São Pedro Canísio - Por Luciano Bandeira

O padre não é um homem, é o sacrifício de um homem. Em mais uma época difícil para a Igreja, em função do crescimento do protestantismo, a Divina Providência trás ao mundo São Pedro Canísio. Este sacerdote sacrificou toda a sua vida pregando e ensinando a doutrina católica.

            Natural de Nimega, na Holanda, onde nasceu em 8 de maio de 1521,  filho de Jacob Canísio, burgomestre local, e Egídia van Houweningen, Pedro perdeu a mãe aos dois anos de idade. Na idade escolar, foi enviado para Colônia para o estudo de artes, direito civil e teologia. Aos 19 anos recebeu o grau de doutor em direito civil, e foi para Louvain estudar direito canônico. Mais tarde, viria a ser também doutor em teologia e doutor da Igreja.

            Fez os exercícios espirituais com o Beato Pedro Fabro — o primeiro discípulo de Santo Inácio de Loyola — e decidiu dedicar sua vida à evangelização como membro da Companhia de Jesus.

            Foi ficando cada vez mais conhecido em função da notável inteligência de seus sermões. O Cardeal Othon Truchess, Bispo de Augsburgo, admirado com o conhecimento e virtude de Canísio pensou em convidá-lo para o Concílio de Trento. Antes de fazer o convite, consultou Santo Inácio de Loyola que prontamente disse que a escolha não poderia ter sido melhor. Suspensas as sessões do Concílio, Santo Inácio de Loyola chamou a Roma Pedro Canísio. Os dois santos tinham necessidade de se conhecerem pessoalmente. Todo encontro de Santos neste mundo é sempre um céu na terra! Permaneceu durante cinco meses na Casa-Mãe dos Jesuítas em Roma. Depois disso Santo Inácio o enviou para ensinar retórica no colégio de Messina. Em função do crescimento dos protestantes Santo Inácio de Loyola sentiu a necessidade de preparar homens para o combate da fé. Esses homens superaram rapidamente os hereges.

            Em 1552, Santo Inácio o enviou ao novo colégio da Companhia, em Viena. Na Áustria, perigava a fé. Não só o clero secular e as ordens religiosas, como também as escolas, estavam impregnadas pelo pensamento de Lutero. Havia cidades sem pastor, os sacramentos estavam abandonados, não se celebravam mais cerimônias religiosas. Nessa triste situação, Canísio  multiplicou-se por si mesmo, pregando na corte, ao povo e às crianças. Durante a peste que assolou o país, pregou a reconversão a Deus e assistiu heroicamente os empestados e os moribundos.

            O Imperador germânico Ferdinando havia pedido a Santo Inácio um apanhado curto e sólido da doutrina católica, capaz de refutar inúmeros panfletos protestantes contra a Fé. Canísio foi incumbido dessa tarefa, surgindo assim a “Suma da doutrina Cristã”. Ferdinando divulgou e distribuiu tal súmula por todo seu Império, e Felipe II, da Espanha, a fez imprimir e distribuir em seus Estados do novo e velho continentes.

            Dessa súmula diz o bem-aventurado Papa Pio IX, no breve de beatificação de Pedro Canísio: “Tendo notado que a heresia se propagava por toda parte por meio de pequenos livros, Canísio pensou que não havia melhor remédio contra o mal do que um bom resumo da doutrina cristã. Ele compôs então o seu, mas com tanta exatidão, clareza e precisão, que não existe outro tão próprio para instruir e confirmar os povos na Fé católica”.

            São Pedro Canísio tinha uma especial qualidade para resumir os ensinos dos grandes teólogos e os apresentar de maneira simples para que o povo pudesse entender. Redigiu dois Catecismos, um mais simples para uso de principiantes, e outro um pouco maior e mais detalhado. Ambos usavam o método de perguntas e respostas. O primeiro com 59 perguntas e o segundo com 122. A seguir separei apenas duas perguntas e respostas que demonstram a riqueza deste homem sábio e pedagogo.

Pergunta 1: O que é um Cristão ? – Aquele que confessa a doutrina de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, na sua igreja.

Pergunta 2: Para que se deve seguir a doutrina Cristã ? – Para que o cristão conheça e observe tudo o que se refere à sabedoria e a justiça.

            Naquela época era comum haver amplos debates entre Católicos e protestantes. Por escolha dos príncipes católicos e ordem do Papa, tomou parte nas discussões religiosas com os luteranos, refutando Melânckton, discípulo predileto de Lutero. Antes de participar do debate com Melânckton, e outros protestantes, escreveu ao Papa dizendo que esses tipos de discussões em assembleias eram inúteis. Observou previamente que, como ninguém quer ficar por baixo, a paz das consciências e a busca da verdade são trocadas por discordâncias tenazes e rancores amargos. Mesmo contra a sua vontade, mas por humildade e obediência ao Papa, aceitou participar. Os debates começam em 11 de Setembro de 1557. Canísio, logo de início, fez apenas uma “pergunta-armadilha” para Melânckton que lançou confusão total entre os protestantes, que começaram a discutir entre si, até provocar o fim da assembleia. A pergunta foi: condenais os erros de Calvino, Zuínglio e Ilírico? (Os nomes citados por Canísio na pergunta são de outros grandes líderes protestantes daquela época). Como tinha dito para o Papa as discussões eram inúteis, porém, com brilhante inteligência, ganhou o debate com apenas uma pergunta. Como não queria discutir, jogou a discussão para os protestantes. Sabia que o consenso e a unidade seriam impossíveis entre eles. Ganhou, pois a fé católica é una!  Como nos lembra G.K. Chesterton: “A Igreja Católica é a única que já está preparada contra qualquer tipo de erro ou heresia, já que sua doutrina é imutável quanto o próprio Deus.

            Nos trinta anos de seu incansável trabalho de missionário, percorreu trinta mil quilômetros pela Alemanha, Áustria, Holanda e Itália. Parecia incansável, e a quem lhe recomendava descansar um pouco respondia: "Descansaremos no céu!".

            Por muitas cidades da Alemanha foi fundando colégios católicos para formar religiosamente os alunos. Além disso, ajudou a fundar numerosos seminários para a formação dos futuros sacerdotes. A Alemanha, depois de São Pedro Canísio era mais católica. Ele se deu conta do imenso bem que fazem as boas leituras, e assim, propôs-se a formar uma associação de escritores católicos. Ele foi o primeiro de uma infinidade de espetaculares escritores jesuítas.

            Estando em Friburgo (Suíça) em 21 de dezembro de 1597, depois de ter rezado o santo Rosário, exclamou cheio de alegria e emoção: "Olhem-na, aí esta. Aí está". E morreu. A Virgem Santíssima tinha vindo para levar-lhe ao céu.

O Sumo Pontífice Pio XI, depois de canonizá-lo, declarou-o Doutor da Igreja, em 1925.

            São Pedro Canísio, interceda por nós para que possamos sempre estar prontos a defender a nossa fé em Cristo, ensinada de maneira perfeita na Sua Igreja.