IMAGENS, INTERCESSÃO E COMUNHÃO DOS SANTOS – Organizado e escrito por Marcos Rocha
Neste artigo, faremos uma síntese de vários outros já publicados neste site, com suplementos importantes. Abordaremos a velha e polêmica questão das imagens. Desta vez, organizaremos todo o conteúdo a ser exposto em um sistema prático e de melhor desenvolvimento e aprendizado: perguntas e respostas.

1) No Antigo Testamento, Deus proibiu a confecção de imagens para combater a idolatria. Quais as passagens que evidenciam isto?

A principal é esta: “3 Não terás outros deuses diante de mim.4 Não farás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.5 Não te encurvarás diante delas, nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. 23 Não fareis outros deuses comigo; deuses de prata, ou deuses de ouro, não os fareis para vós.24 um altar de terra me farás, e sobre ele sacrificarás os teus holocaustos, e as tuas ofertas pacíficas, as tuas ovelhas e os teus bois. Em todo lugar em que eu fizer recordar o meu nome, virei a ti e te abençoarei.25 E se me fizeres um altar de pedras, não o construirás de pedras lavradas; pois se sobre ele levantares o teu buril, profaná-lo-ás.” (Ex 20,3-5.23-25)

8. Não farás para ti imagem de escultura representando o que quer que seja do que está em cima no céu, ou embaixo na terra, ou nas águas debaixo da terra.9. Não te prostrarás diante delas para render-lhes culto, porque eu, o Senhor, teu Deus, sou um Deus zeloso, que castigo a iniqüidade dos pais nos filhos, até a terceira e a quarta geração daqueles que me odeiam,10. mas uso de misericórdia até a milésima geração com aqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.” (Dt 5,8-10)

“5. Assemelham-se esses deuses a uma estaca em campo de pepinos, que devem ser levados, pois não caminham. Não os temais, pois que vos não podem fazer mal, nem têm o poder de fazer o bem.” (Jr 10,5)

 

“8. São todos eles néscios e insensatos, e seus ensinamentos são vaidade, pura lenha.
9. É prata batida, importada de Társis, ouro de Ofir, trabalho de escultor e de ourives, revestido de púrpura arroxeada e vermelha: não passam de obra de artista.” Jr 10,8-9

 

“2. Porém agora (os israelitas) pecam ainda mais, fazem para si estátuas fundidas com sua prata, ídolos de sua invenção, meras obras de artistas. Falam-lhes, oferecem-lhes sacrifícios humanos e dão beijos nos bezerros.” (Os 13,2)

 

“19. Um artesão funde uma estátua, o ourives, a placa de ouro, e faz derreter as correntinhas de prata. (4l,6) Prestam-se assistência mútua, dizem um ao outro: Coragem! (4l,7) O fundidor estimula o ourives, e o malhador, o ferreiro: A solda é boa, diz. Ele a reforça com rebites para que não oscile.” (Is 40,19)

 

“12. O ferreiro manipula o formão e trabalha no forno; talha o ídolo com golpes de martelo; modela-o com mão vigorosa; mas tem fome, sente-se esgotado, tem sede, está extenuado.
13. O escultor em madeira estica o cordel, traça o esquema a lápis, desbasta a imagem com o cinzel, mede-a com o compasso; dá-lhe forma humana, fá-la um belo tipo de homem, para colocá-la numa casa.14. Vai cortar madeira, apanha um roble ou um carvalho que tinham deixado crescer entre as árvores da floresta que o Senhor havia plantado, e que a chuva havia feito crescer.15. Depois faz com a madeira um fogo, e leva-o para se aquecer; queima-a também para cozer o pão; enfim serve-se dela para fabricar um ídolo diante do qual se prosterna.16. Queima a metade de sua madeira, sobre a brasa assa a carne, come esse assado até fartar-se. Então aquece-se e diz: Como é bom sentir o calor e admirar a chama!
17. Com a sobra faz um deus, um ídolo diante do qual se prostra para adorá-lo e orar dizendo: Salva-me, tu és meu deus.” (Is 44,12-17)

 

E há, como se disse, dezenas de outros textos bíblicos contra os ídolos e os idólatras (Ez 18,15; 20,7; 23,7; Hb 2,18-19; At 15,20 etc). Os que nomeamos acima são os mais citados pelas seitas contra a “adoração de imagens (?!?)” pelos católicos.

