A DEVOÇÃO À DIVINA MISERICÓRDIA E O DIÁRIO DE SANTA FAUSTINA

Procure a misericórdia, não a justiça de Deus. Não há escapatória da sua auto-imposta prisão do pecado.

1) A Irmã Faustina Kowalska 

A Irmã Faustina Kowalska, conhecida em todo o mundo como apóstola da Misericórdia de Deus, é considerada pelos teólogos como fazendo parte de um grupo de notáveis místicos da Igreja.

Nasceu como terceira de dez filhos numa pobre, mas piedosa família de aldeões, em Glogowiec. No Batismo, na Igreja paroquial de Swinice Warckie, recebeu o nome de Helena. Desde a infância distinguiu-se pela piedade, pelo amor à oração, pela diligência e obediência, e ainda por uma grande sensibilidade às misérias humanas. Freqüentando a escola, não chegou a acabar a terceira série; como jovem de dezesseis anos, deixou a casa familiar para ir trabalhar como empregada doméstica em Aleksandrów e Lodz, a fim de angariar meios de subsistência própria e de ajudar os pais.

O chamamento da vocação faz-se sentir desde os sete anos de idade (dois anos antes da Primeira Comunhão), embora os pais não concordassem com a idéia da entrada da filha para um convento. Nesta situação, Helena procurava encobrir este divino chamamento, mas, interpelada pela visão de Cristo sofredor e pelas Suas palavras de repreensão: “Até quando hei de te paciência contigo e até quando tu Me desiludirás?” (D.9) — tomou a decisão de entrar num Convento. Ia batendo a muitas portas de casas religiosas, todavia em nenhuma sendo admitida. Enfim, no dia 1° de agosto de 1925, transpôs o limiar da clausura no Convento da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia, na rua Zytnia, em Varsóvia. No seu Diário confessou: “Sentia-me imensamente feliz, parecia que havia entrado na vida do paraíso. O meu coração só era capaz de uma continua oração de ação de graças.” (D.17)

Entretanto, após algumas semanas sentiu uma forte tentação de mudar de Congregação, para onde houvesse mais tempo dedicado à oração. Nessa altura, Nosso senhor, mostrando-lhe a Sua Face dolorosa e chagada, disse… “Tu Me infligirás tamanha dor, se saíres desta Congregação! Chamei-te para este e não para outro lugar e preparei muitas graças para ti.” (D.19)

Na Congregação recebeu o nome de Irmã Maria Faustina. O noviciado realizou-se em Cracóvia e foi lá que, diante do Sr. Bispo Estanislau Rospond fez, tanto os primeiros votos religiosos como, passados cinco anos, os votos perpétuos: de castidade, de pobreza e de obediência. Trabalhava nas diversas Casas da Congregação, porém esteve mais tempo em Cracóvia, Plock e Vilna, exercendo funções de cozinheira, jardineira e até de porteira.

No exterior nada deixava transparecer a sua muito rica mística. Cumpria assiduamente as suas funções, guardando com zelo a regra religiosa, era recolhida e silenciosa, embora ao mesmo tempo natural, serena e cheia de amor benevolente e desinteressado para com o próximo.

Toda a sua vida se concentrava numa efetiva aspiração a uma união cada vez mais plena com Deus e à colaboração com Jesus na obra da salvação das almas. “Ó meu Jesus, — confessou no Diário — Vós sabeis que desde os meus mais tenros anos eu desejava tornar-me uma grande santa, isto é, desejava amar-Vos com um amor tão grande com que até então nenhuma alma Vos tinha amado.” (D.1372)

A profundidade da sua vida espiritual revela-se no Diário. A leitura atenta dos seus apontamentos dá uma imagem do alto grau de união da sua alma com Deus: a grande comunicação d’Ele no seu íntimo e os seus esforços e luta no caminho para a perfeição cristã. Nosso Senhor concedeu-lhe grandes graças: o dom da contemplação, o profundo conhecimento do mistério da Misericórdia de Deus, as visões, as aspirações, os estigmas escondidos, o dom da profecia, de discernimento, e também o dom só raramente concedido dos noivados místicos. Extraordinariamente dotada escreveu: “nem graças, nem aparições, nem êxtases, ou qualquer outro dom que lhe seja concedido torna a alma perfeita, mas sim a união íntima com Deus. (…) A minha santidade e perfeição consistem na união estreita da minha vontade com a vontade de Deus.” (D.1107)

O austero regime de vida e os inúmeros jejuns que ela própria se impôs, ainda antes da entrada para a Congregação, de tal maneira enfraqueceram o seu organismo que, já no tempo de postulante, foi necessário mandá-la para a Casa de Skolimov, perto de Varsóvia, a fim de melhorar a sua saúde. Depois do primeiro ano de noviciado vieram as dolorosas experiências místicas da assim chamada “noite escura” e, a seguir, os sofrimentos espirituais e morais ligados com a realização da missão que lhe era confiada por Nosso Senhor. A Irmã Faustina ofereceu a sua vida pelos pecadores e a este título passava por diversos sofrimentos socorrendo assim as almas. Nos últimos anos de vida aumentaram os tormentos interiores da dita noite passiva do espírito e os padecimentos do organismo: desenvolve-se uma tuberculose que lhe atacou os pulmões e os intestinos. Por causa disto esteve por duas vezes, e durante alguns meses, internada no hospital de Pradnik, em Cracóvia.

Fisicamente esgotada até ao limite, embora em pleno amadurecida no seu espírito, misticamente unida a Deus, acabou por falecer em fama de santidade a 5 de outubro de 1938, contando apenas 33 anos de vida e 13 de profissão religiosa. O seu corpo foi depositado num jazigo do cemitério do Convento em Cracóvia-Lagiewniki e, durante o processo informativo da beatificação em 1966, transladado para a Capela.

Àquela simples religiosa, sem instrução, mas valorosa e de uma confiança sem limites em Deus, Jesus Cristo confiou a grande missão: a Mensagem da Misericórdia dirigida a todo mundo. “Hoje estou enviando-te — disse — a toda a humanidade com a Minha misericórdia. Não quero castigar a sofrida humanidade, mas desejo curá-la estreitando-a ao Meu misericordioso Coração.” (D.1588) “És a secretária da Minha misericórdia. Eu te escolhi para essa função nesta e na outra vida”. “(…) dar a conhecer às almas a grande misericórdia que tenho para com elas, e animá-las à confiança no abismo da Minha misericórdia.” (D.1567)

Irmã Faustina teve seus escritos proibidos por mais de 20 anos. Em 1978, a Santa Sé, após um exame minucioso de documentos originais aos quais não havia tido acesso antes, reverteu completamente a decisão de proibir a divulgação da imagem e da devoção à Divina Misericórdia. O Cardeal Karol Wojtyla, Papa João Paulo II, foi o maior responsável por essa reversão, como Arcebispo da diocese de Irmã Faustina em Cracóvia.

Irmã Faustina foi beatificada em 1994 e canonizada em 30 de abril de 2000, sendo agora Santa Maria Faustina do Santíssimo Sacramento.

2) A Missão da Irmã Faustina

A missão da Irmã Faustina, em poucas palavras, consiste na recordação de uma verdade de fé, desde os séculos conhecida, embora bastante esquecida: sobre o amor misericordioso de Deus para com o homem e a transmissão de novas formas do culto da Misericórdia Divina, cuja prática haverá de conduzir à renovação da vida cristã em espírito de confiança e misericórdia.

O Diário de Santa Faustina, escrito durante os últimos anos da sua vida por expressa ordem de Nosso Senhor, tem a forma de um memorial em que a Autora vai anotando, seqüencialmente e retrospectivamente, sobretudo os “toques” e contatos da sua alma com Deus. Para extrair dessas anotações aquilo que constitui o essencial da sua missão seria necessário uma abordagem científica, a qual foi realizada pelo conhecido teólogo Prof. Pe. Inácio Rózychi. A súmula desse trabalho encontra-se na conferência: “Misericórdia de Deus – Características essenciais da Devoção à Misericórdia Divina”. À luz desta investigação todas as demais anteriores publicações sobre a devoção à Misericórdia Divina, referentes à Irmã Faustina, apenas ficam contendo alguns elementos parcelares, por vezes detendo-se até em pormenores não centrais como, por exemplo, a Ladainha ou Novena. O Prof. Rózychi sublinha isto mesmo: “Antes de conhecermos as formas concretas da Devoção à Misericórdia de Deus, prestemos atenção ao fato de, entre elas, não haver Novenas ou Ladainhas privilegiadas.”

O critério de distinção de uma ou de outras orações, ou práticas religiosas, como as novas formas do culto da Misericórdia de Deus, estão determinadas e ligadas a promessas que Nosso Senhor declarou cumprir sob condição da confiança na bondade de Deus e da Misericórdia para com o próximo. O pe. Rózychi menciona cinco modos de devoção à Misericórdia divina.

a) A Imagem de Jesus Misericordioso

A Imagem de Jesus Misericordioso: O seu modelo foi mostrado em visão que a Irmã Faustina teve no dia 22 de fevereiro de 1931 na cela do Convento em Plock.

“À noite, quando me encontrava na minha cela — escreve no Diário — vi Nosso Senhor vestido de branco. Uma das mãos erguida para a benção, e a outra tocava-Lhe a túnica, sobre o peito. Da túnica entreaberta sobre o peito saíam dois grandes raios, um vermelho e o outro pálido. (…) Logo depois, Jesus me disse: Pinta uma Imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós.” “Quero que essa Imagem (…) seja benzida solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia. (D.49)”

O conteúdo desta Imagem está, pois, estreitamente ligado à Liturgia desse Domingo. A Igreja lê nesse dia o Evangelho segundo São João da aparição de Jesus Ressuscitado no Cenáculo e da Instituição do sacramento da reconciliação (Jo 20, 19-29). A Imagem representa então, Jesus Ressuscitado que traz aos homens a paz pela remissão dos pecados, pelo preço da Sua Paixão e Morte na Cruz. Os Raios do Sangue e da Água que brotam do Coração (invisível na Imagem), trespassado por uma lança, e as cicatrizes das Chagas da crucifixão relembram os acontecimentos da Sexta-Feira Santa (Jo 19, 17-18; 33-37). A Imagem de Jesus Misericordioso une, então, estes dois acontecimentos evangélicos que mais plenamente falam sobre o amor de Deus para com o homem.

Características desta Imagem de Cristo são os dois raios. Nosso Senhor, inquirido sobre o seu significado, esclareceu: “o raio pálido significa a Água que justifica as almas; o raio vermelho significa o Sangue que é a vida das almas (…) Feliz aquele que viver à sua sombra” (D.299). O Sacramento do Batismo e da Reconciliação purificam a alma e a Eucaristia alimenta-a mais abundantemente. Os dois raios significam os Sacramentos e todas as graças do Espírito Santo, cujo símbolo bíblico é a água e também a Nova Aliança de Deus com o homem feita no Sangue de Cristo.

A Imagem de Jesus Misericordioso é freqüentemente designada com Imagem da Misericórdia Divina, pois é o mistério pascal de Cristo que mais claramente se revelou o amor de Deus para com o homem. Esta Imagem não só apresenta a Misericórdia Divina, mas constitui também um sinal para relembrar o dever da confiança em Deus e de um ativo amor para com o próximo. Na legenda, segundo a vontade de Cristo, são colocadas as palavras: “Jesus, eu confio em Vós”. “Por meio desta Imagem — disse também Nosso senhor — concederei muitas graças às almas. Ela deve lembrar as exigências da Minha Misericórdia, porque mesmo a fé mais forte de nada serve sem as obras. (D.742)” A um culto da Imagem de tal modo compreendido, e que consiste na atitude cristã de confiança e misericórdia, Nosso Senhor ligou promessas especiais: de salvação eterna, de grandes progressos no caminho da perfeição cristã, da graça de uma morte feliz e ainda outros dons que os homens Lhe suplicam. “Por meio dessa Imagem concederei muitas graças às almas; que toda alma tenha, por isso, acesso a ela.” (D.570)

Os dois raios representam o Sangue e a Água. O raio pálido representa a Água, que justifica as almas; o raio vermelho representa o Sangue, que é a vida das almas. Ambos os raios saíram das entranhas de minha Misericórdia quando, na Cruz, o Meu Coração agonizante foi aberto pela lança... Estes raios defendem as almas da ira do meu Pai. Feliz aquele que viver sob a proteção deles, porque não será atingido pelo braço da Justiça de Deus.” (D. 299)

“À noite, quando eu estava em minha cela, percebi a presença do Senhor Jesus vestido de uma túnica branca. Uma mão estava levantada a fim de abençoar, a outra pousava na altura do peito. Da abertura da túnica no peito saíam dois grandes raios, um vermelho e outro pálido. Em silêncio eu olhei intensamente para o Senhor; minha alma estava tomada pelo espanto, mas também por grande alegria. Depois de um tempo, Jesus me disse: Pinta uma imagem de acordo com o que vês, com a inscrição, 'Jesus, eu confio em Vós’. Desejo que esta Imagem seja venerada, primeiramente, na vossa capela e, depois, no mundo inteiro. Prometo que a alma que venerar esta Imagem não perecerá. Prometo também, já aqui na Terra, a vitória sobre os inimigos e, especialmente, na hora da morte. Eu mesmo a defenderei como Minha própria Glória.”(D. 47-48)

“O Meu olhar, nesta imagem, é o mesmo que eu tinha na cruz.” (D.326)

“Ofereço aos homens um vaso, com o qual devem vir buscar graças na fonte da misericórdia. O vaso é a Imagem com a inscrição: “Jesus, eu confio em Vós” (D.327)

“Por meio dessa Imagem concederei muitas graças às almas; que toda alma tenha, por isso, acesso a ela” (D.570)

“Por meio desta Imagem concederei muitas graças às almas. Ela deve lembrar as exigências da Minha misericórdia, porque mesmo a fé mais forte de nada serve sem as obras.” (D. 742)

b) A Festa da Misericórdia

Ocupa um lugar privilegiado entre todas as formas da devoção à Misericórdia Divina reveladas à Irmã Faustina. Pela primeira vez Nosso Senhor falou sobre a instituição desta Festa em 1931, em Plock, quando exprimiu a Sua vontade de que fosse pintada a Imagem: “Eu desejo que haja a Festa da Misericórdia. Quero que essa Imagem, que pintarás com pincel, seja benta solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia. Desejo que os sacerdotes anunciem essa Minha grande misericórdia para com as almas pecadoras. Que o pecador não tenha medo de se aproximar de Mim. Queimam-Me as chamas da misericórdia; quero derramá-las sobras as almas. (...) A falta de confiança das almas dilacera-Me as entranhas. Apesar do Meu amor inesgotável, não acreditam em Mim, mesmo a Minha morte não lhes é suficiente. Ai da alma que deles abusar!” (D.49-50).

