PARTE 8

23. A derrota final da Besta (Ap 18,1-24)




 

      Este capítulo é composto de seis quadros sucessivos, com drama, lamentações e cânticos.

       Analisemos este maravilhoso capítulo:

1. Depois disso, vi descer do céu outro anjo que tinha grande poder, e a terra foi iluminada por sua glória.
2. Clamou em alta voz, dizendo: Caiu, caiu Babilônia, a Grande. Tornou-se morada dos demônios, prisão dos espíritos imundos e das aves impuras e abomináveis,
3. porque todas as nações beberam do vinho da ira de sua luxúria, pecaram com ela os reis da terra e os mercadores da terra se enriqueceram com o excesso do seu luxo.
Um anjo anuncia a queda da Babilônia - Roma. A cidade virou de fato uma confusão geral (Babel), tornando-se abrigo de demônios etc (v.2). A grande cidade caiu; a mentira e a opressão não mais existem (v.3)
4. Ouvi outra voz do céu que dizia: Meu povo, sai de seu meio para que não participes de seus pecados e não tenhas parte nas suas pragas,5. porque seus pecados se acumularam até o céu, e Deus se lembrou das suas injustiças. 6. Faze com ela o que fez (contigo), e retribui-lhe o dobro de seus malefícios; na taça que ela deu de beber, dá-lhe o dobro. 7. Na mesma proporção em que fez ostentação de luxo, dá-lhe em tormentos e prantos. Pois ela disse no seu coração: Estou no trono como rainha, e não viúva, e nunca conhecerei o luto. 8. Por isso, num só dia virão sobre ela as pragas: morte, pranto, fome. Ela será consumida pelo fogo, porque forte é o Senhor Deus que a condenou. Temos aqui uma EXORTAÇÃO: o povo de Deus não deve se enganar com a ideologia da besta, com os sistemas corrompidos, como Roma.
9. Hão de chorar e lamentar-se por sua causa os reis da terra que com ela se contaminaram e pecaram, quando avistarem a fumaça do seu incêndio.
10. Parados ao longe, de medo de seus tormentos, eles dirão: Ai, ai da grande cidade, Babilônia, cidade poderosa! Bastou um momento para tua execução!
Temos aqui uma LAMENTAÇÃO: os reis e governadores da terra lamentam com a ruína do sistema que os privilegiava.
11. Também os negociantes da terra choram e se lamentam a seu respeito, porque já não há ninguém que lhes compre os carregamentos:12. carregamento de ouro e prata, pedras preciosas e pérolas, linho e púrpura, seda e escarlate, bem como de toda espécie de madeira odorífera, objetos de marfim e madeira preciosa; de bronze, ferro e mármore;13. de cinamomo e essência; de aromas, mirra e incenso; de vinho e óleo, de farinha e trigo, de animais de carga, ovelhas, cavalos e carros, escravos e outros homens.14. Eis que o bom tempo de tuas paixões animalescas se escoou. Toda a magnificência e todo o brilho se apagaram, e jamais serão reencontrados.15. Os mercadores destas coisas, que delas se enriqueceram, pararão ao longe, de medo de seus tormentos, e hão de chorar e lamentar-se, dizendo:16. Ai, ai da grande cidade, que se revestia de linho, púrpura e escarlate, toda ornada de ouro, pedras preciosas e pérolas.17. Num só momento toda essa riqueza foi devastada! Temos neste trecho uma outra LAMENTAÇÃO. Agora é a lamentação dos comerciantes que ficam decepcionados com o fim dos negócios com a grande capitalista que ruiu!
Todos os pilotos e todos os navegantes, os marinheiros e todos os que trabalham no mar paravam ao longe
18. e exclamavam, ao ver a fumaça do incêndio: Que havia de comparável a essa grande cidade?
19. E lançavam pó sobre as cabeças, chorando e lamentando-se com estas palavras: Ai, ai da grande cidade, de cuja opulência se enriqueceram todos os que tinham navios no mar. Bastou um momento para ser arrasada!
 Os mercadores, navegantes e exportadores são os que lamentam desta vez. A grande compradora, a grande armadora de suas frotas caiu!