2) Diante das passagens bíblicas existentes, Deus proibiu a confecção de imagens ou proibiu a confecção de imagens para adoração?

Certamente, Deus proibiu a confecção de imagens para adoração. Na passagem Ex 20,3-5.23-25 vemos, logo no início da proibição, que Deus não queria outros deuses a não ser Ele (v.3). E no versículo 23 não queria a feitura de deuses de prata ou de ouro. Não queria que se fabricassem “deuses”, não importasse o material. Logo, não queria que fossem feitas imagens para serem adoradas, pois adoração consiste em reconhecer algo como Deus. Deus não queria adoração, neste caso, idolatria (adorar “quem” não é Deus), não queriam outros deuses além Dele. O texto de Ex 34,14-17 é exato e esclarece toda a questão:

 “14 (porque não adorarás a nenhum outro deus; pois o Senhor, cujo nome é Zeloso, é Deus zeloso),15 para que não faças pacto com os habitantes da terra, a fim de que quando se prostituírem após os seus deuses, e sacrificarem aos seus deuses, tu não sejas convidado por eles, e não comas do seu sacrifício;16 e não tomes mulheres das suas filhas para os teus filhos, para que quando suas filhas se prostituírem após os seus deuses, não façam que também teus filhos se prostituam após os seus deuses.17 Não farás para ti deuses de fundição.”

Dizer que Deus proibiu a confecção de qualquer imagem é afirmar que a Bíblia é mentirosa, pois a Palavra de Deus mostra Deus permitindo a confecção de imagens. Os judeus usavam imagens como sinais da presença de Deus e por elas Deus lhes falava (Ex 25,18-22). Dizem esses textos resumidamente:

18. Farás dois querubins de ouro; e os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado e outro de outro, 19. fixando-os de modo a formar uma só peça com as extremidades da tampa. 20. Terão esses querubins suas asas estendidas para o alto, e protegerão com elas a tampa, sobre a qual terão a face inclinada. 21. Colocarás a tampa sobre a arca e porás dentro da arca o testemunho que eu te der.22. Ali virei ter contigo, e é de cima da tampa, do meio dos querubins que estão sobre a arca da aliança, que te darei todas as minhas ordens para os israelitas.”” (Ex 25,18-22)

Que Deus falasse pelos querubins era coisa tão aceita pelo povo de Israel que até havia um ditado popular que dizia: “Deus está sentado entre os querubins” (1 Sm 4,4; 2 Sm 6,2; Sl 98,1 etc). E tais querubins, tais imagens e pinturas, foram feitos por ordem de Javé, como se viu. Foi Javé quem deu os pormenores para a construção do Templo – segundo o estilo da narração (2 Sm 7,12-13; 1 Cr 22, 8-10; 1 Rs 6,11-13). Foi também Javé quem deu o modelo para a construção do Santuário (Ex 25,40).

 

Pelos textos bíblicos pode-se dizer que Deus tanto proíbe fazer imagens como manda fazer imagens...

 

A intenção da Bíblia, porém,  não é a de falar de imagens, e sim do significado da imagem. Se a imagem leva à idolatria, ela deve ser condenada e abolida; se é lembrança, objeto de arte ou decoração, é coisa indiferente. Vejamos outras passagens que mostram Deus permitindo a confecção de imagens.