A escolha do primeiro domingo depois da Páscoa para a Festa da Misericórdia tem o seu profundo sentido teológico ao mostrar a estreita união que existe entre o mistério pascal da Redenção e o mistério da Misericórdia de Deus. Esta união ainda está sublinhada pela Novena, com o Terço da Misericórdia Divina, começando na Sexta-Feira Santa.

A Festa não se resume apenas àquele dia para, de modo especial, louvar a Deus no mistério da misericórdia, mas também constitui o tempo de graça para todos os homens. “Desejo que a festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores” (D.699). “As almas se perdem, apesar da Minha amarga Paixão. Estou lhes dando a última tábua de salvação, isto é, a Festa da Minha misericórdia. Se não venerarem a Minha misericórdia, perecerão por toda a eternidade” (D.965).

A grandeza dessa Festa só pode ser avaliada pelas extraordinárias promessas que Nosso Senhor a Ela atribui: “... alcançará perdão total das faltas e dos castigos aquele que, nesse dia, se aproximar da Fonte da Vida “(D.300). “Nesse dia, estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Minha Misericórdia.(...) Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate”. (D.699)

Para aproveitar destes grandes dons é preciso cumprir as condições da devoção à Misericórdia Divina: confiança na bondade de Deus, o amor ativo para com o próximo e encontrar-se em estado de graça santificante (após a confissão) dignamente recebendo a Sagrada Comunhão. “Nenhuma alma terá justificação – esclareceu Nosso Senhor – enquanto não se dirigir, com confiança, à Minha Misericórdia. (...) Nesse dia, os sacerdotes devem falar às almas desta Minha grande e insondável misericórdia.” (D.570)

Obs.:  Durante o transcurso das revelações de Jesus à Santa Faustina, Ele pediu em várias ocasiões que se dedicasse uma festa à Divina Misericórdia, celebrada no primeiro domingo após a Páscoa.

"Essa festa saiu do mais íntimo da Minha Misericórdia e está aprovada nas profundezas da Minha compaixão. Toda alma que crê e confia na Minha Misericórdia irá alcançá-la." (D. 420)

“Minha filha, olha para o abismo de Minha Misericórdia e dá a esta misericórdia louvor e glória. Faze-o da seguinte maneira: reúne todos os pecadores do mundo e mergulha-os no abismo da minha Misericórdia. Minha filha, quero entregar-Me às almas, desejo almas. Na minha festa, na festa da Misericórdia, percorrerás o mundo inteiro e trarás as almas que desfalecem à  fonte de Minha Misericórdia. Eu as curarei e fortalecerei” (D.206)

"Aquele que nesse dia se aproximar da Fonte da Vida, alcançará perdão total das culpas e penas." (D. 300)

"Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. Nesse dia, estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará perdão das culpas e das penas. Nesse dia, estão abertas todas as comportas divinas pelas quais fluem as graças.Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate. A Minha misericórdia é tão grande que, por toda a eternidade, nenhuma mente, nem humana, nem angélica, a aprofundará. Tudo o que existe saiu das entranhas da Minha misericórdia. A Festa da Misericórdia saiu das minhas entranhas. Desejo que seja celebrada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa. A humanidade não terá paz enquanto não se voltar à fonte da Minha misericórdia." (D. 699)

JESUS, EU CONFIO EM VÓS.
COLOCO SENHOR, TODA MINHA VIDA EM TUA MISERICÓRDIA.
FAZ DE MIM O QUE QUERES. AMÉM!

c) O Terço da Misericórdia Divina

Nosso Senhor ditou o Terço à Irmã Faustina em Vilna, em 13-14 de setembro de 1935, como oração de expiação e para aplacar a ira de Deus (conf. 474-476).

Os que rezam este Terço oferecem ao Eterno Pai o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade de Jesus Cristo em expiação pelos seus pecados, dos seus entes queridos e de todo o mundo e, unindo-se com o sacrifício de Jesus, recorrem àquele amor que o Pai Celestial, tem para com o Seu Filho e para com todos os homens em Jesus Cristo.

Nesta oração pedem também a misericórdia para nós e para o mundo e, deste modo, cumprem a obra da misericórdia. Acrescentando ainda a atitude de confiança e cumprindo as condições de cada boa oração  (a humildade, a perseverança e a intenção de acordo com a vontade de Deus), os fiéis podem esperar o cumprimento das promessas de Cristo que, de modo especial, dizem respeito à hora da morte: a graça da conversão e morte feliz. Receberão esta graça, não só as pessoas que rezam este Terço, mas também os agonizantes diante de quem outros rezem essa fórmula. “ Quando recitam esse terço junto a um agonizante – disse Jesus – aplaca-se a ira de Deus, a misericórdia insondável envolve a alma” (D.811). A promessa geral diz: “Pela recitação deste Terço agrada-Me dar tudo o que Me peçam (D.1541), se (...) estiver de acordo com a Minha vontade” (D.1731). Tudo, pois, o que não está de acordo com a vontade de Deus não é, de modo nenhum bom para o homem e especialmente no que toca à sua felicidade eterna. “(...)pela recitação desse Terço – disse em  outro lugar nosso Senhor – aproximas a humanidade de Mim” (D.929), “As almas que rezarem este Terço serão envolvidas pela Minha misericórdia, durante a sua vida, e de modo particular, na hora da morte” (D.754).

Deus está se derramando por nós. Fará tudo para nos salvar. Este é o Amor Verdadeiro. Dar a vida pelos seus filhos.

“Minha filha, exorta as almas a rezarem este terço que te dei.. Pela recitação desse Terço agrada-me dar tudo que Me pedem. Quando o recitarem os pecadores empedernidos, encherei suas almas de paz, e a hora da morte deles será feliz. Escreve isto para as almas atribuladas: Quando a alma vê e reconhece a gravidade dos seus pecados, quando se desvenda diante dos seus olhos todo o abismo da miséria em que mergulhou, que não desespere, mas se lance com confiança nos braços da minha Misericórdia, como uma criança nos braços da mãe querida. Estas almas têm sobre meu Coração misericordioso um direito de precedência. Dize que nenhuma alma que tenha recorrido a minha Misericórdia se decepcionou nem experimentou vexame (...) Quando rezarem este Terço junto aos agonizantes, Eu me colocarei entre o Pai e a alma agonizante, não como justo Juiz, mas como Salvador misericordioso. (D.1541)

 

c.1)  O terço da Misericórdia Divina Meditado

Vós morrestes, Jesus, mas uma fonte de vida jorrou para as almas e abriu-se um mar de misericórdia para o mundo. Ó fonte de vida, insondável misericórdia de Deus, envolvei o mundo todo e derramai-Vos sobre nós. (Diário no. 1319)

Repita 3 vezes:

Ó Sangue e Água que jorrastes do Coração de Jesus como fonte de misericórdia para nós, eu confio em Vós!

Reza-se um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Creio.

1º mistério: Oração e agonia de Nosso Senhor Jesus Cristo no Horto

Nesse momento, a minha mente foi estranhamente iluminada. Surgiu diante dos olhos da minha alma uma visão que era como a de Nosso Senhor no Jardim das Oliveiras. Primeiramente, os sofrimentos físicos e todas as circunstâncias que os agravavam; em seguida os sofrimentos espirituais em toda a sua extensão e ainda aqueles dos quais ninguém saberá. Essa visão englobava tudo: julgamentos injustos, difamações. O que escrevo é um resumo, mas esse conhecimento era tão claro que, o que mais tarde passei em nada era diferente daquilo que experimentei nesse momento. O meu nome devia ser "vítima". Quando terminou a visão, um suor frio me cobria a testa. (Diário no 135)

Fazei de mim, Jesus, um sacrifício agradável e puro ao olhar de Vosso Pai. Jesus, transformai-me a mim, miserável pecadora, em Vós, pois Vós tudo podeis, e entregai-me ao Vosso Eterno Pai. Desejo tornar-me uma hóstia de expiação diante de Vós... (Diário, no. 483)

Repita 10 vezes:

Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e do mundo inteiro.

Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.

2º mistério: Flagelação de Nosso Senhor Jesus Cristo

Quando cheguei para a adoração, logo me envolveu o recolhimento interior, e vi Nosso Senhor amarrado ao tronco e logo sobreveio a flagelação. Vi quatro homens que se revezavam a açoitar o Senhor com azorragues. O meu coração parava só de olhar para esses suplícios; então, o Senhor me disse estas palavras: "Sofro uma dor ainda maior do que a que estás vendo."

E Jesus deu-me a conhecer por quais pecados submeteu-se à flagelação: foram os pecados da impureza. Oh! por que terríveis sofrimentos morais passou Jesus quando se submeteu à flagelação! Então, Jesus me disse: "Olha e repara bem o gênero humano na presente condição."

E imediatamente, vi coisas horríveis: afastaram-se os algozes de Nosso Senhor e vieram flagelá-Lo outras pessoas que seguravam nas suas mãos os chicotes e castigaram sem piedade o Senhor. Eram sacerdotes, religiosos e religiosas e os mais altos dignitários da Igreja, o que muito me admirou. Havia leigos de diversas idades e classes; todos descarregavam sua maldade sobre o inocente Jesus. Ao ver isto, meu coração entrou numa espécie de agonia. E, quando o flagelavam os carrascos, Jesus se calava e olhava para o longe, mas quando o flagelavam essas almas que mencionei acima, Jesus cerrava os olhos e um gemido surdo, mas terrivelmente doloroso, escapava-Lhe do Coração. E o Senhor deu-me a conhecer, detalhadamente, a gravidade da maldade dessas almas ingratas: "Estás vendo, este é o sofrimento maior que a Minha Morte."

Então, calaram-se também os meus lábios e comecei a sentir em mim a agonia e senti que ninguém me consolaria nem arrancaria desse estado a não ser Aquele que me introduziu nele. Então, o Senhor me disse: "Estou vendo a dor sincera do teu coração, que trouxe enorme alívio ao Meu Coração. Olha e consola-te."(Diário no. 445)

Repita 10 vezes:

Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e do mundo inteiro.

Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.

3º mistério: A coroação de espinhos

Quando me concentro na Paixão do Senhor, freqüentemente vejo Nosso Senhor na adoração, da seguinte maneira: após a flagelação, os carrascos levaram-No e tiraram-Lhe as vestes, que já se tinham colado às feridas; ao tirarem Suas vestes renovaram-se Suas Chagas. Em seguida, cobriram o Senhor com um manto de púrpura, sujo e rasgado, jogando-o sobre as Chagas renovadas. Esse manto, apenas em alguns pontos, atingia os joelhos. Mandaram, então que o Senhor se sentasse num tronco; fizeram uma coroa de espinhos e a colocaram na Sua Santa Cabeça, pondo-Lhe ainda um caniço nas Suas mãos e zombando d'Ele. Inclinavam-se diante d'Ele como diante de um rei, cuspiam no Seu rosto, enquanto outros pegavam o caniço e batiam na cabeça, outros infligiam-lhe dores esbofeteando-O, ou cobrindo-Lhe o rosto, davam-Lhe murros. Jesus suportava tudo em silêncio. Quem compreenderá Sua dor? Jesus olhava para o chão, e eu senti o que então estava acontecendo no Dulcíssimo Coração de Jesus. Que toda alma reflita sobre o que Jesus sofreu nesse momento. Rivalizavam uns com os outros em insultos ao Senhor. Eu ficava refletindo: de onde vinha tanta maldade no homem? E no entanto, é o pecado que causa isso - encontrou-se o amor com o pecado. (Diário no. 408)

Repita 10 vezes:

Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e do mundo inteiro.

Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.

4º mistério: Jesus carrega a cruz para o Calvário

Jesus surgiu, de repente, diante de mim, despido de Suas vestes, coberto de chagas por todo o corpo, os olhos cheios de sangue e lágrimas, o rosto todo desfigurado, coberto de escarros. Então o Senhor me disse: "A esposa deve ser semelhante ao seu esposo."

Compreendi a fundo essas palavras. Aqui não havia lugar para qualquer tipo de dúvidas. A minha semelhança com Jesus deve ser pelo sofrimento e pela humildade. "Olha o que fez de Mim o amor pelas almas humanas. Minha filha, no teu coração encontro tudo que Me nega um tão grande número de almas. O teu coração é o Meu repouso; muitas vezes, guardo grandes graças para o final da oração."

Cristo sofredor, saio ao Vosso encontro; como esposa Vossa, tenho que ser semelhante a Vós. O Vosso manto de ultrajes deve cobrir também a mim. Ó Cristo, Vós sabeis como desejo ardentemente assemelhar-me a Vós. Fazei que participe de toda a Vossa Paixão, que toda a Vossa dor se entorne no meu coração. Confio que completareis isso em mim, da maneira que julgardes apropriada. (Diário no. 1418)

Repita 10 vezes:

Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e do mundo inteiro.

Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.

5º mistério: Jesus morre na cruz

Durante a Santa Missa, vi Jesus pregado à cruz (em) grandes tormentos. Um imperceptível gemido saía do Seu Coração; a seguir disse: "Tenho sede. Estou sedento pela salvação das almas. Ajuda-Me, Minha filha a salvar as almas. Une teus sofrimentos à Minha Paixão e oferece-os ao Pai Celestial pelos pecadores" (Diário no. 1932)

À noite, vi Nosso Senhor crucificado. Das mãos, dos pés e do lado corria o Preciosíssimo Sangue. A seguir, Jesus me disse: "Tudo isto é pela salvação das almas. Reflete, Minha filha, sobre o que tu estás fazendo pela salvação delas."

Respondi: "Jesus, quando olho para a Vossa Paixão, vejo que eu quase nada faço pela salvação das almas." E o Senhor me disse: "Fica sabendo, Minha filha, que o teu silencioso martírio de todos os dias, na total submissão à Minha vontade, leva muitas almas ao Céu. Quando te parecer que o sofrimento ultrapassa as tuas forças, olha para as Minhas Chagas, e te elevarás acima do desprezo e do juízo dos homens. A meditação sobre a Minha Paixão te ajudará a te elevares acima de tudo."

Compreendi muitas coisas que antes não era capaz de entender. (Diário no. 1184)

Repita 10 vezes:

Eterno Pai, eu Vos ofereço o Corpo e Sangue, Alma e Divindade de Vosso diletíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, em expiação dos nossos pecados e do mundo inteiro.

Pela Sua dolorosa Paixão, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro.

