado queimar os homens com o fogo.
9. E os homens foram queimados por grande calor, e amaldiçoaram o nome de Deus, que pode desencadear esses flagelos; e não quiseram arrepender-se e dar-lhe glória.

Este calor que queima significa que, diante de tantas calamidades sofridas, os homens continuam resistindo a Deus. Veja Ap 9,20-21.

10. O quinto derramou a sua taça sobre o trono da Fera. Seu reino se escureceu e seus súditos mordiam a língua de dor.

Esta quinta praga atinge o trono da besta. Na verdade,  é exatamente quando Roma começa a sentir a derrota. A política externa, as rixas e demais dificuldades começam a destruir este poder temporal. É questão de tempo.

11. Amaldiçoaram o Deus do céu por causa de seus sofrimentos e das suas feridas, sem se arrependerem dos seus atos.

O povo seguidor da besta e Roma vêem as ameaças, mas não pensam em mudar.

12. O sexto derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates, e secaram-se as suas águas para que se abrisse caminho aos reis do oriente.

 

O Império tenta reagir. A Mesopotâmia, onde situa-se o rio Eufrates, sempre significou perigo para Roma. Dali vinham os persas, caldeus, partos... Secando o rio, o caminho está aberto para o Oriente. A ameaça da destruição total de Roma é uma realidade. O caminho para os invasores estava aberto!

13. Vi (sair) da boca do Dragão, da boca da Fera e da boca do falso profeta três espíritos imundos semelhantes a rãs;

 

O dragão, a besta e o falso profeta, como já vimos, significam o espírito do mal, Roma e a propaganda. Eles se unem para reagir, mas são como as rãs, que ficam infladas mas não constituem perigo algum, embora pareçam terríveis!

14. são os espíritos de demônios que realizam prodígios, e vão ter com os reis de toda a terra, a fim de reuni-los para a batalha do Grande Dia do Deus Dominador.

 

A propaganda e Roma tentarão mostram que estão vivos e fortes. Tentarão seduzir novamente seus seguidores e mostrar que tudo está sob controle.

15. (Eis que venho como um ladrão! Feliz aquele que vigia e guarda as suas vestes para que não ande nu, ostentando a sua vergonha!)

 

O julgamento de Deus virá como um ladrão, quando menos se esperar. Veja Ap 3,3 e o que Jesus fala em Mt 24,43-44.

16. Eles os reuniram num lugar chamado em hebraico Har-Magedon.

 

O Harmagedôn é uma colina fortificada perto de Meguido, na planície de Esdrelon. Foi uma área de batalhas e é considerado o local da última e definitiva batalha no Grande Dia do julgamento.

17. O sétimo derramou a sua taça pelos ares e saiu do templo uma grande voz do trono, que dizia: Está pronto! 18. Houve, então, relâmpagos, vozes e trovões, assim como um terremoto tão grande como jamais houve desde que há homens na terra. 19. A grande cidade foi dividida em três partes, e as cidades das nações caíram, e Deus lembrou-se da grande Babilônia, para lhe dar de beber o cálice do vinho de sua ira ardente. 20. Todas as ilhas fugiram, e montanha alguma foi encontrada. 21. Grandes pedras de gelo, que podiam pesar um talento, caíram do céu sobre os homens. Os homens amaldiçoaram a Deus por causa do flagelo da saraiva, pois este foi terrível.

 

Apesar dos apelos de conversão (AS SEIS PRIMEIRAS PRAGAS/TAÇAS), ela (Roma) endureceu-se no mal. Roma será destruída.

A destruição do poder do mal é descrita com imagens e figuras. Deus está presente, assim como no Monte Sinai (Ex 19,16-24).

No v.19 vemos que Roma deu a beber a tanta gente o vinho de sua prostituição (Ap 17,2) e agora beberá também ela, agora, o cálice do vinho do furor de sua ira.

 

         Vemos que tais seguidores da Besta, mesmo depois de tantos castigos medicinais, prosseguem na negação a Deus.

22.  A descrição da Grande Prostituta (Ap 17,1-18)

        Tal capítulo faz a descrição de Roma, a grande prostituta. Ela perverte os homens, é a mãe das abominações da terra.  Vejamos passo a passo a análise dos versículos deste interessante capítulo.