“8. e o Senhor disse a Moisés: “Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.9. Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida.” (Num 21,8-9)

“23. Fez no santuário dois querubins de pau de oliveira, que tinham dez côvados de altura.
24. Cada uma das asas dos querubins tinha cinco côvados, o que fazia dez côvados da extremidade de uma asa à extremidade da outra.25. O segundo querubim tinha também dez côvados; os dois tinham a mesma forma e as mesmas dimensões.26. Um e outro tinham dez côvados de altura.27. Salomão pô-los no fundo do templo, no santuário. Tinham as asas estendidas, de sorte que uma asa do primeiro tocava uma das paredes e uma asa do segundo tocava a outra parede, enquanto as outras duas asas se encontravam no meio do santuário.28. Revestiu também de ouro os querubins.29. Mandou esculpir em relevo em todas as paredes da casa, ao redor, no santuário como no templo, querubins, palmas e flores abertas.30. Cobriu de ouro o pavimento do edifício, tanto o do santuário como o do templo.31. Pôs à porta do santuário vigas de pau de oliveira; o seu enquadramento com as ombreiras ocupava a quinta parte da parede.32. Nos dois batentes de pau de oliveira mandou esculpir querubins, palmas e flores desabrochadas, e cobriu-as de ouro; cobriu de ouro tanto os querubins como as palmas.33. Para a porta do templo fez vigas de pau de oliveira que ocupavam a quarta parte da parede,34. bem como dois batentes de madeira de cipreste, sendo cada batente formado de duas folhas móveis.35. Mandou esculpir nelas querubins, palmas e flores desabrochadas, e cobriu tudo de ouro, ajustado às esculturas.” ( 1 Rs 6,23-35)

“23. Hirão fez também o mar de bronze, que tinha dez côvados de uma borda à outra, perfeitamente redondo, e com altura de cinco côvados; sua circunferência media-se com um fio de trinta côvados.24. Por baixo de sua borda havia coloquíntidas em número de dez por côvado; elas rodeavam o mar, dispostas em duas ordens, formando com o mar uma só peça.25. Este apoiava-se sobre doze bois, dos quais três olhavam para o norte, três para o ocidente, três para o sul e três para o oriente. O mar repousava sobre eles, e suas ancas estavam para o lado de dentro.26. A espessura do mar era de um palmo; sua borda assemelhava-se à de um copo em forma de lírio; sua capacidade era de dois mil batos.27. Fez também duas bases de bronze, tendo cada uma quatro côvados de comprimento, quatro de largura e três de altura.28. Eis como eram feitas essas bases: eram formadas de painéis e enquadradas de molduras.29. Nos painéis enquadrados de molduras, havia leões, bois e querubins, assim como nas travessas igualmente. Por cima e por baixo dos leões e dos bois pendiam grinaldas em forma de festões.” ( 1 Rs 7,23-29)

No Novo Testamento também temos proibição das imagens para adoração. Nesta passagem seguinte não são a confecção das figuras que são questionadas, mas a adoração a elas destinada.

“43. Aceitastes a tenda de Moloc e a estrela do vosso deus Renfão, figuras que vós fizestes para adorá-las! Assim eu vos deportarei para além da Babilônia (Am 5,25ss.).” ( At 7,43)

“26. Ora, estais vendo e ouvindo que não só em Éfeso, mas quase em toda a Ásia, esse Paulo tem persuadido e desencaminhado muita gente, dizendo que não são deuses os ídolos que são feitos por mãos de homens.” (At 19,26)

Enfim, Deus proibiu imagens para adoração, como proibiu também as falsas imagens de Deus (falsos deuses= o espiritismo, a astrologia, a magia e a superstição). Os judeus, no tempo da instalação na terra de Canaã (cf. livros dos Juízes e Samuel), tinham muita dificuldade para distinguir entre o significa religioso e o artístico de uma imagem, pois conviviam com povos idólatras. Rodeados por povos pagãos, os judeus sentiam grande atração pelas religiões pagãs, que eram descompromissadas e permissivas. O javismo, religião do povo de Deus, era religião exigente e radical. A tentação de passar para as religiões dos vizinhos era grande. E tais religiões tinham como símbolos as várias imagens de seus deuses. Por isso toda imagem lembrava uma divindade. Daí a posição radical da Bíblia em proibir a fabricação e o uso de imagens para o povo judeu. Eram elas perigo de apostasia. Eram tentação. Isto está claro na Bíblia e na história das religiões. Afirmar diferentemente do que diz o CONTEXTO HISTÓRICO é desvirtuar a Palavra de Deus e adulterar a história. A proibição das imagens foi para aquele momento e principalmente porque os infiéis tencionavam adorá-las.