No final do terço:

Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro

Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro

Deus Santo, Deus Forte, Deus Imortal, tende piedade de nós e do mundo inteiro

Ó Deus eterno, em quem a misericórdia é insondável e o tesouro da compaixão é inesgotável, olhai propício para nós e multiplicai em nós a Vossa misericórdia, para que não desesperemos nos momentos difíceis, nem esmoreçamos, mas nos submetamos com grande confiança à Vossa santa vontade, que é Amor e a própria Misericórdia.

 

d) A Hora da Misericórdia

Em outubro de 1937, em Cracóvia, em circunstâncias não especificadas pela irmã Faustina, Nosso Senhor mandou venerar a Hora da Sua Morte: “todas as vezes que ouvires o bater do relógio, às três horas da tarde, deves mergulhar toda na Minha misericórdia, adorando-A e glorificando-A. Implora a onipotência dela em favor do Mundo inteiro e especialmente dos pobres pecadores, porque nesse momento a misericórdia foi largamente aberta para toda a alma” (D.1572).

Nosso Senhor também mencionou de uma maneira precisa os meios próprios de oração para esta forma de culto da Misericórdia Divina: “Minha filha — disse Nosso Senhor — procura rezar, nessa hora, a Via-sacra, na medida em que te permitirem os teus deveres, e se não puderes fazer a Via-sacra, entra, ao menos por um momento na capela e adora o Meu Coração, que está cheio de misericórdia no Santíssimo Sacramento. Se não puderes sequer ir à capela, recolhe-te em oração onde estiveres, ainda que seja por um breve momento (D.1572)”.

O Pe. Rozycki enumera as três condições para que a oração dirigida nessa hora seja escutada:

1) A prece deve ser dirigida a Jesus Cristo;

2) Deve ser feita às três horas da tarde;

3) Deve recorrer ao valor e méritos da Paixão do Senhor.

É preciso acrescentar a elas mais outras três condições:  

4)  da natureza de toda oração decorre que o objeto da oração deve ser compatível com a vontade divina; 

5)  a estrutura da Devoção exige que a oração seja confiante, e portanto perseverante, e em caso de necessidade repetida várias vezes; 

6) como todos os atos da Devoção, igualmente a Hora da Misericórdia exige da parte dos devotos a prática do amor ativo para como próximo.

“Nessa hora – prometeu Nosso Senhor – conseguirás tudo para ti e para os outros. Nessa hora, realizou-se a graça para todo o Mundo: a misericórdia venceu a justiça.” (D. 1572)

“ – Às três horas da tarde, implora à Minha misericórdia especialmente pelos pecadores e, ao menos por um breve tempo, reflete sobre a Minha Paixão, especialmente sobre o abandono em que Me encontrei no momento da agonia. Esta é a Hora de grande misericórdia para o Mundo inteiro. Permitirei que penetres na Minha tristeza mortal. Nessa hora nada negarei à alma que Me pedir pela Minha Paixão...” (D.1320)

e) A divulgação do culto da Misericórdia

Examinando as formas de devoção à Misericórdia Divina, o Pe. Rózycki enumera também esta: a divulgação do culto da misericórdia, pois a ela correspondem certas promessas de Cristo. “Às almas que divulgam o culto da Minha Misericórdia, Eu as defendo por toda a vida como uma tenra mãe defende seu filhinho e, na hora da morte, não serei Juiz para elas, mas sim o Salvador Misericordioso. Nessa última hora a alma nada tem para a sua defesa, além da Minha Misericórdia. Feliz a alma que, durante a vida, mergulhou na fonte da misericórdia, porque não será atingida pela justiça.” (D.1075)

O essencial do culto da Misericórdia de Deus é a atitude de confiança cristã para com Deus e o amor ativo para com o próximo. Nosso Senhor disse: “Desejo a confiança das Minhas criaturas” (D.1059)  e obras de misericórdia: ações, palavras e oração. “Deves mostrar-te misericordiosa com os outros, sempre e em qualquer lugar. Tu não podes te omitir, desculpar-te ou justificar-te”. (D.742). Jesus deseja que os Seus devotos cumpram em cada dia pelo menos um ato de amor para com o próximo.

A divulgação do culto da Misericórdia Divina não exige necessariamente muitas palavras, mas sempre uma atitude cristã de fé, de confiança em Deus, tornando-se cada vez mais misericordioso. O exemplo deste apostolado foi-nos dado pela Irmã Faustina durante toda a sua vida.

O culto da Misericórdia Divina conduz à renovação da vida religiosa na Igreja em espírito de confiança e de misericórdia cristã.

É neste contexto que se deve interpretar a ideia de “Nova Congregação” que encontramos nas páginas do diário. Este desejo de Cristo amadurecia gradualmente no pensamento da própria Irmã Faustina e passou por uma certa evolução: de uma Ordem estritamente contemplativa, até ao momento que formam também Congregações ativas (femininas e masculinas) e os Leigos. Esta vasta comunidade humana, que ultrapassa as nações, constitui uma família unida por Deus no mistério de Sua misericórdia, no desejo de refletir aquele divino atributo no coração e também na atividade de cada um e para Sua glória em todas as almas. Há assim uma grande comunidade que, de diversas maneiras, dependendo do seu estado e da sua vocação (sacerdotal, religiosa, laical) tem o ideal da confiança e da misericórdia e, com o seu testemunho e palavra, proclama o inconcebível mistério da misericórdia de Deus, implorando-A para o Mundo.

"Deus está exigindo que haja uma Congregação que proclame ao mundo a misericórdia de Deus e que a peça para o mundo" (Diário, 436).

"Desejo que haja uma tal Congregação" (Diário, 437).

"Hoje vi o convento dessa nova Congregação. Amplas e grandes instalações. Eu visitava cada peça sucessivamente. Via que em toda a parte a providência de Deus havia fornecido o que era necessário (...). Durante a Santa Missa veio-me a luz e uma profunda compreensão de toda essa obra, e não deixou em minha alma qualquer sombra de dúvida. O Senhor deu-me a conhecer Sua vontade como que em três matizes, mas é uma só coisa.
O primeiro: Que as almas separadas do mundo, arderão em sacrifício diante do Trono de Deus e pedirão misericórdia para o mundo inteiro... E pedirão a bênção para os sacerdotes e, por sua oração, prepararão o mundo para a última vinda de Cristo.Segundo: A oração unida com o ato de misericórdia. Especialmente defenderão do mal as almas das crianças. A oração e as obras de misericórdia encerram em si tudo que essas almas devem fazer; e na sua comunidade podem ser aceitas até as mais pobres, e, no mundo egoísta, procurarão despertar o amor, a misericórdia de Jesus.Terceiro: A oração e as obras de misericórdia não obrigatórias por voto, mas, pela realização, as pessoas possam participar de todos os méritos e privilégios da Comunidade. A este grupo podem pertencer todas as pessoas que vivem no mundo. O membro deste grupo deve praticar ao menos uma obra de misericórdia por dia, mas pode haver muitas, pois cada um, por mais pobre que seja. (...) existe uma tríplice forma de praticar a misericórdia: a palavra misericordiosa — pelo perdão e pelo consolo; em segundo lugar — onde não é possível pela palavra, oração — e isso também é misericórdia; em terceiro — obras de misericórdia. E, quando vier o último dia, seremos julgados segundo tais disposições e, de acordo com isso, receberemos a sentença eterna" (Diário, 1154-1158).

A missão da Irmã Faustina encontra a sua profunda justificação na Sagrada Escritura e, nos documentos da Igreja sendo notável o modo como está em concordância com a Encíclica de João Paulo II, Dives in Misericordia – “Deus rico em misericórdia.”

“Minha filha, olha para o abismo de Minha Misericórdia e dá a esta misericórdia louvor e glória. Faze-o da seguinte maneira: reúne todos os pecadores do mundo e mergulha-os no abismo da minha Misericórdia. Minha filha, quero entregar-Me às almas, desejo almas. Na minha festa, na festa da Misericórdia, percorrerás o mundo inteiro e trarás as almas que desfalecem à  fonte de Minha Misericórdia. Eu as curarei e fortalecerei” (D.206)

 

Sempre que quiseres proporcionar-Me alegria, fala ao mundo da Minha grande e insondável Misericórdia” (D. 164)

“No começo do retiro, Jesus me disse: Neste retiro Eu mesmo guiarei a tua alma; quero confirmar-te na paz e no amor. – E assim se passaram os primeiros dias. No quarto dia, começaram a atormentar-me dúvidas se por acaso não me encontrava numa falsa paz? Então ouvi estas palavras: Minha filha, imagina que és a soberana da Terra inteira e tens o poder de dispor de tudo de acordo com a tua vontade; tens toda a possibilidade de fazer o bem de acordo com a tua vontade; e então bate à tua porta uma criancinha, toda tremendo, com lágrimas nos olhos, mas com muita confiança na tua bondade, e pede um pedaço de pão para não morrer de fome. Como procederias com esta criança? Responde-Me, Minha filha. – E eu disse: “Jesus, eu lhe daria tudo que me pede e mil vezes mais.” E o Senhor me disse: Assim procedo com relação à tua alma. Neste retiro, não só te concedendo paz, mas também uma tal disposição da alma que, mesmo que quisesses inquietar-te, não o conseguirias. O Meu amor tomou conta da tua alma e quero que te confirmes nele. Aproxima o teu ouvido junto do Meu Coração, esquece tudo a mais e medita sobre a Minha inconcebível misericórdia. O Meu amor te dará a força e a coragem que te são necessárias nessas questões”.(D.229)


3) O Diário e a Igreja

No dia 17 de agosto de 2002, no Santuário da Divina Misericórdia em Cracóvia (Polônia), o papa JOÃO PAULO II  realiza o ato solene da entrega do destino do mundo à Divina Misericórdia.

Trechos da homilia do Papa pronunciada durante a Santa Missa:

 

"Ó Misericórdia divina insondável e inegotável,
Quem Vos poderá venerar e glorificar dignamente?
Atributo máximo de Deus Onipotente,
Sois a doce esperança para o homem pecador" (Diário, 951).

"Caros Irmãos e Irmãs!
Repito hoje essas simples e sinceras palavras de Santa Faustina, para juntamente com ela
e com vós todos glorificar o inconcebível e insondável mistério da Divina Misericórdia. Da mesma forma que ela, queremos confessar que não existe para o homem uma outra fonte de esperança que não seja a misericórdia de Deus. Queremos repetir com fé: Jesus, eu confio em Vós.Essa profissão, na qual se expressa a confiança no onipotente amor de Deus, é especialmente necessária em nossos tempos, nos quais o homem se sente desorientado em face das variadas manifestações do mal. É preciso que o apelo pela divina misericórdia brote do fundo dos corações humanos, repletos de sofrimento, de inquietação e de dúvida, que buscam uma fonte segura de esperança. (...)
Por isso hoje, neste Santuário, desejo, confiar solenemente o destino do mundo à Misericórdia Divina. Faço-o com o desejo ardente de que a mensagem do amor misericordioso de Deus, proclamado por intermédio de Irmã Faustina, chegue a todos os habitantes da terra e cumule
os seus corações de esperança. Esta mensagem se difunda deste lugar em toda a nossa Pátria e no mundo..."

ATO DE CONSAGRAÇÃO

Deus, Pai misericordioso
que revelaste o Teu amor
no Teu Filho Jesus Cristo
e o derramaste sobre nós
no Espírito Santo, Consolador
confiamos-te hoje o destino
do mundo e de cada homem.
Inclina-te sobre nós,
pecadores cura a nossa debilidade
vence o mal faz com
que todos os habitantes da terra
conheçam a tua misericórdia
para que em Ti,
Deus Uno e Trino encontrem
sempre a esperança.
Pai eterno pela dolorosa
Paixão e Ressurreição
do teu Filho tem misericórdia
de nós e do mundo inteiro. Amém!

Papa João Paulo II:

“Amo a Polônia de maneira especial e, se ela for obediente à Minha vontade,
Eu a elevarei em poder e santidade. Dela sairá a centelha que preparará o mundo para a Minha Vinda derradeira" (Diário, 1732).

4) O Testamento de Irmã Faustina

“Domingo da Pascoela. [Festa da Divina Misericórdia] Hoje novamente me ofereci em sacrifício ao Senhor, como holocausto pelos pecadores. Meu Jesus, se já está próximo o fim da minha vida, suplico-Vos humildemente, aceitai a minha morte em união Convosco como um holocausto que hoje Vos faço no pleno gozo das minhas faculdades mentais e com toda a consciência, com um tríplice objetivo:
Primeiro — para que a obra da Vossa misericórdia se difunda pelo mundo todo e para que a Festa da Misericórdia seja solenemente aprovada e comemorada.
Segundo — para que os pecadores recorram à Vossa misericórdia, experimentando
os inefáveis efeitos dessa misericórdia, especialmente as almas agonizantes.
Terceiro — para que toda a obra da Vossa misericórdia seja executada de acordo com os Vossos desejos e por certa pessoa, que dirige esta obra..." (D. 1680).

5) Obras de Misericórdia

a) Temporais

1ª. Dar de comer a quem tem fome.

2ª. Dar de beber a quem tem sede.

3ª. Vestir os nus.

4ª. Dar pousada aos peregrinos.

5ª. Assistir os enfermos.

6ª. Visitar os presos.

7ª. Cuidar dos que partem pela morte.

b) Espirituais

1ª. Dar bom conselho.

2ª. Ensinar os ignorantes.

3ª. Corrigir os que erram.

4ª. Consolar os tristes.

5ª. Perdoar as injúrias.

6ª. Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo.

7ª. Rogar a Deus por todos os necessitados, tanto vivos como já passados para além do véu da morte.

 

6) Anexadas indulgências aos atos de culto,  realizados em honra da Misericórdia Divina

"A tua misericórdia, ó Deus, não conhece limites e é infinito o tesouro da tua bondade... (Oração depois do Hino "Te Deum") e "Ó Deus, que revelas a tua onipotência sobretudo com a misericórdia e com o perdão..." (Oração do Domingo XXVI do Tempo Comum), canta humilde e fielmente a Santa Mãe Igreja.

 De fato, a imensa condescendência de Deus, tanto em relação ao gênero humano no seu conjunto como ao de cada homem individualmente, resplandece de maneira especial quando pelo próprio Deus onipotente são perdoados pecados e defeitos morais e os culpados são paternalmente readmitidos na sua amizade, que merecidamente perderam.

Os fiéis com profundo afeto da alma são por isto atraídos para comemorar os mistérios do perdão divino e para os celebrar plenamente, e compreendem de maneira clara a máxima conveniência, aliás o dever de que o Povo de Deus louve com fórmulas particulares de oração a Misericórdia Divina e, ao mesmo tempo, cumpra com sentimentos de gratidão as obras pedidas e tendo cumprido as devidas condições, obtenha vantagens espirituais derivadas do Tesouro da Igreja. "O mistério pascal é o ponto culminante desta revelação e atuação da misericórdia, que é capaz de justificar o homem, e de restabelecer a justiça como realização daquele desígnio salvífico que Deus, desde o princípio, tinha querido realizar no homem e, por meio do homem, no mundo" (Carta enc. Dives in misericordia, 7).

