São Felipe Neri, o Doutor da alegria.- Por Luciano Bandeira

         Estudando a vida dos santos notamos que foram homens e mulheres que se colocaram como criancinhas diante de Deus.  Dessa relação íntima de fé e amor, brotaram todas as outras virtudes que os tornaram gigantes neste mundo. Cristo nos pediu: “Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48) . Os santos são aqueles que seguem de maneira radical esse pedido de Jesus.

         São Felipe Neri nasceu em Florença no dia 21 de julho de 1515, numa família profundamente cristã.  Perdeu a mãe muito cedo, mas encontrou na madrasta uma digna sucessora que o amou como filho. Aos 16 anos seu pai o enviou para São Germano, aos pés de Monte Cassino, para aprender a arte do comércio com seu tio Rômulo. Apesar de Felipe se dedicar com empenho ao negócio, rapidamente seu tio percebeu que suas aspirações eram bem maiores do que as do comércio. Durante o trabalho sempre perguntava aos fregueses se sabiam rezar o pai nosso e sempre falava de Deus. Após o trabalho visitava igrejas e já vivia em estado de santidade. Aos 20 anos, deixou a casa do tio e foi para Roma.

         Nessa época, não pensava em fazer-se sacerdote. Julgava acertadamente que se pode servir a Deus e ao próximo muito bem, permanecendo leigo. Entrou para a Companhia do Divino Amor, irmandade cujo objetivo era atender espiritual e materialmente os pobres, os doentes, os órfãos e os encarcerados. No Hospital dos Incuráveis, cuidou dos enfermos até o fim de sua vida. Não contente com a visita a hospitais, punha-se também a percorrer ruas e praças, falando às pessoas sobre a Religião e as coisas de Deus. Foi, sobretudo, um apóstolo e um semeador da santa alegria dos filhos de Deus.

         São Felipe Néri se sentia chamado especialmente para cuidar da juventude. Tinha muita preocupação com a vida dos jovens compreendendo os perigos e seduções próprias de suas idades. Converteu muitos jovens e enviou muitos “recrutas” para a recém-fundada Companhia de Jesus de Santo Inácio de Loyola. São Felipe teve relações com todos os santos que viviam em Roma: São Carlos Borromeu, São Camilo de Lelis, Santo Inácio de Loyola e São Félix de Cantalício.

         “São Carlos Borromeu tinha tanta estima e veneração por ele que, todas as vezes que o encontrava, prostrava-se e suplicava que o deixasse beijar suas mãos”.

         No dia de Pentecostes, do ano de 1545, enquanto São Felipe suplicava ardentemente ao Divino Espírito Santo que lhe enviasse seus dons, viu de repente uma bola de fogo que lhe entrou boca adentro, descendo até o coração. O Amor de Deus foi tão forte que julgou que iria morrer. Caiu no chão, gritando: “Basta, Senhor, basta! Não resisto mais!”. O mais notável é que seu peito dilatou-se fisicamente na altura do coração. Isto foi constatado depois de sua morte pelo médico Andréa Cesalpino, que fez a autópsia.

 

         Quando Felipe tinha 36 anos, seu confessor Pe. Persiano ordenou-lhe, por amor de Deus, que se fizesse sacerdote. Celebrou sua primeira missa no dia 23 de maio de 1551. Como sacerdote, dedicou-se especialmente ao confessionário, onde passava grande parte do dia. Rapidamente sua fama de santidade foi tomando força e pessoas de toda parte vinham se confessar com ele.

         Fundou seu oratório onde reunia pessoas para falar de Deus de maneira bem simples e informal. Dentre seus alunos havia pessoas de todas as classes sociais. Desde pessoas pobres até príncipes e nobres. O Papa Clemente VIII foi um de seus alunos e quis fazê-lo cardeal. Mandou chamar São Felipe e comunicou-lhe sua intenção. O Santo agradeceu, mas negou humildemente o pedido dizendo: “Prefiro o Paraíso!”.

         Foi um grande místico, e fez muitos milagres, que sempre atribuía às relíquias dos santos que levava em sua bolsa. Um dos milagres que marcaram sua vida aconteceu na morte do príncipe Paulo Máximo. São Felipe foi avisado enquanto celebrava uma missa. Após a celebração, foi até o velório e se colocou ao lado do menino e começou a gritar seu nome, como se ele estivesse longe. “Paulo! Paulo! Paulo!” Eis que o menino acorda e diz: “estou bem, estou em paz”. São Felipe diz então: “Vai, seja feliz e roga a Deus por mim”. E o menino com um rosto plácido volta a morrer em paz nos braços do Santo.

 

         Por sua santidade sofreu calúnias, armadilhas e perseguições. Respondia sempre com uma alegria heroica a toda sorte de maldade que lhe faziam. Via na humilhação uma grande aliada para fortalecer a virtude da humildade.

         Outra nota marcante em sua vida foi seu amor pela Eucaristia. Algumas vezes foi visto levitando durante a adoração ao Santíssimo. Um ano antes de falecer, ficou muito doente e os médicos que o examinaram saíram bastante desanimados, pois não viam solução para o caso. Contudo, enquanto os médicos estavam saindo, ouviram uma voz que vinha do quarto de São Felipe dizendo: “Ó Minha Senhora, Ó dulcíssima e bendita virgem!!!”.  Os médicos voltaram correndo, e, ao entrarem no quarto o encontraram elevado da cama uns dois palmos, levitando. Depois que os médicos entraram, ele voltou para posição normal e perguntou: “vocês não viram a Santíssima Virgem que me livrou de todas as dores?”. De fato ele ficou completamente curado e só veio a falecer um ano depois,  no dia 26 de maio de 1595, sendo canonizado apenas 27 anos depois.

São Felipe Neri, ajude-nos a ter sempre a alegria dos filhos de Deus principalmente nos momentos que a cruz nos visitar.