3) Existe diferença entre adoração e veneração? A Igreja só levou em conta a questão das imagens por volta de 1500, 1600, quando os protestantes levantaram tal polêmica?

Excluída a intenção de adoração, as imagens são indiferentes: são sugestivas principalmente nos campos da arte, da decoração, da pintura. A própria Bíblia fala do uso das imagens como decoração. Elas estão presentes no Templo (1 Rs 6,29) e até no CORAÇÃO DO TEMPLO, no LUGAR MAIS SAGRADO QUE ERA O “SANTO DOS SANTOS” (1 Rs 6,23-28; Ex 26,31-33). Já citamos algumas destas passagens na resposta anterior.

 

Conforme Frei Mauro Strabelli discorre, “A Igreja Católica não estabelece o culto aos santos acima do culto a Deus (chamado culto de latria, isto é, adoração). Somente Deus deve ser adorado. O culto aos santos é ato público de veneração. É MEMÓRIA OU RECORDAÇÃO. Santo ou santa, é cristão, cristã, que souberam viver o seu batismo e deram testemunho de JESUS CRISTO e DO EVANGELHO NO MUNDO. Alguns deles foram até grandes pecadores, mas se converteram radicalmente a Deus. Por isso são modelos de santidade, modelos de vida.Quando a comunidade reconhece que de fato um irmão ou uma irmã na fé, viveu exemplarmente sua fé, seu batismo e testemunhou com palavra, com atos ou até com a própria vida o Evangelho de Jesus, a comunidade os declara “santos”, isto é, modelos de vida cristã e dignos de imitação. O número de santos canonizados oficialmente é muito grande, porém o número de santos declarados tais pelas comunidades é muito maior! Todo aquele que vive integralmente sua fé é digno de imitação, é modelo.”

Os católicos veneram os santos. Aqui o termo “santo” significa aquele que foi um bom exemplo de cristão e está com Deus, na Jerusalém Celeste. Já está salvo. Venerar é IMITAR, AMAR ALGUÉM SEM SER DEUS, SEGUIR O EXEMPLO. Quando se venera a imagem de Maria ou venera-se Maria, quer-se imitar a sua obediência a Deus, sua fé inquestionável, sua humildade. Cada santo tem sua história, seu exemplo, sua virtude, valores a serem IMITADOS. Tanto que Deus mandou fazer imagens, mas não para adorar. Podemos amar os santos, mas adorar só a Deus, só a Jesus. E o que seria adoração? Adoração consiste no reconhecimento do fiel da divindade de alguém. É reconhecer a alguém como Deus. Por isso os católicos só podem adorar a seu Deus, Jesus Cristo. Venerar é respeitar o bom exemplo daquele santo, é amar sua fé, é imitá-lo. A diferença entre adorar e venerar está na intenção. Se alguém acha que Santa Maria é uma deusa ou algo parecido, temos aí uma adoração. Se alguém ama Santa Maria e imita sua fé inquestionável, estamos diante de uma veneração. Não há nenhum mal em imitar um bom exemplo, ainda mais se tratando de um exemplo que imita o próprio Jesus Cristo.

Imagine se construir imagens, pintar quadros ou algo semelhante fosse pecado? Teríamos que destruir as máquinas fotográficas e aleijar a arte e o talento de tantos homens. O perigo está em adorá-las, achar que naquela estátua Deus reside, Deus existe.

O próprio Jesus fala por imagens auditivas, através de parábolas, que eram pequenos contos que transmitiam as verdades fundamentais do evangelho para melhor compreensão do povo humilde. As imagens são a bíblia dos analfabetos, ensinando o evangelho aos que não lêem.