Na realidade, a Misericórdia Divina sabe perdoar até os pecados mais graves, mas, ao fazê-lo, estimula os fiéis a conceber uma dor sobrenatural, não meramente psicológica, dos próprios pecados, de forma que, sempre com a ajuda da graça divina, formulem um firme propósito de não voltar a pecar. Tais disposições da alma obtêm efetivamente o perdão dos pecados mortais quando o fiel recebe frutuosamente o sacramento da Penitência ou se arrepende dos mesmos mediante um ato de caridade e de sofrimento perfeitos, com o propósito de retomarem o mais depressa possível a prática do próprio sacramento da Penitência:  de fato, Nosso Senhor Jesus Cristo na parábola do filho pródigo ensina-nos que o pecador deve confessar a sua miséria a Deus dizendo:  "Pai, pequei contra o Céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho" (Lc 15, 18-19), admoestando que isto é obra de Deus:  "estava morto e reviveu; estava perdido e encontrou-se" (Ibid., 15, 32).

Por isso, com providencial sensibilidade pastoral, o Sumo Pontífice João Paulo II, a fim de infundir profundamente na alma dos fiéis estes preceitos e ensinamentos da fé cristã, movido pela suave consideração do Pai das Misericórdias, quis que o segundo Domingo de Páscoa fosse dedicado a recordar com especial devoção estes dons da graça, atribuindo a esse Domingo a denominação de "Domingo da Misericórdia Divina" (Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Decreto Misericors et miserator, 5 de Maio de 2000).

O Evangelho do segundo Domingo de Páscoa descreve as maravilhas realizadas por Cristo Senhor no próprio dia da Ressurreição na primeira aparição pública:  "Na tarde desse dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se achavam  juntos,  com  medo  dos  judeus,  veio  Jesus  pôr-Se no meio deles e disse-lhes:  "A paz seja convosco". Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Alegraram-se os discípulos, vendo o Senhor. E Ele disse-lhes de novo:  "A paz seja convosco. Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós". Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes:  "Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo 20, 19-23).

Para fazer com que os fiéis vivam com piedade intensa esta celebração, o mesmo Sumo Pontífice estabeleceu que o citado Domingo seja enriquecido com a Indulgência Plenária, como será indicado a seguir, para que os fiéis possam receber mais amplamente o dom do conforto do Espírito Santo e desta forma alimentar uma caridade crescente para com Deus e o próximo e, obtendo eles mesmos o perdão de Deus, sejam por sua vez induzidos a perdoar imediatamente aos irmãos.

Desta forma, os fiéis observaram mais perfeitamente o espírito do Evangelho, acolhendo em si a renovação ilustrada e introduzida pelo Concílio Ecumênico Vaticano II:  "Lembrados das palavras do Senhor:  "Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros (Jo 13, 35), os cristãos não podem formular desejo mais vivo do que servir os homens do seu tempo com uma generosidade cada vez maior e mais eficaz... A vontade do Pai é que reconheçamos e amemos efetivamente Cristo nosso Irmão, em todos os homens, com a palavra e as obras" (Const. past. Gaudium et spes, 93).

Por conseguinte, o Sumo Pontífice animado pelo fervoroso desejo de favorecer o mais possível no povo cristão estes sentimentos de piedade para com a Misericórdia Divina, devido aos riquíssimos frutos espirituais que disto se podem esperar, na Audiência concedida a 13 de Junho de 2002 aos abaixo assinados Responsáveis da Penitenciaria Apostólica, dignou-se conceder-nos Indulgências nos seguintes termos:

Concede-se a Indulgência plenária nas habituais condições (Confissão sacramental (*) , Comunhão eucarística e orações segundo a intenção do Sumo Pontífice) ao fiel que no segundo Domingo de Páscoa, ou seja, da "Misericórdia Divina", em qualquer igreja ou oratório, com o espírito desapegado completamente da afeição a qualquer pecado, também venial, participe nas práticas de piedade em honra da Divina Misericórdia, ou pelo menos recite, na presença do Santíssimo Sacramento da Eucaristia, publicamente exposto ou guardado no Tabernáculo, o Pai-Nosso e o Credo, juntamente com uma invocação piedosa ao Senhor Jesus Misericordioso (por ex., "Ó Jesus Misericordioso, confio em Vós").

Concede-se a Indulgência parcial ao fiel que, pelo menos com o coração contrito, eleve ao Senhor Jesus Misericordioso uma das invocações piedosas legitimamente aprovadas.

 

 

(*) “É conveniente, mas não é necessário que a Confissão sacramental, e em especial a sagrada Comunhão e a oração pelas intenções do Papa sejam feitas no mesmo dia em que se cumpre a obra indulgenciada, mas é suficiente que estes ritos sagrados e orações se cumpram dentro de alguns dias (cerca de 20), antes ou depois do ato indulgenciado”.   (Penitenciária Apostólica, em “O Dom da Indulgência” em 29 de Janeiro de 2000). – Portanto, não é necessário (se bem que seja conveniente e recomendado) confessar-se no próprio dia da Festa da Divina Misericórdia, mas estar em estado de graça nesse dia e “com o espírito desapegado completamente da afeição a qualquer pecado, também venial.”

Também aos homens do mar, que realizam o seu dever na grande extensão do mar; aos numerosos irmãos, que os desastres da guerra, as vicissitudes políticas, a inclemência dos lugares e outras causas do gênero, afastaram da pátria; aos enfermos e a quantos os assistem e a todos os que, por uma justa causa, não podem abandonar a casa ou desempenham uma atividade que não pode ser adiada em benefício da comunidade, poderão obter a Indulgência plenária no Domingo da Divina Misericórdia, se com total detestação de qualquer pecado,  como  foi  dito  acima,  e com  a  intenção  de  observar, logo que seja possível, as três habituais condições, recitem, diante de uma piedosa imagem de Nosso Senhor Jesus Misericordioso, o Pai-Nosso e o Credo, acrescentando uma invocação piedosa ao Senhor Jesus Misericordioso (por ex., "Ó Jesus Misericordioso, Confio em Vós").

Se nem sequer isto pode ser feito, naquele mesmo dia poderão obter a Indulgência plenária todos os que se unirem com a intenção de espírito aos que praticam de maneira ordinária a obra prescrita para a Indulgência e oferecem a Deus Misericordioso uma oração e juntamente com os sofrimentos das suas enfermidades e os incômodos da própria vida, tendo também eles o propósito de cumprir logo que seja possível as três condições prescritas para a aquisição da Indulgência plenária.

Os sacerdotes, que desempenham o ministério pastoral, sobretudo os párocos, informem da maneira mais conveniente os seus fiéis desta saudável disposição da Igreja, disponham-se com espírito imediato e generoso a ouvir as suas confissões, e no Domingo da Misericórdia Divina, depois da celebração da Santa Missa ou das Vésperas, ou durante uma prática piedosa em honra da Misericórdia Divina, guiem, com a dignidade própria do rito, a recitação das orações acima indicadas:  por fim, sendo "Bem-aventurados e misericordiosos, porque encontrarão misericórdia" (Mt 5, 7), ao ensinar a catequese estimulem docemente os fiéis a praticar todas as vezes que lhes for possível obras de caridade ou de misericórdia, seguindo o exemplo e o mandato de Jesus Cristo, como é indicado na segunda concessão geral do "Manual das Indulgências".

Este Decreto tem vigor perpétuo. Não obstante qualquer disposição contrária.

Roma, Sede da Penitenciária Apostólica, 29 de Junho de 2002, solenidade dos santos Apóstolos Pedro e Paulo.

D. Luigi de MAGISTRIS

 Pró-Penitenciário-Mor

Gianfranco GIROTTI, O.F.M.

Conv. Regente

Obs. do copista: Alterei a jaculatória: “Ó Jesus Misericordioso, confio em Ti” para “confio em Vós”.

 (o decreto consta do novo Manual das Indulgências: INDULGÊNCIAS, orientações litúrgico-pastorais pg.77)

7) Ladainha da Divina Misericórdia (D. 949)

Senhor, tende Piedade de nós!

Jesus Cristo, tende Piedade de nós!

Senhor, tende Piedade de nós!

Jesus Cristo, ouvi-nos!

Jesus Cristo, atendei-nos!

Deus Pai do Céu! Tende de Piedade de nós!

Deus Filho Redentor do mundo! Tende de Piedade de nós!

Deus Espírito Santo! Tende de Piedade de nós!

Santíssima Trindade, que sois um só Deus! Tende de Piedade de nós!

Misericórdia Divina, que brota no seio do Pai, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, atributo máximo de Deus, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, mistério insondável, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, fonte que brota no mistério da Santíssima Trindade, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que nenhuma mente, nem humana, nem angélica pode perscrutar, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, da qual provém toda a vida e felicidade, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, mais sublime do que os Céus, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, fonte de milagres e prodígios, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que envolve o universo todo, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que desce ao mundo na Pessoa do Verbo Encarnado, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que brotou da chaga aberta do Coração de Jesus, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, encerrada no Coração de Jesus para nós e sobretudo para os pecadores, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, imperscrutável na instituição da Eucaristia, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, na instituição da Santa Igreja, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, no Sacramento do Santo Batismo, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, na nossa justificação por Jesus Cristo, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que nos acompanha por toda a vida, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que nos envolve de modo particular na hora da morte, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que nos concede a vida imortal, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que nos acompanha em todos os momentos da vida, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que nos defende do fogo do inferno, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, na conversão dos pecadores endurecidos, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, enlevo para os Anjos, inefável para os Santos, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que nos eleva de toda miséria, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, fonte de nossa felicidade e alegria, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que do nada nos chama para a existência, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que abrange todas as obras das Suas mãos, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que coroa tudo que existe e que existirá, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, na qual todos somos imersos, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, doce consolo para os corações atormentados, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, única esperança dos desesperados, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, repouso dos corações, paz em meio ao terror, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, delícia e êxtase dos Santos, eu confio em Vós.

Misericórdia Divina, que desperta a confiança onde não há esperança, eu confio em Vós.

 

Oremos: Ó Deus Eterno, em quem a misericórdia é insondável e o tesouro da compaixão é inesgotável, olhai propício para nós e multiplicai em nós a Vossa misericórdia, para que não desesperemos nos momentos difíceis, nem esmoreçamos, mas nos submetamos com grande confiança à Vossa Santa Vontade, que é Amor e a própria Misericórdia. Amém. (Extraído do Diário da Ir. Faustina 949-950)

8) Novena da Divina Misericórdia

A grande Festa da Divina Misericórdia, vai acontecer no primeiro Domingo depois da Páscoa. Sabemos que o Diário de Santa Faustina tem quatorze passagens nas quais Nosso Senhor insiste que a “Festa da Divina Misericórdia” seja estabelecida pela Igreja. Este dia é o dia da graça para todas as pessoas, especialmente para os grandes pecadores.

“Essa Festa saiu do mais íntimo da Minha misericórdia e está aprovada nas profundezas da Minha compaixão” (Diário, 420).

Trazendo grande alegria para todas as pessoas, o Papa João Paulo II atendeu à ordem de Jesus. No dia 30 de Abril de 2000 Ele declarou que o Domingo depois da Páscoa deve ser celebrado através do mundo como “Domingo da Divina Misericórdia”.

Uma das preparações para a Festa da Divina Misericórdia consiste em rezar a Novena da Divina Misericórdia em cada um dos nove dias, começando na Sexta-Feira Santa até o sábado seguinte, na véspera da Festa da Divina Misericórdia. Esta novena que o próprio Jesus Cristo pediu à Santa Faustina, dizendo:

Desejo que, durante estes nove dias, conduzas as almas à fonte da Minha misericórdia, a fim de que recebam força, alívio e todas as graças de que necessitam nas dificuldades da vida e, especialmente na hora da morte. Cada dia conduzirás ao Meu Coração um grupo diferente de almas e as mergulharás nesse oceano da Minha misericórdia. Eu conduzirei todas essas almas à Casa de Meu Pai. Procederás assim nesta vida e na futura. Por Minha parte, nada negarei àquelas almas que tu conduzirás à fonte da Minha misericórdia. Cada dia pedirás a Meu Pai, pela Minha amarga Paixão, graças para essas almas.”

Eu (Santa Faustina) respondi: “Jesus, não sei como fazer essa novena e que almas conduzir em primeiro lugar ao Vosso compassivo Coração. E Jesus me respondeu que dirá, dia por dia, que almas devo conduzir ao Seu Coração” (Diário, 1209).

Nesta Novena, nós rezamos pelas intenções que Nosso Senhor Jesus Cristo indicou, rezando cada dia por um grupo de almas que Ele quer trazer ao Seu Coração. Esta Novena prepara nossa alma para a Festa da Divina Misericórdia.

A seguir estão as intenções que Nosso Senhor ditou para cada dia da Novena: Deve-se rezar um terço da misericórdia por cada dia, para cada grupo de almas, no fim destas orações.

Primeiro dia

Meditação: A cruz de Cristo, uma revelação radical da misericórdia

Hoje, traze-Me a Humanidade inteira, especialmente todos os pecadores, e mergulha-os no oceano da Minha misericórdia; com isso Me consolarás na amarga tristeza em que a perda das almas Me afunda (D.1210).

Misericordiosíssimo Jesus, de quem é próprio ter compaixão de nós e nos perdoar, não olheis os nossos pecados, mas a confiança que depositamos em Tua infinita bondade. Acolhe-nos na morada do Teu compassivo Coração e nunca mais nos deixes sair dEle. Nós Te pedimos pelo amor que Te une ao Pai e ao Espírito Santo.

 Ó Onipotência da misericórdia divina, Socorro para o homem pecador;
Tu és o oceano de misericórdia e de amor; E ajudas a quem Te pede humildemente.

 

Eterno Pai, olhai com misericórdia para toda humanidade encerrada no Coração compassivo de Jesus, mas especialmente para os pobres pecadores. Pela Sua dolorosa Paixão, mostrai-nos a Vossa misericórdia, para que glorifiquemos a onipotência da Vossa misericórdia, por toda a eternidade. Amém.

Segundo dia

Meditação: Cristo, Sumo Sacerdote

Hoje, traze-Me as almas dos sacerdotes e religiosos e mergulha-as na Minha insondável misericórdia. Elas Me deram força para suportar a amarga Paixão. Por elas, como por canais, desce sobre a Humanidade a Minha misericórdia (D.1212).