Estas lamentações nascem do egoísmo profundo e interesseiro. São pessoas que só pensam em si mesmo. Deus quer destruir estes malditos sentimentos!
20. Exulta sobre ela, ó céu; e também vós, santos, apóstolos e profetas, porque Deus julgou contra ela a vossa causa. O pedido dos justos perseguidos, em Ap 6,9-11 é atendido! A perseguidora ruiu!
21. Então um anjo poderoso tomou uma pedra do tamanho de uma grande mó de moinho e lançou-a no mar, dizendo: Com tal ímpeto será precipitada Babilônia, a grande cidade, e jamais será encontrada.22. Já não se ouvirá mais em ti o som dos citaristas, dos cantores, dos tocadores de flauta, de trombetas. Nem se encontrará em ti artífice algum de qualquer espécie. Não se ouvirá mais em ti o ruído do moinho,23. não brilhará mais em ti a luz de lâmpada, não se ouvirá mais em ti a voz do esposo e da esposa; porque teus mercadores eram senhores do mundo, e todas as nações foram seduzidas por teus malefícios.
24. Foi em ti que se encontrou o sangue dos profetas e dos santos, como também de todos aqueles que foram imolados na terra.
Trata-se da conclusão dos quadros anteriores. No v. 22 vemos claramente que todos os privilegiados pela Grande Besta estão definitivamente derrotados. Todas as forças materiais a serviço da Besta - PODERES POLÍTICO E ECONÔMICO - serão arruinados justamente com ela. O profeta Daniel (Dn 2,40.44) já alertava que todo sistema opressor tem vida curta na história.

 

        A única base sólida é Deus.

24. A vitória definitiva do Cordeiro (Ap 19,1-21)

        
Vemos a derrota da mentira e da iniqüidade nos capítulos 17-18. Aqui a vitória do Bem é celebrada. João expressa a alegria pela vitória com um canto solene cujo tema é Aleluia (=hino e louvor a Deus; Halelu-Ya em hebraico, significa: Louvai a Javé.). É a chamada última doxologia do Apocalipse.

          
Como é de praxe, observemos os comentários dos versículos de um dos últimos capítulos da Bíblia.

1. Depois disso, ouvi no céu como que um imenso coro que cantava: Aleluia! A nosso Deus a salvação, a glória e o poder,
2. porque os seus juízos são verdadeiros e justos. Ele executou a grande Prostituta que corrompia a terra com a sua prostituição, e pediu-lhe contas do sangue dos seus servos.
3. Depois recomeçaram: Aleluia! Sua fumaça sobe pelos séculos dos séculos.4. Então os vinte e quatro Anciãos e os quatro Animais prostraram-se e adoraram a Deus que se assenta no trono, dizendo: Amém! Aleluia!5. Do trono saiu uma voz que dizia: Cantai ao nosso Deus, vós todos, seus servos que o temeis, pequenos e grandes.6. Nisto ouvi como que um imenso coro, sonoro como o ruído de grandes águas e como o ribombar de possantes trovões, que cantava: Aleluia! Eis que reina o Senhor, nosso Deus, o Dominador!

Este canto de vitória tem três momentos:
1) A grande multidão canta e celebra o Senhor pela salvação operada, derrotando a grande prostituta (v.1-3);

2) Todo o universo (24 anciãos e os 4 seres vivos) responde também louvando a Deus;

3) Os mártires também louvam.

Forma-se um imensa multidão que louva a Deus (v.6).

7. Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe glória, porque se aproximam as núpcias do Cordeiro. Sua Esposa está preparada.
8. Foi-lhe dado revestir-se de linho puríssimo e resplandecente. (Pois o linho são as boas obras dos santos.) 9. Ele me diz, então: Escreve: Felizes os convidados para a ceia das núpcias do Cordeiro. Disse-me ainda: Estas são palavras autênticas de Deus.10. Prostrei-me aos seus pés para adorá-lo, mas ele me diz: Não faças isso! Eu sou um servo, como tu e teus irmãos, possuidores do testemunho de Jesus. Adora a Deus. Porque o espírito profético não é outro que o testemunho de Jesus.