Repetindo: as proibições acerca das imagens no Antigo Testamento – apesar de no Antigo Testamento Deus também ordenar a feitura de imagens, como os querubins de ouro e a serpente de bronze – consistiam no sentido de não fazer deuses de fundição. Logicamente, fazer imagens de santos para venerar é totalmente diferente. Fabricar uma faca para cortar um pão é totalmente normal, mas fabricar uma faca para matar alguém é um verdadeiro crime. O pecado não é o ato em si, mas principalmente a sua intenção psicológica. A própria Bíblia nos diz isto:

12 Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” (Hb 4,12)

5. Por isso, não julgueis antes do tempo; esperai que venha o Senhor. Ele porá às claras o que se acha escondido nas trevas. Ele manifestará as intenções dos corações. Então cada um receberá de Deus o louvor que merece.” ( 1Cor 4,5)

“21. Se houvéramos olvidado o nome de nosso Deus e estendido as mãos a um deus estranho, 22. porventura Deus não o teria percebido, ele que conhece os segredos do coração?” (Sl 43,21-22)

E, por último... foram os protestantes que descobriram este “erro” dos católicos ou isto não passa de argumento falso? Bem, com certeza se trata de argumento falso. O protestantismo teve origem depois de 1500 d.C. Esta questão foi superada pelos católicos (aliás, todos os cristãos, pois a Igreja era fisicamente uma só, como deve ser até o fim dos tempos) no Concílio de Nicéia II, em 787 d.C.. Foi decretado que latréia (adoração, reconhecimento da soberania absoluta de Deus) e proskýnesis (veneração) são conceitos totalmente diferentes. (Concílio de Nicéia de 13/10/787: “… as santas imagens devem ser veneradas, respeitadas, para os fiéis se recordarem dos modelos originais… sem que isso seja adoração, pois esta só convém, segundo a fé, a Deus.”).

Observamos, neste caso, um dos erros mais freqüentes entre as seitas protestantes: lêem apenas um diminuto trecho da Bíblia e se esquecem de que a mensagem está no contexto, não em pedaços utilizados para sofismas desagradáveis.

4) Existem passagens bíblicas que mostram a possibilidade de veneração e imitação dos bons exemplos de cristãos, como a Igreja Católica promove?

 

Bem, são inúmeras. Vamos expô-las organizadamente.

 

S.Paulo ordena que sejamos imitadores dos que seguiram Jesus até o fim. É um ótimo resumo da doutrina da veneração dos santos e, logicamente, de suas imagens.

 

“11. Desejamos, apenas, que ponhais todo o empenho em guardar intata a vossa esperança até o fim,12. e que, longe de vos tornardes negligentes, sejais imitadores daqueles que pela fé e paciência se tornam herdeiros das promessas.” (Hb 6,11-12)

 

A passagem seguinte mostra um rei sendo venerado, inclusive com prostração. Também mostra que, fisicamente, todos se prostraram diante do rei e diante do Senhor Deus. E, certamente, no coração de cada um dos que se prostraram, havia a diferenciação entre adoração (cabível ao Senhor) e veneração (cabível ao rei judeu).

 

“20. Depois disse Davi a toda a assembléia: Bendizei ao Senhor, nosso Deus. E toda a assembléia bendisse ao Senhor, o Deus de seus pais, inclinando-se e prostrando-se diante do Senhor e diante do rei.” ( 1 Cr 29,20)

 

Aqui vemos os sacerdotes – exemplos de vida religiosa- sendo venerados. “Veneração” significa “profundo respeito”. Algumas traduções bíblicas usam esta segunda expressão.

 

“31. Teme a Deus com toda a tua alma, e venera os seus sacerdotes.” (Eclo 7,31)

 

Reis Josias nos ensina a venerar os profetas falecidos. É bíblico!