Misericordiosíssimo Jesus, de quem provém tudo que é bom, aumenta em nós a graça, para que pratiquemos dignas obras de misericórdia, a fim de que aqueles que olham para nós, glorifiquem o Pai da Misericórdia que está no Céu.

A fonte do amor divino Mora nos corações puros,
Banhados no mar da misericórdia,
Brilhantes como as estrelas, luminosos como a aurora.

Eterno Pai, olhai com o olhar da Vossa misericórdia para a porção eleita da Vossa vinha: as almas dos sacerdotes e religiosos. Concedei-lhes o poder da Vossa bênção e, pelos sentimentos do Coração de Vosso Filho, no qual estão encerradas, dai-lhes a força da Vossa luz, para que possam guiar os outros nos caminhos da salvação e, juntamente com eles, cantar a glória da Vossa insondável misericórdia, por toda a eternidade. Amém.

Terceiro dia

Meditação: Cristo, Rei vitorioso

Hoje, traze-Me todas as almas piedosas e fiéis e mergulha-as no oceano da Minha misericórdia, essas almas confortaram-Me na Via-sacra, foram aquela gota de consolações em meio ao mar de amarguras (D.1214).

Misericordiosíssimo Jesus, que concedes prodigamente a tods as graças do tesouro da Tua misericórdia, acolhe-nos na morada do Teu compassivo Coração e não nos deixes sair dele pelos séculos; suplicamos-Te pelo amor inconcebível de que está inflamado o Teu Coração para com o Pai Celestial.

As maravilhas da misericórdia são insondáveis; nem o pecador nem o justo as entenderá;
Para todos olhas com o olhar da compaixão e a todos atrais para o Teu Amor.

Eterno Pai, olhai com Misericórdia para as almas fiéis, como a herança do Vosso Filho. Pela Sua dolorosa Paixão concedei-lhes a vossa bênção e cercai-as da vossa incessante proteção, para que não percam o amor e o tesouro da santa fé, mas com toda a multidão dos Anjos e dos Santos glorifiquem a vossa imensa misericórdia, por toda a eternidade. Amém.

Quarto dia

Meditação: A Igreja é missionária

Hoje, traze-Me os pagãos e aqueles que ainda não Me conhecem e nos quais pensei na minha amarga Paixão. O seu futuro zelo consolou o meu Coração. Mergulha-os no mar da minha Misericórdia (D.1216).

Misericordiosíssimo Jesus, que sois a luz de todo o mundo, aceitai na mansão do vosso compassivo Coração as almas dos pagãos que ainda não Vos conhecem. Que os raios da Vossa graça os iluminem para que também eles, juntamente conosco, glorifiquem as maravilhas da Vossa Misericórdia; e não os deixeis sair da mansão do vosso compassivo Coração.

 

 

Que a luz do Teu amor Ilmunine as trevas das almas!
Faze que essas almas Te conheçam E glorifiquem a Tua misericórdia, juntamente conosco!

Eterno Pai, olhai com Misericórdia para as almas dos pagãos e daqueles que ainda não Vos conhecem e que estão encerrados no Coração compassivo de Jesus. Atraí-as à luz do Evangelho. Essas almas não sabem que grande felicidade é amar-Vos. Fazei com que também elas glorifiquem a riqueza da vossa Misericórdia, por toda a eternidade. Amém.

Quinto dia

Meditação: A unidade da Igreja

Hoje, traze-me as almas dos cristãos separados da unidade da Igreja e mergulha-as no mar da minha misericórdia; na amarga Paixão dilaceravam o Meu Corpo e o Meu Coração, isto é, a Minha Igreja. Quando voltam à unidade da Igreja, cicatrizam-se as Minhas Chagas, e dessa maneira eles aliviarão a Minha Paixão (D.1218).

Misericordiosíssimo Jesus, que sois a própria bondade, Vós não negais a luz àqueles que Vos pedem, aceitai na mansão do vosso compassivo Coração as almas dos nossos irmãos separados, e atraí-os pela Vossa luz à unidade da Igreja e não os deixeis sair da mansão do Vosso compassivo Coração, mas faze com que também eles glorifiquem a prodigalidade da Vossa Misericórdia.

Mesmo para aqueles que rasgaram o manto da Tua Unidade
Flui do Teu Coração uma fonte de compaixão;
A onipotência da Tua misericórdia, ó Deus,
Pode tirar também essas almas do erro.

Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas dos nossos irmãos separados que esbanjaram os Vossos bens e abusaram das Vossas graças, permanecendo teimosamente nos seus erros. Não olheis para os seus erros, mas para o amor do Vosso Filho e para a sua amarga Paixão, que suportou por eles, pois também eles estão encerrados no Coração compassivo de Jesus. Fazei com que também eles glorifiquem a Vossa misericórdia por toda a eternidade. Amém.

Sexto dia

Meditação: Jesus, eu confio em Vós

Hoje, traze-Me as almas mansas e humildes, assim como as almas das criancinhas, e mergulha-as na Minha misericórdia. Estas almas são as mais semelhantes ao Meu Coração. Elas Me confortaram na amarga Paixão da Minha agonia. Eu as vi quais anjos terrestres que futuramente iriam velar junto aos meus altares. Sobre elas derramo torrentes de graças. Só a alma humilde é capaz de aceitar a Minha graça; as almas humildes, favoreço com a Minha confiança.

Misericordiosíssimo Jesus, que dissestes: “Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração”, aceitai na mansão do Vosso compassivo Coração as almas mansas e humildes e as almas das criancinhas. Estas almas encantam o Céu todo e são a especial predileção do Pai Celestial, são como um ramalhete diante do trono de Deus, com cujo perfume o próprio Deus se deleita. Estas almas têm a mansão permanente no Coração compassivo de Jesus e cantam sem cessar um hino de amor e misericórdia pelos séculos.

A alma verdadeiramente humilde e mansa Já respira aqui na terra o ar do paraíso
E o perfume do seu coração Encanta o próprio Criador.

Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas mansas e humildes e para as almas das criancinhas, que estão encerradas na mansão compassiva do Coração de Jesus. Estas almas são as mais semelhantes a Vosso Filho; o perfume destas almas eleva-se da Terra e alcança o Vosso trono. Pai de Misericórdia e de toda bondade, suplico-Vos pelo amor e predileção que tendes para com estas almas, abençoai o mundo todo, para que todas as almas cantem juntamente a glória à Vossa misericórdia, por toda a eternidade. Amém.

Sétimo dia

Meditação: A Igreja proclama a misericórdia de Deus

Hoje, traze-Me as almas que veneram e glorificam de maneira especial a Minha misericórdia e mergulha-as na Minha misericórdia. Estas almas foram as que mais sofreram por causa da Minha Paixão e penetraram mais profundamente no Meu espírito. Elas são a imagem viva do Meu Coração compassivo. Estas almas brilharão com especial fulgor na vida futura. Nenhuma delas irá ao fogo do Inferno; defenderei cada uma delas de maneira especial na hora da morte (D. 1224).

Misericordiosíssimo Jesus, cujo Coração é o próprio amor, aceitai na mansão do vosso compassivo Coração as almas que honram a glorificam de maneira especial a grandeza da Vossa misericórdia. Estas almas tornadas poderosas pela força do próprio Deus, avançam entre penas e adversidades, confiando na Vossa misericórdia. Estas almas estão unidas com Jesus e carregam sobre os seus ombros a humanidade toda. Elas não serão julgadas severamente, mas a Vossa misericórdia as envolverá no momento da morte.

A alma que glorifica a bondade do Senhor É por Ele especialmente amada;
Ela está sempre próxima da fonte viva E bebe as graças da misericórdia divina.

Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas que glorificam e honram o vosso maior atributo, isto é, a Vossa insondável misericórdia. Elas estão encerradas no Coração compassivo de Jesus. Essas almas são o Evangelho vivo; suas mãos estão cheias de obras de misericórdia; suas almas repletas de alegria cantam um hino de misericórdia ao Altíssimo. Suplico-Vos, ó Deus, mostrai-lhes a Vossa misericórdia segundo a esperança e confiança que em Vós colocaram. Que se cumpra nelas a promessa de Jesus, que disse: As almas que veneram a Minha insondável misericórdia, Eu mesmo as defenderei durante a vida, especialmente na hora da morte, como Minha glória. Amém.

Oitavo dia

Meditação: O Purgatório

Hoje, traze-Me as almas que se encontram na prisão do Purgatório e mergulha-as no abismo da Minha misericórdia; que as torentes do Meu Sangue refresquem o seu ardor. Todas estas almas são muito amadas por Mim, pagam as dívidas à Minha Justiça. Está em teu alcance trazer-lhes alívio. Tira do tesouro da Minha Igreja todas as indulgências e oferece-as por elas. Oh, se conhecesses o seu tormento, incessantemente oferecerias por elas a esmolas do espírito e pagarias as suas dívidas à Minha Justiça (D.1226).

Misericordiosíssimo Jesus, que dissestes que quereis misericórdia, eis que estou trazendo à mansão do Vosso compassivo Coração as almas do Purgatório, almas que Vos são muito queridas e que no entanto devem dar reparação à Vossa Justiça; que as torrentes de Sangue e Água que brotaram do Vosso Coração apaguem as chamas do fogo do Purgatório, para que também ali seja glorificado o poder da Vossa misericórdia.

Do terrível ardor do fogo do purgatório Ergue-se um lamento (das almas) à Tua misericórdia
E recebem consolo, alívio e conforto Na torrente derramada do Sangue e da Água.

Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas que sofrem no Purgatório e que estão encerradas no Coração compassivo de Jesus. Suplico-Vos que, pela dolorosa Paixão de Jesus, vosso Filho, e por toda a amargura de que estava inundada a sua Alma santíssima, mostreis Vossa misericórdia às almas que se encontram sob o olhar da Vossa Justiça; não olheis para elas de outra forma senão através das Chagas de Jesus, vosso Filho muito amado, porque nós cremos que a vossa bondade e misericórdia são incomensuráveis. Amém.

Nono dia

Meditação: Ajuda às almas tíbias

Hoje, traze-Me as almas tíbias e mergulha-as no abismo da Minha misericórdia. Estas almas ferem mais dolorosamente o Meu Coração. Foi da alma tíbia que a Minha Alma sentiu repugnância no Jardim das Oliveiras. Elas levaram-Me a dizer: Pai afasta de Mim este cálice, se assim for a Vossa vontade. Para elas, a última tábua de salvação é recorrer a Minha misericórdia(D.1228).

Ó compassivo Jesus, Tu que és a própria Compaixão, trago à mansão do Vosso compassivo Coração as almas tíbias; que se aqueçam no fogo do Vosso amor puro estas almas geladas, que, semelhantes a cadáveres, Vos enchem de tanta repugnância. Ó Jesus, muito compassivo, usai a onipotência da Vossa misericórdia e atraí-as até ao fogo do Vosso amor e concedei-lhes o amor santo, porque Vós tudo podeis.

O fogo e o gelo não podem ser unidos, Porque ou o fogo se apaga, ou o gelo se derrete;
Mas a Tua misericórdia, ó Deus,
Pode auxiliar indigências ainda maiores.

Eterno Pai, olhai com Vossa misericórdia para as almas tíbias e que estão encerradas no Coração compassivo de Jesus. Pai de Misericórdia, suplico-Vos pela amargura da Paixão do Vosso Filho e por Sua agonia de três horas na Cruz, permiti que também elas glorifiquem o abismo da Vossa misericórdia. Amém.

9) Três maneiras de praticar as obras de misericórdia

Jesus nos indicou três maneiras de praticar as obras de misericórdia: a ação, a palavra e a oração. Santa Faustina fala sobre isso em seu diário: “Existe uma tríplice forma de praticar a misericórdia: a palavra misericordiosa – pelo perdão e pelo consolo; em segundo lugar, onde não é possível pela palavra, oração – e isso também é misericórdia; em terceiro, obras de misericórdia” (D. 1158).

As palavras de Jesus são misericordiosas, palavras que levam consolo e perdão. A oração é uma grande arma que Deus colocou nas nossas mãos. Podemos e devemos dobrar os joelhos para rezar pela paz no mundo, por exemplo. Não podemos ir ao Afeganistão para aliviar o sofrimento dos nossos irmãos atingidos pela violência da guerra, mas podemos rezar por eles. E rezando tocaremos o coração do nosso Deus que terá compaixão daquele povo, trazendo-lhes a paz. Todos são chamados á misericórdia. “Escrevo-o para muitas almas que às vezes se preocupam por não possuírem bens materiais, para com eles praticar a misericórdia. Tem um mérito muito maior a misericórdia do espírito, para a qual não é preciso ter autorização nem armazém e que é acessível a todos. Se a alma não praticar a misericórdia de um ou de outro modo, não alcançará a Minha misericórdia no dia do Juízo. Oh! Se as almas soubessem armazenar os tesouros eternos, não seriam julgadas, antecipado o Meu julgamento com obras de misericórdia” (D. 1317).

Como praticar a Misericórdia com o próximo

A devoção à Divina Misericórdia respira com dois pulmões: o primeiro é o da confiança, o segundo, o das Obras de Misericórdia. De fato, Jesus disse a Santa Faustina: “Se por teu intermédio peço aos homens o culto à Minha misericórdia, por tua vez deves ser a primeira a distinguir-te pela confiança na Minha misericórdia. Estou exigindo de ti atos de misericórdia, que devem decorrer do teu amor para Comigo. Deves mostrar-te misericordiosa com os outros, sempre e em qualquer lugar. Tu não pode te omitir, desculpar-te ou justificar-te. Eu te indico três maneiras de praticar a misericórdia para com o próximo: a primeira é a ação, a segunda, a palavra e a terceira, a oração. Nesses três graus repousa a plenitude da misericórdia, pois constituem uma prova irrefutável do amor por Mim. É desse modo que a alma glorifica e honra a Minha misericórdia” (D. 742).

10) O QUE O SANTO PADRE, O PAPA JOÃO PAULO II FALOU NO DIA 22 DE ABRIL SOBRE A MISERICÓRDIA DIVINA:

Celebramos o segundo Domingo de Páscoa, que desde o ano passado, ano do Grande Jubileu, também é chamado Domingo da Divina Misericórdia. É para mim uma grande alegria poder unir-me a todos vós, queridos peregrinos e devotos provenientes de várias nações para comemorar, à distância de um ano, a canonização da Irmã Faustina Kowalska, testemunha e mensageira do amor misericordioso do Senhor.

Domingo, 22 de abril de 2001

"Não temas! Eu sou o Primeiro e o Último. O que vive; conheci a morte, mas eis-Me aqui vivo pelos séculos dos séculos" (Ap 1, 17-18).