Depois do mal ter sido derrotado, os céus preparam o banquete da vitória, as núpcias do Cordeiro. João sente-se feliz com a visão da vitória final. Ele e a comunidade agradecem ao anjo de Deus que veio anunciar-lhes tal vitória (v.10).

"
Porque o espírito profético não é outro que o testemunho de Jesus." significa que testemunhar a liberdade é ser profeta de Deus.

11. Vi ainda o céu aberto: eis que aparece um cavalo branco. Seu cavaleiro chama-se Fiel e Verdadeiro, e é com justiça que ele julga e guerreia.12. Tem olhos flamejantes. Há em sua cabeça muitos diademas e traz escrito um nome que ninguém conhece, senão ele.13. Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome é Verbo de Deus.14. Seguiam-no em cavalos brancos os exércitos celestes, vestidos de linho fino e de uma brancura imaculada.15. De sua boca sai uma espada afiada, para com ela ferir as nações pagãs, porque ele deve governá-las com cetro de ferro e pisar o lagar do vinho da ardente ira do Deus Dominador.16. Ele traz escrito no manto e na coxa: Rei dos reis e Senhor dos senhores! A partir daqui João fala de Jesus, o Vencedor, na última batalha da história, usando muitos símbolos e números próprios da linguagem apocalíptica, um recurso muito usado no judaísmo para os momentos críticos.

Jesus é vencedor (cavalo branco), virá com todo esplendor para julgar com justiça (v.12), é o Rei (v.12) e tem um nome que só ele conhece, pois ninguém conhece a Deus senão ele mesmo (observe os versículos 13 e 16). A propósito, o v.13 indica que Jesus traz as marcas de sua paixão e morte na cruz. O v.14 narra que a vitória será feita nos moldes de uma batalha, com os exércitos celeste e das trevas em combate (v.19). No v.15 observamos que Jesus julgará o mal com a sua palavra e com o seu poder absoluto.
17. Vi, então, um anjo de pé sobre o sol, a chamar em alta voz a todas as aves que voam pelo meio dos céus: Vinde, reuni-vos para a grande ceia de Deus,
18. para comerdes carnes de reis, carnes de generais e carnes de poderosos; carnes de cavalos e cavaleiros; carnes de homens, livres e escravos, pequenos e grandes.
19. Eu vi a Fera e os reis da terra com os seus exércitos reunidos para fazer guerra ao Cavaleiro e ao seu exército.

A vitória de Cristo é uma certeza. Tanto que um anjo de Deus chama as aves para virem devorar a carne dos vencidos. Esta linguagem apocalíptica é usada justamente para enaltecer esta vitória indiscutível.

20. Mas a Fera foi presa, e com ela o falso profeta, que realizara prodígios sob o seu controle, com os quais seduzira aqueles que tinham recebido o sinal da Fera e se tinham prostrado diante de sua imagem. Ambos foram lançados vivos no lago de fogo sulfuroso.21. Os demais foram mortos pelo Cavaleiro, com a espada que lhe saía da boca. E todas as aves fartaram-se da suas carnes. João usa imagens fortes para mostrar a vingança de Deus (=lago de fogo sulfuroso). Este lago de fogo sulfuroso, aliás, indica o lugar da definitiva condenação, onde as forças vencidas do mal serão atiradas para serem definitivamente aniquiladas.
Na batalha escatológica (=final), o exército de Cristo vence os reis e os governadores da terra, depois o poder político, em seguida a besta, a tirania e o totalitarismo do homem e, por fim, o falso profeta (= a falsa propaganda, a ideologia sedutora).

       É preciso louvar a Deus Vivo (Aleluia) e não temer a morte!