 

“1. O rei convocou à sua presença todos os anciãos de Judá e de Jerusalém,
2. e subiu ao templo do Senhor com todos os homens de Judá e todos os habitantes de Jerusalém, os sacerdotes, profetas e todo o povo, pequenos e grandes. Leu então, diante deles, o texto completo do livro da Aliança que fora descoberto no templo do Senhor.
3. O rei, de pé na tribuna, renovou a aliança em presença do Senhor, comprometendo-se a seguir o Senhor, a observar os seus mandamentos, suas instruções e suas leis, de todo o seu coração e de toda a sua alma, e a cumprir todas as cláusulas da aliança contida no livro. Todo o povo concordou com essa aliança.4. O rei ordenou em seguida ao sumo sacerdote Helcias, aos sacerdotes da segunda ordem e aos porteiros, que jogassem fora do templo do Senhor todos os objetos fabricados para o culto de Baal, de asserá e de todo o exército dos céus; fê-los queimar fora de Jerusalém, nos campos do Cedron, e mandou levar as suas cinzas para Betel.5. Despediu os sacerdotes dos ídolos que os reis de Judá tinham estabelecido para oferecer o incenso nos lugares altos, nas cidades de Judá e nos arredores de Jerusalém, assim como os sacerdotes que ofereciam incenso a Baal, ao sol, à luz, aos sinais do zodíaco e a todo o exército dos céus.6. Mandou tirar do templo do Senhor o ídolo asserá e levá-lo para fora de Jerusalém, para o vale do Cedron, onde o queimaram. Depois de tê-lo reduzido a cinzas, mandou-as lançar sobre os sepulcros do povo.7. Destruiu os apartamentos das prostitutas que se encontravam no templo do Senhor, onde as mulheres teciam vestes para asserá.8. Convocou todos os sacerdotes das cidades de Judá, profanou os lugares altos onde os sacerdotes tinham oferecido incenso, desde Gabaa até Bersabéia, e destruiu o lugar alto das portas, à entrada da casa de Josué, prefeito da cidade, que ficava à esquerda de quem entra na cidade por essa porta.9. Entretanto, os sacerdotes dos lugares altos não subiam ao altar do Senhor em Jerusalém, mas comiam somente dos pães ázimos no meio de seus irmãos.10. Profanou também Tofet, no vale do filho de Enom, a fim de que ninguém fizesse passar pelo fogo seu filho ou sua filha em honra de Moloc.11. Fez desaparecer também os cavalos que os reis de Judá tinham dedicado ao sol, à entrada do templo do Senhor, junto do pavilhão do eunuco Natã-Melec, no recinto, e queimou os carros do sol.12. O rei destruiu os altares que tinham sido construídos pelos reis de Judá no terraço da câmara superior de Acaz, e os que Manassés tinha levantado nos dois átrios do templo do Senhor; quebrou-os, levou-os dali e lançou as cinzas deles na torrente do Cedron.13. O rei profanou igualmente os lugares altos situados defronte de Jerusalém, à direita do monte da Perdição. Salomão, rei de Israel, tinha-os levantado em honra de Astarte, ídolo abominável dos sidônios, de Camos, ídolo abominável dos moabitas, e de Melcom, ídolo abominável dos amonitas.14. Quebrou as estátuas, cortou os ídolos asserás e encheu o lugar com ossos humanos.15. Destruiu também o altar de Betel e o lugar alto que tinha edificado Jeroboão, filho de Nabat, que arrastara Israel ao pecado. Ele os destruiu, queimou e reduziu a cinzas o lugar alto, incendiando igualmente a asserá.16. Josias, olhando em torno de si, viu os túmulos que havia sobre a colina; mandou buscar os ossos dos sepulcros e queimou-os no altar. Este altar foi assim profanado, segundo o oráculo que o Senhor tinha proferido pelo homem de Deus que havia predito essas coisas.17. E o rei perguntou: Que monumento é esse que eu vejo? Os habitantes da cidade responderam-lhe: É o túmulo do homem de Deus que veio de Judá, e que predisse tudo o que fizeste ao altar de Betel.18. Deixai-o, disse o rei; paz aos seus ossos. E os seus ossos ficaram intactos, assim como os ossos do profeta que tinha vindo de Samaria.” ( 2 Rs 23,1-18)

 

O próprio Jesus sabia desses monumentos aos profetas e não os criticava. Pelo contrário, afirma que eles não seriam dignos de enfeitar tais monumentos porque são pecadores hipócritas.