Ouvimos na segunda leitura, tirada do livro do Apocalipse, estas palavras confortadoras. Elas convidam-nos a dirigir o olhar para Cristo, para experimentar a sua presença tranquilizadora. A cada um, seja qual for a condição em que se encontre, até a mais complexa e dramática, o Ressuscitado responde: "Não temas!"; morri na cruz, mas agora "vivo pelos séculos dos séculos"; "Eu sou o Primeiro e o Último. O que vive".

"O Primeiro", isto é, a fonte de cada ser e a primícia da nova criação: "O Último", o fim definitivo da história; "O que vive", a fonte inexaurível da Vida que derrotou a morte para sempre. No Messias crucificado e ressuscitado reconhecemos os traços do Anjo imolado no Gólgota, que implora o perdão para os seus algozes e abre para os pecadores penitentes as portas do céu; entrevemos o rosto do Rei imortal que já tem "as chaves da Morte e do Inferno" (Ap 1, 18).

2. "Louvai o Senhor porque Ele é bom, porque é eterno o Seu amor" (Sl 117, 1). Façamos nossa a exclamação do Salmista, que cantamos no Salmo responsorial: porque é eterno o amor do Senhor! Para compreendermos profundamente a verdade destas palavras, deixemo-nos conduzir pela liturgia ao centro do acontecimento da salvação, que une a morte e a ressurreição de Cristo à nossa existência e à história do mundo. Este prodígio de misericórdia mudou radicalmente o destino da humanidade. É um prodígio em que se abre em plenitude o amor do Pai que, pela nossa redenção, não se poupa nem sequer perante o sacrifício do seu Filho unigênito. Em Cristo humilhado e sofredor, crentes e não-crentes podem admirar uma solidariedade surpreendente, que o une à nossa condição humana para além de qualquer medida imaginável. Também depois da ressurreição do Filho de Deus, a Cruz "fala e não cessa de falar de Deus Pai, que é absolutamente fiel ao seu eterno amor para com o homem... Crer neste amor significa acreditar na misericórdia" (Dives in misericórdia, 7). Desejamos dar graças ao Senhor pelo seu amor, que é mais forte do que a morte e do que o pecado. Ele revela-se e torna-se atuante como misericórdia na nossa existência quotidiana e convida todos os homens a serem, por sua vez, "misericordiosos" como o Crucificado. Não é porventura amar a Deus e amar o próximo e até os "inimigos", seguindo o exemplo de Jesus, o programa de vida de cada batizado e de toda a Igreja?

3. Com estes sentimentos, celebramos o segundo Domingo de Páscoa, que desde o ano passado, ano do Grande Jubileu, também é chamado "Domingo da Divina Misericórdia". É para mim uma grande alegria poder unir-me a todos vós, queridos peregrinos e devotos provenientes de várias nações para comemorar, à distância de um ano, a canonização da Irmã Faustina Kowalska, testemunha e mensageira do amor misericordioso do Senhor. A elevação às honras dos altares desta humilde Religiosa, filha da minha Terra, não significa um dom só para a Polônia, mas para a humanidade inteira. De fato, a mensagem da qual ela foi portadora constitui a resposta adequada e incisiva que Deus quis oferecer às interrogações e às expectativas dos homens deste nosso tempo, marcado por grandes tragédias. Jesus, um dia disse à Irmã Faustina: "A humanidade não encontrará paz, enquanto não tiver confiança na misericórdia divina" (Diário, pág. 132). A Misericórdia divina! Eis o dom pascal que a Igreja recebe de Cristo ressuscitado e oferece à humanidade no alvorecer do terceiro milênio.

4. O Evangelho, que há pouco foi proclamado, ajuda-nos a compreender plenamente o sentido e o valor deste dom. O evangelista João faz-nos partilhar a emoção sentida pelos Apóstolos no encontro com Cristo depois da sua ressurreição. A nossa atenção detém-se no gesto do Mestre, que transmite aos discípulos receosos e admirados a missão de serem ministros da Misericórdia divina. Ele mostra as mãos e o lado com os sinais da paixão e comunica-lhes: "Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós" (Jo 20, 21). Imediatamente a seguir, "soprou sobre eles e disse-lhes: recebei o Espírito Santo; àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados, àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo 20, 22-23). Jesus confia-lhes o dom de "perdoar os pecados", dom que brota das feridas das suas mãos, dos seus pés e sobretudo do seu lado trespassado. Dali sai uma vaga de misericórdia para toda a humanidade. Revivemos este momento com grande intensidade espiritual. Também hoje o Senhor nos mostra as suas chagas gloriosas e o seu coração, fonte ininterrupta de luz e de verdade, de amor e de perdão.

5. O Coração de Cristo! O seu "Sagrado Coração" deu tudo aos homens: a redenção, a salvação, a santificação. Deste Coração superabundante de ternura Santa Faustina Kowalska viu sair dois raios de luz que iluminavam o mundo. "Os dois raios segundo quanto o próprio Jesus lhe disse representam o sangue e a água" (Diário, pág. 132). O sangue recorda o sacrifício do Gólgota e o mistério da Eucaristia; a água, segundo o rico simbolismo do evangelista João, faz pensar no batismo e no dom do Espírito Santo (cf. Jo 3, 5; 4, 14). Através do mistério deste coração ferido, não cessa de se difundir também sobre os homens e as mulheres da nossa época o fluxo reparador do amor misericordioso de Deus. Quem aspira à felicidade autêntica e duradoura, unicamente nele pode encontrar o seu segredo.

6. "Jesus, confio em Ti". Esta oração, querida a tantos devotos, exprime muito bem a atitude com que também nós desejamos abandonar-nos confiantes nas tuas mãos, ó Senhor, nosso único Salvador.

Arde em Ti o desejo de seres amado, e quem se sintoniza com os sentimentos do teu coração aprende a ser construtor da nova civilização do amor. Um simples ato de abandono é o que basta para superar as barreiras da escuridão e da tristeza, da dúvida e do desespero. Os raios da tua divina misericórdia dão nova esperança, de maneira especial, a quem se sente esmagado pelo peso do pecado. Maria, Mãe da Misericórdia, faz com que conservemos sempre viva esta confiança no teu Filho, nosso Redentor. Ajuda-nos também tu, Santa Faustina, que hoje recordamos com particular afeto. Juntamente contigo queremos repetir, fixando o nosso olhar frágil no rosto do divino Salvador: "Jesus, confio em Ti". Hoje e sempre. Amém !!

 

11) CARTA ENCÍCLICA DIVES IN MISERICORDIA DO SUMO PONTÍFICE JOÃO PAULO II SOBRE A MISERICÓRDIA DIVINA

Veneráveis irmãos e caríssimos filhos e filhas: saúde e bênção apostólica

Encarnação da misericórdia

A mentalidade contemporânea, talvez mais do que a do homem do passado, parece opor-se ao Deus de misericórdia e, além disso, tende a separar da vida e a tirar do coração humano a própria ideia da misericórdia. A palavra e o conceito de misericórdia parecem causar mal-estar ao homem, o qual, graças ao enorme desenvolvimento da ciência e da técnica, nunca antes verificado na história, se tornou senhor da terra, a subjugou e a dominou . Tal domínio sobre a terra, entendido por vezes unilateral e superficialmente, parece não deixar espaço para a misericórdia. (...)

A verdade revelada por Cristo a respeito de Deus «Pai das misericórdias» , permite-nos «vê-LO» particularmente próximo do homem, sobretudo quando este sofre, quando é ameaçado no próprio coração da sua existência e da sua dignidade. Por este motivo, na atual situação da Igreja e do mundo, muitos homens e muitos ambientes, guiados por vivo sentido de fé, voltam-se quase espontaneamente, por assim dizer, para a misericórdia de Deus. São impelidos a fazê-lo certamente pelo próprio Cristo, o qual, mediante o seu Espírito, continua operante no íntimo dos corações humanos. O mistério de Deus «Pai das misericórdias» revelado por Cristo torna-se, no contexto das hodiernas ameaças contra o homem, como que um singular apelo dirigido à Igreja.(...)

Jesus revelou, sobretudo com o seu estilo de vida e com as suas ações, como está presente o amor no mundo em que vivemos, amor operante, amor que se dirige ao homem e abraça tudo quanto constitui a sua humanidade. Tal amor transparece especialmente no contacto com o sofrimento, injustiça e pobreza; no contacto com toda a «condição humana» histórica, que de vários modos manifesta as limitações e a fragilidade, tanto físicas como morais, do homem. Precisamente o modo e o âmbito em que se manifesta o amor são chamados na linguagem bíblica «misericórdia».(...)

O Senhor revelou a sua misericórdia tanto nas obras como nas palavras, desde os primórdios do povo que escolheu para si. No decurso da sua história, este povo, quer em momentos de desgraça, quer ao tomar consciência do próprio pecado, entregou-se continuamente com confiança ao Deus das misericórdias. Na misericórdia do Senhor para com os seus manifestam-se todos os matizes do amor: Ele é para eles Pai, dado que Israel é seu filho primogénito; Ele é também o esposo daquela a quem o Profeta anuncia um nome novo: «bem-amada» (ruhama), porque usará de misericórdia para com ela.

Mesmo quando o Senhor, exasperado pela infidelidade do seu povo, decide acabar com ele, são ainda a compaixão e o amor generoso para com os seus que O levam a suster a sua indignação. E então, torna-se fácil compreender a razão pela qual os Salmistas, ao quererem cantar ao Senhor os mais sublimes louvores, entoarão hinos ao Deus do amor, da compaixão, da misericórdia e da fidelidade .

De tudo isto se deduz que a misericórdia faz parte não somente da noção de Deus, mas caracteriza também a vida de todo o povo de Israel e de cada um dos seus filhos e filhas: é a essência da intimidade com o seu Senhor, a essência do seu diálogo com Ele.(...)

A parábola do filho pródigo persuade-nos que a realidade é diferente: a relação de misericórdia baseia-se na experiência daquele bem que é o homem, na experiência comum da dignidade que lhe é própria. Esta experiência comum faz com que o filho pródigo comece a ver-se a si próprio e às suas ações com toda a verdade (e esta visão da verdade é autêntica humildade). Por outro lado para o pai, precisamente por isso, torna-se o seu único bem. Graças a uma misteriosa comunicação da verdade e do amor, o pai vê com tal clareza o bem operado, que parece esquecer todo o mal que o filho tinha cometido.

A parábola do filho pródigo exprime, de maneira simples mas profunda, a realidade da conversão, que é a mais concreta expressão da obra do amor e da presença da misericórdia no mundo humano. O verdadeiro significado da misericórdia não consiste apenas no olhar, por mais penetrante e mais cheio de compaixão que seja, com que se encara o mal moral, físico ou material. A misericórdia manifesta-se com a sua fisionomia característica quando reavalia, promove e sabe tirar o bem de todas as formas de mal existentes no mundo e no homem. Entendida desta maneira, constitui o conteúdo fundamental da mensagem messiânica de Cristo e a força constitutiva da sua missão. Desta mesma maneira entendiam e praticavam a misericórdia os discípulos e seguidores de Cristo. A misericórdia nunca cessou de se manifestar nos seus corações e nas suas obras, como prova particularmente criadora do amor, que não se deixa «vencer pelo mal», mas vence «o mal com o bem». É preciso que o rosto genuíno da misericórdia seja sempre descoberto de maneira nova. Não obstante vários preconceitos, a misericórdia apresenta-se como particularmente necessária nos nossos tempos.(...)

A conversão a Deus consiste sempre na descoberta da sua misericórdia, isto é, do amor que é «paciente e benigno»  como o é o Criador e Pai; amor ao qual «Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo» é fiel até às últimas conseqüências na história da Aliança com o homem, até à cruz, à morte e à ressurreição do seu Filho. A conversão a Deus é sempre fruto do retorno para junto deste Pai, «rico em misericórdia».

O autêntico conhecimento do Deus da misericórdia, Deus do amor benigno, é a fonte constante e inexaurível de conversão, não somente como momentâneo ato interior, mas também como disposição permanente, como estado de espírito. Aqueles que assim chegam ao conhecimento de Deus, aqueles que assim O «vêem», não podem viver de outro modo que não seja convertendo-se a Ele continuamente. Passam a viver in statu conversionis, em estado de conversão; e é este estado que constitui a característica mais profunda da peregrinação de todo homem sobre a terra in statu viatoris, em estado de peregrino. (...)

A Igreja contemporânea está profundamente consciente de que só apoiada na misericórdia de Deus poderá realizar as tarefas que derivam da doutrina do Concílio Vaticano II; e em primeiro lugar, a tarefa ecumênica que tende a unir todos os que crêem em Cristo.

A Igreja procura pôr em prática a misericórdia

Jesus Cristo ensinou que o homem não só recebe e experimenta a misericórdia de Deus, mas é também chamado a «ter misericórdia» para com os demais. «Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia». A Igreja vê nestas palavras um apelo à acção e esforça-se por praticar a misericórdia. (...)

O mundo dos homens só poderá tornar-se «cada vez mais humano» quando introduzirmos em todas as relações recíprocas, que formam a sua fisionomia moral, o momento do perdão, tão essencial no Evangelho. O perdão atesta que no mundo está presente o amor mais forte que o pecado. O perdão, além disso, é a condição fundamental da reconciliação, não só nas relações de Deus com o homem, mas também nas relações recíprocas dos homens entre si. Um mundo do qual se eliminasse o perdão seria apenas um mundo de justiça fria e irrespeitosa, em nome da qual cada um reivindicaria os próprio direitos em relação aos demais. Deste modo, as várias espécies de egoísmo, latentes no homem, poderiam transformar a vida e a convivência humana num sistema de opressão dos mais fracos pelos mais fortes, ou até numa arena de luta permanente de uns contra os outros. (...)

A Igreja faz apelo à misericórdia divina

A Igreja proclama a verdade da misericórdia de Deus, revelada em Cristo crucificado e ressuscitado, e proclama-a de várias maneiras. Procura também praticar a misericórdia para com os homens por meio dos homens, como condição indispensável da sua solicitude por um mundo melhor e «mais humano», hoje e amanhã.

Mas, além disso, em nenhum momento e em nenhum período da história, especialmente numa época tão crítica como a nossa, pode esquecer a oração que é um grito de súplica à misericórdia de Deus, perante as múltiplas formas do mal que pesam sobre a humanidade e a ameaçam. Tal é o direito e o dever da Igreja, em Cristo Jesus: direito e dever para com Deus e para com os homens. Quanto mais a consciência humana, vítima da secularização, esquecer o próprio significado da palavra «misericórdia», e quanto mais, afastando-se de Deus, se afastar do mistério da misericórdia, tanto mais a Igreja tem o direito e o dever de apelar «com grande clamor»  para o Deus da misericórdia. Este «grande clamor», elevado até Deus para implorar a sua misericórdia há de caracterizar a Igreja do nosso tempo. (...)