25. A etapa final da guerra escatológica e o reinado de "mil anos" (Ap 20,1-15)

    
  Leiamos atentamente o capítulo 20 para entendermos melhor este difícil trecho do Apocalipse:

"1. Vi, então, descer do céu um anjo que tinha na mão a chave do abismo e uma grande algema.
2. Ele apanhou o Dragão, a primitiva Serpente, que é o Demônio e Satanás, e o acorrentou por mil anos.
3. Atirou-o no abismo, que fechou e selou por cima, para que já não seduzisse as nações, até que se completassem mil anos. Depois disso, ele deve ser solto por um pouco de tempo.
4. Vi também tronos, sobre os quais se assentaram aqueles que receberam o poder de julgar: eram as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da palavra de Deus, e todos aqueles que não tinham adorado a Fera ou sua imagem, que não tinham recebido o seu sinal na fronte nem nas mãos. Eles viveram uma vida nova e reinaram com Cristo por mil anos.
5. (Os outros mortos não tornaram à vida até que se completassem os mil anos.) Esta é a primeira ressurreição.
6. Feliz e santo é aquele que toma parte na primeira ressurreição! Sobre eles a segunda morte não tem poder, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo: reinarão com ele durante os mil anos.
7. Depois de se completarem mil anos, Satanás será solto da prisão.
8. Sairá dela para seduzir as nações dos quatro cantos da terra (Gog e Magog) e reuni-las para o combate. Serão numerosas como a areia do mar.
9. Subiram à superfície da terra e cercaram o acampamento dos santos e a cidade querida. Mas desceu um fogo dos céus e as devorou.
10. O Demônio, sedutor delas, foi lançado num lago de fogo e de enxofre, onde já estavam a Fera e o falso profeta, e onde serão atormentados, dia e noite, pelos séculos dos séculos.
11. Vi, então, um grande trono branco e aquele que nele se assentava. Os céus e a terra fugiram de sua face, e já não se achou lugar para eles.
12. Vi os mortos, grandes e pequenos, de pé, diante do trono. Abriram-se livros, e ainda outro livro, que é o livro da vida. E os mortos foram julgados conforme o que estava escrito nesse livro, segundo as suas obras.
13. O mar restituiu os mortos que nele estavam. Do mesmo modo, a morte e a morada subterrânea. Cada um foi julgado segundo as suas obras.
14. A morte e a morada subterrânea foram lançadas no tanque de fogo. A segunda morte é esta: o tanque de fogo.
15. Todo o que não foi encontrado inscrito no livro da vida foi lançado ao fogo."(Ap 20,1-15)

        Aqui se fala da etapa final da guerra escatológica, onde satanás será derrotado. Fala do "tempo da Igreja", um período de mil anos, onde a mesma, através dos testemunhos de vida de seus fiéis, lutará contra o mal para alcançar sua meta final na consumação dos tempos.

         Como já sabemos, o mal foi derrotado no início, mas tem energia suficiente para agir durante o "tempo da Igreja". Antes do fim dos tempos, satanás reunirá as poucas forças que lhe resta e tentará a última cartada. Contudo, a derrota é iminente e somente subsistirá a Vida.

          João usa novamente muitos recursos da literatura apocalíptica. Tal vitória final terá duas fases:

          1ª) Ap 20,1-6: Satanás é impedido de fazer o mal -poderá seduzir, acusar-, sendo acorrentado por mil anos no abismo. Sairá por breve tempo,  para tentar mais fortemente os homens.

           2ª) Ap 20,7-15: Depois dos mil anos e do "um pouco de tempo" (v.3), satanás perderá, indo para o tanque de fogo onde já estão a besta e o falso profeta (v.10), de forma definitiva.

            Este capítulo gerou a polêmica do Milenarismo, onde Cristo teria um reinado com seus fiéis de mil anos na Terra, com paz, amor e alegria. Tratava-se de um tempo intermediário. Após este reino, teria início a vida eterna, a consumação dos tempos. Desde o início esta doutrina foi combatida pela Igreja. Atualmente seitas como a Adventista do Sétimo Dia ainda sustentam esta errônea interpretação. Dedicamos um item inteiro (5) sobre esta polêmica.