 

“29. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Edificais sepulcros aos profetas, adornais os monumentos dos justos30.  e dizeis: Se tivéssemos vivido no tempo de nossos pais, não teríamos manchado nossas mãos como eles no sangue dos profetas...31. Testemunhais assim contra vós mesmos que sois de fato os filhos dos assassinos dos profetas.” (Mt 23,29-31)

 

Novamente uma passagem mostrando que se prostrar não é adoração, mas profundo respeito. Deus envia um sonho profético para José, mostrando que, quando este se tornasse governador do Egito, sua família, em sinal de respeito, se prostraria diante dele. Como já dito, a adoração está na intenção, não na atitude física de se prostrar.

 

“5. Ora, José teve um sonho, e o contou aos seus irmãos, que o detestaram ainda mais:
6. “Ouvi, disse-lhes ele, o sonho que tive:7. estávamos ligando feixes no campo, e eis que o meu feixe se levantou e se pôs de pé, enquanto os vossos o cercavam e se prostravam diante dele.”8. Seus irmãos disseram-lhe: “Quererias, porventura, reinar sobre nós e tornar-te nosso senhor?” E odiaram-no ainda mais por causa de seus sonhos e de suas palavras.9. José teve ainda outro sonho, que contou aos seus irmãos. “Tive, disse ele, ainda um sonho: o sol, a lua e onze estrelas prostravam-se diante de mim.”10. Ele contou isso ao seu pai e aos seus irmãos, mas foi repreendido por seu pai: “Que significa, disse-lhe ele, este sonho que tiveste? Viremos, porventura, eu, tua mãe e teus irmãos, a nos prostrar por terra diante de ti?”11. Seus irmãos ficaram, pois, com inveja dele, mas seu pai guardou a lembrança desse acontecimento.” (Gn 37,5-11)

 

Mais uma passagem que mostra que nem sempre a prostração significa adoração. Aqui, um dos representantes da Igreja, não Deus, é digno de que se prostrem diante dele, a título de veneração, obviamente.

 

“7. Ao anjo da igreja de Filadélfia, escreve: Eis o que diz o Santo e o Verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi - que abre e ninguém pode fechar; que fecha e ninguém pode abrir.
8. Conheço as tuas obras: eu pus diante de ti uma porta aberta, que ninguém pode fechar; porque, apesar de tua fraqueza, guardaste a minha palavra e não renegaste o meu nome.
9. Eu te entrego adeptos da sinagoga de Satanás, desses que se dizem judeus, e não o são, mas mentem. Eis que os farei vir prostrar-se aos teus pés e reconhecerão que eu te amo.
10. Porque guardaste a palavra de minha paciência, também eu te guardarei da hora da provação, que está para sobrevir ao mundo inteiro, para provar os habitantes da terra.
11. Venho em breve. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” (Ap 3,7-11)
Obs.: A expressão “anjo da igreja” nos mostra que tal expressão era usada para designar os bispos, naquela época.

 

Nesta passagem, a imitação dos bons cristãos é novamente recomendada.

 

“7. Lembrai-vos de vossos guias que vos pregaram a palavra de Deus. Considerai como souberam encerrar a carreira. E imitai-lhes a fé.” ( Hb 13,7)

 

E nestas também:

 

“1. No mais, irmãos, aprendestes de nós a maneira como deveis proceder para agradar a Deus - e já o fazeis. Rogamo-vos, pois, e vos exortamos no Senhor Jesus a que progridais sempre mais.” (1Ts 4,1)

 

“16. Por isso, vos conjuro a que sejais meus imitadores.” (1Cor 4,16) (São Paulo pede aos cristãos que o imitem)

 

“1. Tornai-vos os meus imitadores, como eu o sou de Cristo.” (1Cor 11,1)

 

“17. Irmãos, sede meus imitadores, e olhai atentamente para os que vivem segundo o exemplo que nós vos damos.” ( Fl 3,17)

 

Nesta outra passagem, a prostração é seguida de adoração. Ou seja, a prostração pode ser sinal de veneração ou de adoração.