1. Veio, então, um dos sete Anjos que tinham as sete taças e falou comigo: Vem, e eu te mostrarei a condenação da grande meretriz, que se assenta à beira das muitas águas, 2. com a qual se contaminaram os reis da terra. Ela inebriou os habitantes da terra com o vinho da sua luxúria. 3. Transportou-me, então, em espírito ao deserto. Eu vi uma mulher assentada em cima de uma fera escarlate, cheia de nomes blasfematórios, com sete cabeças e dez chifres.
4. A mulher estava vestida de púrpura e escarlate, adornada de ouro, pedras preciosas e pérolas. Tinha na mão uma taça de ouro, cheia de abominação e de imundície de sua prostituição. 5. Na sua fronte estava escrito um nome simbólico: Babilônia, a Grande, a mãe da prostituição e das abominações da terra. 6. Vi que a mulher estava ébria do sangue dos santos e do sangue dos mártires de Jesus; e esta visão encheu-me de espanto.

 

A grande prostituta que perverte os homens, como já dito, é Roma. Ela corrompe, com a idolatria e com os maus costumes, todos os povos que conquista e domina. É esse o sentido da expressão “se assenta à beira das muitas águas”,  presente nos versículos 1 e 15. Roma embebeda-os com o vinho de sua maldade e corrupção.

Roma é a mulher que está sentada sobre uma besta. É responsável pela corrupção geral. O v.4 significa que ela tem o poder, o domínio e a glória. No v.6 vemos que ela é má, cheia do sangue dos justos perseguidores e mártires assassinados.

Roma embriaga-se com o sangue dos santos.

7. Mas o anjo me disse: Por que te admiras? Eu mesmo te vou dizer o simbolismo da mulher e da Fera de sete cabeças e dez chifres que a carrega. 8. A Fera que tu viste era, mas já não é; ela deve subir do abismo, mas irá à perdição. Admirar-se-ão os habitantes da terra, cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde o começo do mundo, vendo reaparecer a Fera que era e já não é mais. 9. Aqui se requer uma inteligência penetrante. As sete cabeças são sete montanhas sobre as quais se assenta a mulher. 10. São também sete reis: cinco já caíram, um subsiste, o outro ainda não veio; e quando vier, deve permanecer pouco tempo.

 

Aqui, até o versículo 18 temos a explicação do mistério da mulher e da besta. Os sete reis e os dez reis (v.12) lembram os imperadores em sentido geral, visto o significado dos números 7 (total, pleno) e 10 (grande número, número da história). Como já dito,  a prostituta é Roma, cidade das sete colinas (v.9). No mesmo v.9 diz: é preciso inteligência, discernimento, sabedoria para entender todo este simbolismo.

11. Quanto à Fera que era e já não é, ela mesma é um oitavo (rei). Todavia, é um dos sete e caminha para a perdição. 12. Os dez chifres que viste são dez reis que ainda não receberam o reino, mas que receberão por um momento poder real com a Fera. 13. Eles têm o mesmo pensamento: transmitir à Fera a sua força e o seu poder. 14. Combaterão contra o Cordeiro, mas o Cordeiro os vencerá, porque é Senhor dos senhores e Rei dos reis. Aqueles que estão com ele são os chamados, os escolhidos, os fiéis.

 

Como já explicamos, os dez reis são uma referência aos reis vassalos de Roma, que perseguiram a Igreja Católica em seus reinos (v.14), embora por breve tempo (um momento, v.12).

Os que perseverarem com o Cordeiro, verão o triunfo de Deus e de Jesus Ressuscitado, que é o Senhor da história (v.14).

15. O anjo me disse: As águas que viste, à beira das quais a Prostituta se assenta, são povos e multidões, nações e línguas. 16. Os dez chifres que viste, assim como a Fera, odiarão a Prostituta. Hão de despojá-la e desnudá-la. Hão de comer-lhe as carnes e a queimarão ao fogo.
17. Porque Deus lhes incutiu o desejo de executarem os seus desígnios, de concordarem em ceder sua soberania à Fera, até que se cumpram as palavras de Deus

Deus se serve dos acontecimentos e das pessoas neles envolvidos para cumprir seu plano, que é destruir o mal e operar a salvação de todos. Os próprios imperadores (besta) e seus aliados (dez chifres, os reis) destruirão o próprio poderoso império. Os povos dominados se voltarão contra o dominador. Todos colaboram com a Providência Divina.

18. A mulher que viste é a grande cidade, aquela que reina sobre os reis da terra.

 

Tal visão termina falando da certeza de que tal potência opressora – Roma – cairá em breve. É preciso ser perseverante. Caindo a cidade da confusão, poderão os homens construir a nova cidade.

            Está pronto para construir a nova cidade? Comece por você!

Fonte de Pesquisa: O Apocalipse - Explicação e Atualização, Mauro Strabeli, Ave Maria Edições.