             Sabemos que estes números (mil anos e outros) não designam valores exatos.  Este reino de mil anos é a fase terrestre do reino de Deus, "o tempo da Igreja". Como diz o versículo 5, os que dão o testemunho de cristão reinam com Ele durante mil anos, no "tempo da Igreja", onde satanás tem pouco ou nenhum poder. É a primeira ressurreição. Jesus mesmo tem linguagem parecida quando fala da conversão, iniciada no batismo. Veja João 3,3:

"Jesus replicou-lhe: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus."(Jo 3,3)

                Satanás lutará contra o Bem neste tempo da Igreja, atormentando-a. Neste tempo ele estará preso, mas sua atuação continuará, mesmo que enfraquecida (v.10).

                 Sobre a expressão "um pouco de tempo", vale dizer que trata-se da fase terminal da caminhada da Igreja, no fim dos "mil anos". Nesta fase, o demônio redobrará seus esforços pois pouco tempo lhe resta (v.3). Liberado, tentará de tudo, mas perderá (v.9 e 10).

                   Resumindo: durante os mil anos - tempo da Igreja - Satanás tentará seduzir e destruir os cristãos, que estão na primeira ressurreição, testemunhando Cristo através das boas ações de suas vidas. No final dos tempos, haverá uma segunda ressurreição, agora definitiva. Entretanto, no fim do tempo da Igreja, Satanás tentará uma investida maior, mas será permanentemente derrotado.

26. O Mundo Novo (Ap 21,1-27)

                   Aqui São João descreve o novo mundo. Analisemos atentamente os versículos deste penúltimo capítulo e entendamos o verdadeiro significado destas palavras:

"1. Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia.
2. Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo.
3. Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles.
4. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição.
5. Então o que está assentado no trono disse: Eis que eu renovo todas as coisas. Disse ainda: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras."
 

                   Este mundo novo vem do céu, não se encontra em nossa dimensão atual. Uma nova criação substitui a antiga  e a justiça divina está feita (v.1). João recorre novamente ao simbolismo para mostrar que a nova Vida é estar em comunhão permanente com Deus. João pinta quadros de excepcional beleza para explicar os novos céus e a nova terra.

                   Nos versículos 2-3 vemos que a nova árvore não será como a do Gênesis (Gn 3,1-19); não será causa de maldição. A tenda de Deus não será mais destruída e nem a Aliança e a harmonia. Nos v.4-5 observamos que todos os elementos negativos desapareceram, inclusive o mar, símbolo da confusão. Haverá harmonia entre Deus e o seu povo e entre os membros deste povo.

6. Novamente me disse: Está pronto! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva.
 

 

 Deus é o começo e o fim de tudo, é o Alfa e o Ômega.
7. O vencedor herdará tudo isso; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho.8. Os tíbios, os infiéis, os depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos os mentirosos terão como quinhão o tanque ardente de fogo e enxofre, a segunda morte.9. Então veio um dos sete Anjos que tinham as sete taças cheias dos sete últimos flagelos e disse-me: Vem, e mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro.10. Levou-me em espírito a um grande e alto monte e mostrou-me a Cidade Santa, Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus,
11. revestida da glória de Deus. Assemelhava-se seu esplendor a uma pedra muito preciosa, tal como o jaspe cristalino.
 
 Deus será o Deus deste povo e o povo será o filho de Deus. No v.9 vemos que o mundo novo é simbolizado pela noiva: enfeitada, virgem e bela. Jesus é o esposo e a Igreja, a esposa. Este é o corpo místico descrito de forma tão excepcional.

12. Tinha grande e alta muralha com doze portas, guardadas por doze anjos. Nas portas estavam gravados os nomes das doze tribos dos filhos de Israel. 13. Ao oriente havia três portas, ao setentrião três portas, ao sul três portas e ao ocidente três portas.14. A muralha da cidade tinha doze fundamentos com os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.15. Quem falava comigo trazia uma vara de ouro como medida para medir a cidade, as suas portas e a sua muralha.16. A cidade formava um quadrado: o comprimento igualava à largura. Mediu a cidade com a vara: doze mil estádios. O comprimento, a largura e a altura eram iguais.17. E mediu a muralha: cento e quarenta e quatro côvados, segundo a medida humana empregada pelo anjo.
 