Como os Profetas, apelamos para o amor que tem características maternais e, à semelhança da mãe, vai acompanhando cada um dos seus filhos, cada ovelha desgarrada, ainda que houvesse milhões de extraviados, ainda que no mundo a iniqüidade prevalecesse sobre a honestidade e ainda que a humanidade contemporânea merecesse pelos seus pecados um novo «dilúvio», como outrora sucedeu com a geração de Noé. Recorramos, pois, a tal amor, que permanece amor paterno, como nos foi revelado por Cristo na sua missão messiânica, e que atingiu o ponto culminante na sua Cruz, morte e ressurreição! Recorramos a Deus por meio de Cristo, lembrados das palavras do Magnificat de Maria, que proclamam a misericórdia «de geração em geração». Imploremos a misericórdia divina para a geração contemporânea! Que a Igreja, que procura, a exemplo de Maria ser em Deus, mãe dos homens, exprima nesta oração a sua solicitude maternal e o seu amor confiante, donde nasce a mais ardente necessidade da oração. (...)

Por mais forte que possa ser a resistência da história humana, por mais marcante que se apresente a heterogeneidade da civilização contemporânea e, enfim, por maior que possa ser a negação de Deus no mundo humano, ainda maior deve ser, apesar de tudo, a nossa aproximação de tal mistério que, oculto desde toda a eternidade em Deus, foi depois, no tempo, realmente comunicado ao homem por meio Jesus Cristo.

Com a minha Bênção Apostólica!

Dado em Roma, junto de São Pedro, aos trinta dias do mês de Novembro, Primeiro Domingo do Advento, do ano de 1980, terceiro do meu Pontificado.

ANEXOS SOBRE A VIDA DE SANTA FAUSTINA, O DIÁRIO E A IMAGEM:

1) Secretária da Misericórdia Divina

O século XX foi um dos períodos mais contraditórios da história humana. De um lado, grandes avanços nos mais variados campos do saber (biologia, física, tecnologia etc.); a Igreja Católica, por sua vez, viveria uma nova primavera em diversos âmbitos (bíblico, litúrgico, pastoral etc.). Por outro lado, deparamo-nos com o crescimento do agnosticismo e a proliferação das seitas; com enormes atrocidades, de proporções quase universais; milhões e milhões foram brutalmente dizimados em dezenas de guerras, bem como em carestias, pestes e catástrofes, em parte frutos da ganância e arrogância de alguns poucos.Ao mesmo tempo, é o século de cristãos de grande envergadura, como os Papas S. Pio X, o Beato João XXIII e o Servo de Deus João Paulo II, S. Gemma Galgani e Madre Teresa de Calcutá, os santos Padres Pio e Maximiliano Kolbe, ou como os pastorinhos de Fátima. É o século outrossim de uma das maiores místicas da história do cristianismo, Santa Faustina Kowalska. Mística pois deixou-se invadir pelo mistério do amor divino, no dia a dia de uma vida escondida e laboriosa. A partir dela nasce uma nova espiritualidade, centrada na Divina Misericórdia. Eis em breves linhas um pouco da sua vida.

Origens

Faustina nasceu na aldeia de Glogowiec, distrito de Turek, prefeitura de Poznan (atualmente Swinice Warckie, principado de Konin), na Polônia, no dia 25/08/1905. Naquela época a Polônia estava sob o domínio russo. Ela é a terceira de dez filhos do casal Estanislau Kowalska e Mariana Babel, que cuidam de 5 hectares de terra (e 3 vacas!). As duas primeiras gravidezes foram muito cansativas; por isso, a terceira foi esperada com preocupação, mas tudo correu bem.
Dois dias depois do nascimento a menina foi batizada, na paróquia de Swinice Warckie (dedicada a S. Casimiro), com o nome de Helena Kowalska. Deus os abençoou com outros sete filhos. “A Helena, minha filha abençoada, santificou o meu ventre”, dirá a mãe após a sua morte. Sabemos bem pouco acerca das origens desta futura santa. As principais fontes são o seu Diário e o relato de algumas testemunhas.

Por exemplo, a sua casa, com paredes de pedra e poucos móveis, é composta por 2 divisões, separadas por um corredor. O pavimento é de terra e as paredes não são rebocadas nem caiadas. A mãe faz queijo com grande perfeição. Todas as noites rezam o terço e dão graças por tudo o que têm.

Seu pai, Estanislau, lavrador e carpinteiro, era muito piedoso. Freqüentava sempre as Missas dominicais e cantava todos os dias o ofício da Imaculada Conceição, bem como o hino matinal. Na Quaresma, cantava as lamentações da Paixão. Era muito exigente com os filhos, e por isso Helena desde os 9 anos ajuda nos serviços da casa – debulhando o trigo, levando as vacas para o pasto e ajudando na cozinha. A mãe era uma boa mulher, muito dedicada e trabalhadora, particularmente sensível com os pobres. Assim se vai moldando o caráter de Helena (Dr. H. W.,Irmã Faustina. Apóstola da Divina Misericórdia, Loyola, S. Paulo, 1983, p. 30).

Vocação

A vida espiritual de Helena começara cedo. Em seu Diário escreve: “Quando eu tinha sete anos ouvi pela primeira vez a voz de Deus na minha alma”. Depois da preparação recebida do Pároco, Pe. Romano Pawlowski, em 1914 faz a Primeira Comunhão, momento que muito lhe marcou: “Eu estou contente porque Jesus veio ter comigo e agora posso caminhar com Ele”. A oração se torna mais assídua e fervorosa. A mãe a encontrou várias vezes ajoelhada no chão, principalmente de noite. Helena lhe explicava: “tenho certeza de que é o meu Anjo que me acorda”.

Os pais não aceitam facilmente a vocação da filha Helena. Em 1920 e 1922 a jovem lhes pede permissão para entrar no convento, mas os pais o recusam. Não possuem recursos para lhe dar o dote necessário, estão mergulhados em dívidas – e, acima de tudo, estão muito ligados à filha. Neste período recebeu o sacramento da Crisma, em Aleksandrów (1921). De modo especial a adolescente escuta com atenção as homilias dominicais, repetindo-as durante a semana, e também a leitura da Bíblia feita pelo seu pai, que mantém em casa uma pequena biblioteca.

Com dificuldades Helena iniciou os seus estudos (1917). É obrigada a interrompê-los a fim de poder trabalhar como empregada doméstica. Aos 14 anos disse à mãe: “Papai trabalha muito e eu não tenho com que me vestir aos domingos; sou a mais mal-apresentada de todas as moças. Irei trabalhar para ganhar alguma coisa”. O desejo de se consagrar totalmente a Deus lhe acompanha, mas, ante as dificuldades, por um tempo Helena desiste da idéia. Entrega-se, então, à “vaidade da vida”, aos “passatempos”, como anos depois escreveria em seu Diário.

Deus, porém, não volta atrás. Estando um dia num baile com sua irmã, uma visão de Cristo Sofredor interpela a jovem Helena: “Até quando hei de ter paciência contigo e até quando tu Me desiludirás?” (Diário, 9). Decide entrar no convento. Bateu em várias portas até ser acolhida no dia 1º/08/1925 na clausura do convento da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Misericórdia, em Varsóvia. Foi tentada a deixar essa comunidade várias vezes, mas Jesus lhe apareceu e exortou: “Chamei-te para este e não para outro lugar e preparei muitas graças para ti” (D. 19).

Revelações

Dentro da Congregação Helena recebeu o hábito e o nome de Irmã Maria Faustina, em 1926. Dois anos depois faria a primeira profissão dos votos religiosos. Em sua vida exterior nada deixava transparecer da sua profunda vida espiritual, que haveria de incluir as graças extraordinárias da contemplação infusa, o conhecimento da misericórdia divina, visões, aspirações, estigmas escondidos, o dom da profecia e discernimento, e o raro dom dos esponsais místicos (D. 1056). Com humildade exerceu as funções de cozinheira, jardineira e até de porteira. Cumpria fielmente as regras de sua comunidade, em espírito de recolhimento mas sem nenhum desequilíbrio, deixando ao mesmo tempo transparecer serenidade e benevolência. Um sonho a movia – viver plenamente o mandamento do amor:
Ó meu Jesus, Vós sabeis que desde os meus mais tenros anos eu desejava tornar-me uma grande santa, isto é, desejava amar-Vos com um amor tão grande com que até então nenhuma alma Vos tinha amado” (D. 1372).

O Senhor a escolhe para uma missão especial. Depois de atravessar pela “noite escura” das provações físicas, morais e espirituais, a partir de 22/02/1931, em Plock,o próprio Senhor Jesus Cristo começa a se manifestar à Irmã Faustina de um modo particular, revelando de um modo extraordinário a centralidade do mistério da misericórdia divina para o mundo e a história– presente em todo o agir divino, particularmente na Cruz Redentora de Cristo – e novas formas de culto e apostolado em prol desta sua divina misericórdia. Descreve esta primeira visão:

Da túnica entreaberta sobre o peito saíam dois grandes raios, um vermelho e outro pálido. (...) Logo depois, Jesus me disse: Pinta uma Imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós(D. 47).

Jesus insistirá particularmente no seu desejo de instituir uma Festa em honra da Divina Misericórdia para toda a Igreja, o que haveria de se cumprir somente a partir do ano 2000. Todas estas vivências se encontram relatadas em seu famoso Diário, escrito entre 1934-1938 sob a orientação dos Padres Miguel Sopocko e Andrasz SJ, o primeiro deles beatificado a 28/09/2008.

Segundo um dos mais famosos estudiosos do mesmo, Pe. Ignacy Rózycki, no Diário – e numa das Cartas de Santa Faustina – encontramos, dentre outros, 83 revelações particulares especiais sobre o mistério e o culto da Divina Misericórdia. Ao longo do Diário descobrimos que Jesus a escolhe como secretária, apóstola, testemunha e dispensadora da divina misericórdia (nn. 965; 1142; 400; 570). Já pode ser considerado como um dos clássicos da espiritualidade católica, ao lado de História de uma alma, A prática do amor a Jesus Cristo, Filotéia e outros.

Páscoa

Assim como na vida de Santa Teresinha, Jesus pede também à Santa Faustina que se ofereça como vítima pelos pecadores. É a graça de poder viver aquilo que diz o Apóstolo: Completo em minha carne o que falta das tribulações de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja(Cl 1,24; cf. Flp 1,20; 2Cor 12,10). Na Quinta-feira Santa de 1934, Jesus lhe revela o seu desejo que se entregue pela conversão dos pecadores. A este desejo Irmã Faustina respondeu prontamente com um ato de consagração no qual se oferece voluntariamente pelos pecadores. Desde essa ocasião, os sofrimentos que oprimiriam a religiosa polonesa foram a prova de que sua oferta fora aceita pelo Senhor.

Irmã Faustina levava uma vida muito austera, já antes de entrar no convento. Não perdia nenhuma oportunidade em oferecer suas penas pela conversão dos pecadores. Nos últimos anos de sua breve vida aumentaram os seus tormentos interiores e os padecimentos do organismo. Desenvolve-se uma tuberculose que lhe atacou os pulmões e os intestinos. Muito fraca, é levada ao convento Jósefów. Segundo um costume da comunidade, pede perdão às coirmãs pelas faltas cometidas – e afirma que morreria treze dias depois. Ao Pe. Sopocko diz (26/09): “Perdoe-me, padre, agora estou ocupada no colóquio com o Pai Celeste. Aquilo que tinha para dizer, já disse”.

No dia da sua morte ela recebe o viático do Pe. Andrasz. Pede mas logo recusa uma injeção, dizendo: “Deus exige sacrifício”. Plenamente unida a Deus, na presença da irmã Ligoria, erguendo os olhos para o céu, Irmã Faustina falece com fama de santidade às 22h45min do dia 5/10/1938, com apenas 33 anos de vida. O seu corpo foi depositado no cemitério do convento em Cracóvia-Lagiewniki.


A situação na Europa se agravava. Hitler havia invadido a Áustria (11/03/1938). A Polônia entra num período tempestuoso quando Berlim e Moscou dividiram o seu território (22/09/1939). Irmã Faustina rezava pela Polônia. Em setembro de 2008, a jardineira irmã Klemensa foi visitá-la no hospital. Faustina estava reduzida a pele e ossos. Klemensa lhe perguntou: “O senhor Jesus te disse se haverá guerra?”. – “Haverá guerra”, respondeu ela. E depois acrescentou: “...A guerra durará muito tempo, haverá muitas desgraças. Sofrimentos terríveis cairão sobre as pessoas” (in Bergadano, Elena, Faustina Kowalska. Mensageira da Divina Misericórdia, Paulinas, S. Paulo, 2006,p. 81).

Há inúmeros relatos de graças alcançadas por sua intercessão a partir da morte da Ir. Faustina. Um deles se refere a um fato ocorrido durante a II Guerra, assinado por Miquelina Niewiadomska em Varsóvia, ano de 1946:

“Como mensageira do exército clandestino da Polônia, levava um dia um maço de jornais e documentos importantes da imprensa subterrânea, num cesto vulgar, aberto, de modo a não chamar a atenção. Numa paragem, o tranvia [transporte] foi abordado pela polícia da Gestapo, que começou a inspecionar os passageiros. Antes que eu desse conta, estava a meu lado. Apanhada de improviso, sabia que não tinha maneira de escapar e deitei o cesto no chão. O que estava dentro caiu, com o livrinho intitulado ‘Jesus, eu confio em Vós’ por cima de tudo. Um dos policiais baixou-se para o apanhar e em voz baixa segredou-me: ‘E eu também confio n’Ele’, e, voltando-se, permitiu que eu apanhasse os papéis” (in Andrasz-Sopocko, A misericórdia de Deus. A única esperança da humanidade, 2ª ed., Tipografia Porto Médico L.da, Porto, 1956, pp. 88s).

O processo informativo para a canonização da Irmã Faustina se iniciou em 1965. O Cardeal Karol Wojtyla o encerra com uma sessão solene no dia 20/09/1967. Anos depois (1978) Karol Wojtyla se tornaria o Papa João Paulo II, e por suas mãos Irmã Faustina seria beatificada (1993) e canonizada (2000), tornado-se assim a primeira santa canonizada no III Milênio cristão. O milagre que permitiu a sua canonização foi a cura do Pe. Romualdo P. Pytel que sofria de “estenose aórtica predominante, calcificada e localizada na bicúspide, com insuficiência aórtica associada, e descompensação cardíaca esquerda” (in Laria, Raffaele, Santa Faustina e a Divina Misericórdia, Paulus, Apelação, 2004, p. 84). A data de sua celebração litúrgica é o dia 5 de outubro, que marca seu nascimento para o céu.