 Com os inimigos vencidos, a fraternidade universal será realizada, simbolizada pelo número doze. São doze portas, ou seja, todos poderão entrar nesta fraternidade dos filhos de Deus (v.12). As doze tribos simbolizam que todos os povos são chamados à salvação e os doze anjos mostram que a nova cidade está inteiramente protegida. Nos v.13-14 observamos que tal fraternidade será construída por Jesus sobre o fundamento dos doze apóstolos. Toda esta medição explicada nos v.16-17 significa que a nova fraternidade alcançará o nível ideal, infinito, junto de Deus: 12 mil significa número ideal (12) vezes o número que simboliza o infinito (mil). A Jerusalém Celeste terá a forma do quadrado e do cubo, que são, biblicamente falando, símbolos da perfeição.

18. O material da muralha era jaspe, e a cidade ouro puro, semelhante a puro cristal.
19. Os alicerces da muralha da cidade eram ornados de toda espécie de pedras preciosas: o primeiro era de jaspe, o segundo de safira, o terceiro de calcedônia, o quarto de esmeralda,
20. o quinto de sardônica, o sexto de cornalina, o sétimo de crisólito, o oitavo de berilo, o nono de topázio, o décimo de crisóparo, o undécimo de jacinto e o duodécimo de ametista.
21. Cada uma das doze portas era feita de uma só pérola e a avenida da cidade era de ouro, transparente como cristal.

 
 Doze serão os tipos de pedras preciosas apresentadas, significando dizer que a nova fraternidade terá a plenitude da beleza, da pureza e da riqueza. Toda esta descrição sublinha que esta nova fraternidade será perfeita.
22. Não vi nela, porém, templo algum, porque o Senhor Deus Dominador é o seu templo, assim como o Cordeiro.23. A cidade não necessita de sol nem de lua para iluminar, porque a glória de Deus a ilumina, e a sua luz é o Cordeiro.24. As nações andarão à sua luz, e os reis da terra levar-lhe-ão a sua opulência.25. As suas portas não se fecharão diariamente, pois não haverá noite.
26. Levar-lhe-ão a opulência e a honra das nações.27. Nela não entrará nada de profano nem ninguém que pratique abominações e mentiras, mas unicamente aqueles cujos nomes estão inscritos no livro da vida do Cordeiro."
 Trata-se da plena união de todos os fiéis com Deus. Não há necessidade de um templo físico porque o encontro com Deus será vital e permanente, face a face. O próprio Deus é o templo para o homem. E em Deus não há trevas. Não será necessária a luz, não precisa-se mais procurar a Deus, pois Sua Glória e Sua Presença cobrirão todo o povo (22,5).

            João conclama todos os fiéis para que perseverem na fé. Que tenham coragem! Todos aqueles que forem fiéis receberão tal recompensa descrita neste capítulo. Aliás, a aliança entre o Esposo e sua Igreja está fundamentada na fidelidade e no amor.

27. Tudo é verdade! (Ap 22,1-21)

"1. Mostrou-me então o anjo um rio de água viva resplandecente como cristal de rocha, saindo do trono de Deus e do Cordeiro.
2. No meio da avenida e às duas margens do rio, achava-se uma árvore da vida, que produz doze frutos, dando cada mês um fruto, servindo as folhas da árvore para curar as nações.
3. Não haverá aí nada de execrável, mas nela estará o trono de Deus e do Cordeiro. Seus servos lhe prestarão um culto.
4. Verão a sua face e o seu nome estará nas suas frontes.
5. Já não haverá noite, nem se precisará da luz de lâmpada ou do sol, porque o Senhor Deus a iluminará, e hão de reinar pelos séculos dos séculos.
6. Ele me disse: Estas palavras são fiéis e verdadeiras, e o Senhor Deus dos espíritos dos profetas enviou o seu anjo para mostrar aos seus servos o que deve acontecer em breve.
7. Eis que venho em breve! Felizes aqueles que põem em prática as palavras da profecia deste livro.
8. Fui eu, João, que vi e ouvi estas coisas. Depois de as ter ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo que as mostrava.
9. Mas ele me disse: Não faças isto! Sou um servo como tu e teus irmãos, os profetas, e aqueles que guardam as palavras deste livro. Prostra-te diante de Deus.
10. Disse ele ainda: Não seles o texto profético deste livro, porque o momento está próximo.
11. O injusto faça ainda injustiças, o impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo santifique-se ainda mais.
12. Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras.
13. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim.
14. Felizes aqueles que lavam as suas vestes para ter direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas.
15. Fora os cães, os envenenadores, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos aqueles que amam e praticam a mentira!
16. Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos atestar estas coisas a respeito das igrejas. Eu sou a raiz e o descendente de Davi, a estrela radiosa da manhã.
17. O Espírito e a Esposa dizem: Vem! Possa aquele que ouve dizer também: Vem! Aquele que tem sede, venha! E que o homem de boa vontade receba, gratuitamente, da água da vida!
18. Eu declaro a todos aqueles que ouvirem as palavras da profecia deste livro: se alguém lhes ajuntar alguma coisa, Deus ajuntará sobre ele as pragas descritas neste livro;
19. e se alguém dele tirar qualquer coisa, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa, descritas neste livro.
20. Aquele que atesta estas coisas diz: Sim! Eu venho depressa! Amém. Vem, Senhor Jesus!
21. A graça do Senhor Jesus esteja com todos."

            Neste último capítulo, João afirma que tudo é verdadeiro e foi revelado pelo próprio Jesus Cristo. Nos v.8-9 João e o Anjo confirmam as palavras de Cristo. O anjo não deve ser adorado, mas somente Deus.  Nos v.12-13 Cristo lembra que sua vinda está próxima e que trata-se da síntese da salvação.

            Na Eucaristia experimentamos o encontro com Deus. Porém, o encontro pleno acontecerá na consumação dos tempos. Por isso a Igreja espera e suplica.

          Devemos fazer a nossa parte e não individualmente.  Pessoalmente é necessária a conversão radical do homem e comunitariamente é preciso participar da Igreja, SER Igreja.

           O livro do Apocalipse nos mostra que Deus se revela na história e precisamos percebê-lo e profetizar através de nosso próprio testemunho. O cristão deve ter esperança e não ser uma pessoa apática e desiludida.  O testemunho deve enfrentar as críticas, as contestações e os perigos. Precisamos que este - testemunho - dê frutos abundantemente (v.2). No v.20 temos a expressão Maranatha (Vem, Senhor!) que deve um de nossos lemas principais: aspirar ir ao encontro definitivo com o Senhor.

28. Conclusão

           Apocalipse é um livro que nos encoraja a lutar por Cristo. Enquanto aprendemos a amar Jesus nos Evangelhos, no último livro das Sagradas Escrituras aprendemos a ter mais esperança neste mesmo Jesus, o Filho de Deus, o Salvador de nossas vidas.

           Temos uma exata noção do que são as injustiças, os sistemas corruptos das sociedades humanas e todas as mazelas que concretizam as bestas apocalípticas. O mal está aí, vivo em nosso mundo; contudo, Jesus também está, em cada cristão, em cada alma eucarística. Devemos erguer nossas cabeças e vencer as tentações do mal. Devemos erguer nossas cabeças e praticar o amor pleno que Cristo nos ensinou, através de sua própria morte na cruz.

            Devemos evangelizar através de nossas palavras e testemunhá-las, através de nossos atos. Para todos os que são realmente fiéis, a vitória é certa; é só uma questão de tempo.

              Vem, Senhor Jesus! Salva-nos! Ilumina-nos!



Fonte de Pesquisa: O Apocalipse - Explicação e Atualização, Mauro Strabeli, Ave Maria Edições.