A Misericórdia é o maior atributo de Deus” (D. 611)
Santa Faustina Kowalska: rogai por nós!

FONTE: Internet, devocionários da Divina Misericórdia (1,2 e 3) da Canção Nova e Diário de Santa Faustina.

2) A IMAGEM DE JESUS MISERICORDIOSO

(O DIÁRIO de santa Irmã Faustina) Plock, Polônia “1931, dia 22 de  fevereiro.
À noite, quando me encontrava na minha cela, vi Nosso Senhor vestido de branco.
Uma das mãos erguida para a bênção, e a outra tocava-Lhe a túnica, sobre o peito.
Da túnica entreaberta sobre o peito saíam dois grandes raios, um vermelho e o outro  pálido. Em silêncio, eu contemplava o Senhor; a minha alma estava cheia de temor,
mas também de grande alegria. Logo depois, Jesus me disse:
Pinta uma Imagem de acordo com o modelo que estás vendo, com a inserição: Jesus, eu confio em Vós.

(...) Prometo que a alma que venerar esta Imagem não perecerá. Prometo também, já aqui na Terra, a vitória sobre os inimigos e, especialmente, na hora da morte.

(...) Eu desejo que haja a Festa da Misericórdia. Quero que essa Imagem, que pintarás com o pincel, seja benta solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa, e esse domingo deve ser a Festa da Misericórdia.

Desejo que os sacerdotes anunciem essa Minha grande misericórdia para com as almas pecadoras. Que o pecador não tenha medo de se aproximar de Mim.
(...) Uma vez, cansada dessas diversas dificuldades que  tinha por causa de Jesus falar-me e exigir a pintura da Imagem, decidi firmemente, antes dos votos perpétuos, pedir a Frei Andrasz que me dispensasse daquelas inspirações interiores e da obrigação de pintar a Imagem. Depois de me ouvir em confissão, Frei Andrasz deu-me esta resposta: Não dispenso a Irmã de nada e a Irmã não pode esquivar-se dessas inspirações interiores, mas a Irmã deve, necessariamente, relatar tudo ao confessor, sem falta, porque de outra forma a Irmã incorrerá em erro apesar dessas grandes graças de Deus.

Neste Momento, a Irmã está se confessando comigo, mas saiba que devia ter um confessor permanente, isto é, um diretor espiritual. Fiquei imensamente preocupada com tudo isso. Pensei que me livraria de tudo e aconteceu o contrário: uma ordem explícita para atender às exigências de Jesus. E agora um novo tormento, de não ter
um confessor permanente.

(...) Contudo, a bondade de Jesus é infinita e Ele prometeu-me ajuda visível na Terra
e recebi-a em breve em Vilna (Vilnius, Lituânia). Reconheci no padre Sopocko essa ajuda de Deus. Antes de chegar a Vilna, conheci-o por uma visão interior. Certo dia, vi-o na nossa capela entre o altar e o confessionário. Então ouvi uma voz na alma:
Eis a tua ajuda visível na Terra. Ele te ajudará a cumprir a Minha vontade na Terra” (Diário, 47-53).

Para Irmã Faustina, a tarefa imposta por Jesus Cristo era simplesmente irrealizável, visto que ela não possuía as aptidões plásticas necessárias para isso. Apesar disso, ela procurava ser obediente à vontade de Jesus e tentava pintar o quadro por conta própria, mas sem resultado. A insistência de Jesus Cristo para que ela realizasse essa tarefa, por um lado, e, por outro lado, a descrença dos confessores e dos superiores tornou-se para Irmã Faustina um grande sofrimento pessoal.

Durante a sua estada em Plock (cerca de 3 anos), e depois em Varsóvia, ela continuou preocupada com a exigência não realizada de Jesus, tanto mais que lhe fez sentir como nos planos divinos era importante a tarefa que lhe estava confiando:

”De repente vi o Senhor, que me disse: Fica sabendo que, se negligenciares a tarefa da pintura dessa imagem e de toda a obra da misericórdia, serás responsável por um grande número de almas no dia do julgamento” (Diário, 154).

Após professar os votos perpétuos, no dia 25 de maio de 1933 a Irmã Faustina foi transferida  à casa religiosa em  Vilna, onde encontrou a ajuda que anteriormente lhe havia sido prometida – o confessor e diretor espiritual pe. Sopocko, que empreendeu a tentativa de concretizar as exigências de Jesus Cristo.

”Levado mais pela curiosidade de ver que imagem seria essa do que pela crença na veracidade dessas visões, pedi ao pintor Eugênio Kazimirowski que pintasse esse quadro” (O pe. Sopocko, Memórias).A imagem de Jesus Misericordioso surgiu numa atmosfera de presença divina – das vivências místicas da irmã Faustina. Esse apreciado e bem preparado pintor, ao pintar  a imagem de Jesus Misericordioso renunciou à sua própria concepção artística para honestamente recriar na tela o que lhe relatava a irmã Faustina. Durante seis meses ela vinha ao ateliê do artista pelo menos uma vez por semana, a fim de lhe apontar complementações e as necessárias correções. Ela se esforçou por fazer com que a imagem de Jesus Misericordioso fosse exatamente igual à que lhe havia sido apresentada na visão.

Da pintura da imagem participou ativamente o fundador da obra, o pe. Sopocko, que a pedido  do pintor posou vestido de alba. O período da pintura comum serviu de ocasião para uma interpretação mais profunda do conteúdo da imagem. As questões controvertidas eram decididas pelo próprio Jesus Cristo (D. 299; 326; 327; 344). Foi muito eloqüente um diálogo de Irmã Faustina com Jesus Cristo a respeito do quadro pintado:

...Quando fui à casa daquele pintor que estava pintando a Imagem e vi que ela não era tão bela como é Jesus, fiquei muito triste com isso, mas escondi essa mágoa no fundo do meu coração. (…) a Madre Superiora ficou na cidade para resolver diversos assuntos e eu voltei para casa sozinha. Imediatamente dirigi-me à capela e chorei muito. Eu disse ao Senhor: Quem vos pintará tão belo como sois? Então ouvi estas palavras: O valor da imagem não está na beleza da tinta nem na habilidade do pintor, mas na Minha graça” (Diário, 313).

Desse diálogo emana a sinceridade de uma pessoa agraciada com graça sobrenatural, que  em suas vivências místicas via a beleza do Salvador ressuscitado. Por diversas vezes Jesus Cristo a apareceu a irmã Faustina da forma como se encontra
na imagem (D. 473; 500; 851; 1046; 1565) e também exigiu várias vezes que essa imagem fosse acessível ao culto público. Isso confirma que Jesus Cristo aceitou a imagem pintada no quadro  - santificando-a com a Sua presença viva.

Graças aos empenhos do pe. Sopocko, a imagem do Salvador Misericordioso foi exposta
na janela da galeria junto à capela de Nossa Senhora da Misericórdia em Ostra Brama, em Vilnius, e nos dias 26-28 de abril de 1935 pela primeira vez foi alvo de veneração pública, durante o solene encerramento do Jubileu dos 1900 anos da Redenção do Mundo. No último dia da solenidade, que era o primeiro domingo após a Páscoa, participou da celebração a irmã Faustina, e o sermão sobre a divina misericórdia foi pronunciado pelo pe. Sopocko, da forma como havia exigido Jesus Cristo.

”Por admirável desígnio tudo aconteceu como o Senhor havia exigido: a primeira honra que a Imagem recebeu das multidões - foi no primeiro Domingo depois da Páscoa. Durante três dias, ela ficou exposta publicamente e recebeu a honra dos fiéis, pois estava exposta em Ostra Brama (Ausros Vartai), na parte alta da janela e, por isso, podia ser vista de muito longe. Em Ostra Brama era comemorado solenemente, por esses três dias, o encerramento do Jubileu da Redenção do Mundo - os 1900 anos da Paixão do Salvador. ”Agora vejo que a obra da Redenção está ligada com a obra da misericórdia que o Senhor está exigindo” (Diário, 89).

”Quando a Imagem foi exposta, vi o braço de Jesus fazer um movimento e traçar um grande sinal da cruz. Nesse mesmo dia, (...) vi como essa Imagem pairava sobre uma cidade, e essa cidade estava coberta de fios e de redes. À medida que Jesus ia passando, cortava todas essas redes e, no fim, traçou um grande sinal da cruz e desapareceu...” (Diário, 416).

”Quando estava em Ostra Brama, durante as solenidades em que a Imagem foi exposta, assisti ao sermão, que foi pronunciado por meu confessor (M. Sopocko); o sermão tratava da misericórdia de Deus; era a primeira coisa que Jesus havia tanto tempo tinha exigido. Quando começou a falar sobre a grande misericórdia do Senhor, a Imagem tornou-se viva e os raios penetravam no coração das pessoas ali reunidas, embora não na mesma medida; uns recebiam mais, outros menos. Uma grande alegria inundou minha alma ao ver a graça de Deus” (Diário, 417).

”Quando estava se encerrando a celebração e o sacerdote segurou o Santíssimo Sacramento para dar a bênção, então vi Jesus tal como está pintado na Imagem.
O Senhor deu a Sua bênção e os dois raios espalharam-se pelo mundo inteiro.
Então, vi uma claridade impenetrável, sob a forma de uma casa de cristal, tecida de ondas de claridade inacessível a nenhuma criatura, nem espírito. A essa claridade conduziam três portas - e nesse momento Jesus, como aparece na Imagem, entrou nessa claridade pela segunda porta - no interior da Unidade” (Diário, 420).

As solenidades de Ostra Brama foram para Irmã Faustina o sinal e o cumprimento das graças previamente anunciadas - a manifestação pública do poder da Divina Misericórdia.


Aspecto atual da capela em Ostra Brama (Ausros Vartai)
DO SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DA MISERICÓRDIA - Vilna (Vilnius, Lituânia)

 

No dia 4 de abril de 1937, com a autorização do metropolita de Vilna, o arcebispo Romualdo Jalbrzykowski, a imagem do Misericordiosíssimo Salvador Jesus foi benta e exposta na igreja de S. Miguel em Vilna, perto do altar-mor. Ali belamente exibida numa suntuosa moldura dourada, emanou santidade até o ano de 1948. Era venerada e agraciada por numerosos votos, e a devoção à Misericórdia Divina rapidamente se espalhou para fora dos limites de Vilna. De forma admirável, apesar das possibilidades limitadas, atingiu milhões de pessoas no mundo.

”Em sua correspondência posterior com o pe. Sopocko, Irmã Faustina escreve:
Deus me deu a conhecer que está satisfeito com o que já foi feito. Mergulhando na oração e na proximidade de Deus, senti em minha alma uma profunda paz quanto ao conjunto dessa obra. (...) E agora, no que diz respeito a essas imagens (pequenas cópias), (...) aos poucos as pessoas as vão comprando e muitas almas já alcançaram a graça divina, que brotou dessa fonte. Como tudo, também esta obra vai progredir aos poucos. Esses santinhos não são tão bonitos como aquela imagem grande, mas são comprados por aqueles que se sentem atraídos pela graça divina...” (Trecho de uma carta, Cracóvia, 21 de fevereiro de 1938).

Em conseqüência das operações de guerra (1939-1945), a imagem de Jesus Misericordioso permaneceu na área da URSS e por algumas dezenas de anos tornou-se inacessível aos romeiros. Apesar das muitas ameaças (por muitos anos a imagem permaneceu escondida num sótão, enrolada, guardada num ambiente úmido e frio e diversas vezes restaurada de forma inapta), por uma milagrosa intervenção divina nada sofreu durante os tempos do comunismo.
Durante os anos seguintes a imagem se encontrou: na igreja de Santa Miguel (1937-1948); na igreja de Nowa Ruda, na atual Bielo-Rússia (1949-1986); na igreja do Espírito Santo em Vilna (1987-2005). Desde 2005 a imagem é venerada no Santuário da Misericórdia Divina em Vilna.

 


Por ocasião da sua peregrinação à Lituânia, no dia 5 de setembro de 1993, na igreja do Espírito Santo em Vilna, diante da imagem de Jesus Misericordioso em Vilna, rezou o Papa João Paulo II. Na sua alocução aos fiéis, chamou essa imagem de

A SAGRADA IMAGEM

Na história das aparições, é conhecido apenas um caso em que Jesus Cristo expressou o desejo de que fosse pintado um quadro com a Sua imagem e apresentou a sua configuração plástica. Após a pintura da imagem, por diversas vezes revelou a Irmã Faustina a Sua presença viva na forma como ela fora pintada na imagem. Além disso, pela promessa de conceder graças especiais aos devotos dessa imagem, conferiu-lhe um excepcional valor religioso.

”Por meio dessa Imagem concederei muitas graças às almas;
que toda alma tenha, por isso, acesso a ela”
(Diário, 570).

 

A Imagem no Santuário da Divina Misericórdia em Vilna :

 

”Ofereço aos homens um vaso,
com o qual devem vir buscar graças na fonte da misericórdia.
Esse vaso é a Imagem com a inscrição: Jesus, eu confio em Vós” (Diário, 327).

”Os dois raios (na imagem) representam o Sangue e a Água: o raio pálido significa
a Água que justifica as almas; o raio vermelho significa o Sangue que é a vida das almas. Ambos os raios jorraram das entranhas da Minha misericórdia, quando na Cruz o Meu Coração agonizante foi aberto pela lança (...). Feliz aquele que viver à sua sombra, porque não será atingido pelo braço da justiça de Deus” (Diário, 299).

”Hoje vi duas colunas muito grandes fincadas no chão: uma delas coloquei-a eu
e a segunda, outra pessoa, S.M. (M. Sopocko). (...) Essas duas colunas encontravam-se perto uma da outra na largura da Imagem, e vi essa Imagem pendurada nelas muito alto. Num instante, sobre estas duas colunas surgiu um grande santuário, interior
e exteriormente. Vi a mão que terminava a construção desse santuário, mas não
vi a pessoa. Havia uma grande multidão de pessoas fora e dentro do santuário,
e as torrentes que saíam do compassivo Coração de Jesus desciam sobre todos”
(Diário, 1689).

”DESEJO QUE O MUNDO TODO CONHEÇA A MINHA MISERICÓRDIA” (Diário, 687).


De depoimentos pessoais do pe. Sopocko (conservados em fitas cassete) resulta que ele deixou  à Irmã Faustina total liberdade na cooperação com o pintor. Ao mesmo tempo, em seus depoimentos ele confirma que a imagem foi pintada exatamente de acordo com as orientações dela. O extraordinário cuidado na transmissão da Santa Efígie do Salvador, gravada na memória, é confirmada pelo fato de que a efígie da imagem corresponde perfeitamente ao tamanho da figura no Sudário de Turim.

Fonte: Internet.