 

“11. Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se diante dele, o adoraram. Depois, abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe como presentes: ouro, incenso e mirra.” ( Mt 2,11)

 

A própria Serpente de Bronze, que Deus mandou construir, foi alvo de adoração, equivocadamente. Logo, não é a confecção da serpente que é o pecado, mas a intenção de reconhecer nela a divindade, ou seja, a adoração pecaminosa, a idolatria.

 

“4. Destruiu os lugares altos, quebrou as estelas e cortou os ídolos de pau asserás. Despedaçou a serpente de bronze que Moisés tinha feito, porque os israelitas tinham até então queimado incenso diante dela. (Chamavam-na Nehustã).” ( 2 Rs 18,4)

 

Entretanto, o próprio Jesus, além de usar parábolas, que são imagens auditivas, para evangelizar, utilizou a imagem da serpente de bronze, ordenada por Deus Pai para ser construída, para falar de sua futura crucificação.

 

“14. Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem, 15. para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna.” (Jo 3,14-15)

 

Ou seja, Deus ordenou a construção desta imagem, por exemplo, como SINAL SENSÍVEL de sua presença e misericórdia, que deveria ser venerada, ou seja, respeitada como algo sagrado. Na passagem seguinte notamos que o símbolo ou imagem não é um ídolo por si só, mas passa a ser ídolo quando o homem dá o significado de divindade a tal objeto.

 

“5. Efetivamente, quando o cruel furor dos animais os atingiu também, e quando pereceram com a mordedura de sinuosas serpentes, vossa cólera não durou até o fim.6. Foram por pouco tempo atormentados, para sua correção: eles possuíram um sinal de salvação que lhes lembrava o preceito de vossa lei.7. E quem se voltava para ele era salvo, não em vista do objeto que olhava, mas por vós, Senhor, que sois o salvador de todos.” (Sb 16,5-7)

 

Logo, não existe nenhum problema em ter profundo respeito/veneração pelos santos, bons cristãos que são dignos de imitação. E suas imagens apenas são sinais sensíveis, representações destes bons exemplos e que devem ser veneradas, respeitadas.

 

Como dita Frei Mauro Strabelli, “a imagem do santo ou da santa é apenas sinal. Lembra a pessoa que serviu e amou Deus e os irmãos. É sinal indicativo da grande realidade invisível: a santidade de Deus manifestada na vida daquele irmão ou daquela irmã. E nós vivemos num mundo de sinais, de símbolos; tudo é simbólico ou sinal. Assim, a linguagem que usados na escrita ou que falamos é símbolo da comunicação; o círculo é símbolo da perfeição, da homogeneidade; o ponto é símbolo da totalidade, do que é completo etc. E no campo religioso o símbolo é constante: mitos da origens e do fim, o céu, o centro, a árvore, a serpente etc. E é no campo do simbólico que entram as imagens. Como sinais de realidades que não vemos. As imagens funcionam então como sacramentais. Essa percepção do valor simbólico pode ser comprovada na Igreja pós-apostólica, principalmente pelos desenhos de símbolos religiosos, de pinturas de santos e nas orações aos mártires, gravados nas catacumbas cristãs de Roma. É a partir dessa ótica histórico-psicológica e  teológica que a Igreja propõe os santos à veneração da comunidade. A pessoa, porém, que fizer do santo o ponto final de sua fé, essa é herege e idólatra.

 

5) Então, além das parábolas, Jesus usou a “imagem” serpente de bronze para evangelizar?

 

Certamente. Inclusive Paulo usou a imagem do “Deus desconhecido” para evangelizar (At 17,22-27). Bem, a serpente representou para aqueles que creram no poder de Deus que afirmou que quem olhasse para a imagem desta seria mantido vivo fisicamente, ao passo que a Cruz de Cristo é sinal da vida eterna. Não é idolatria termos imagens em nossas igrejas, pois a veneração não é pecado e o próprio Cristo se comparou a uma destas imagens através de uma analogia, sem mencionar que o próprio Deus Pai ordenou a confecção de várias imagens.

 

“14. Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem, 15. para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna.” (Jo 3,14-15)

 

Deus proibiu as imagens na época de Moisés porque seu povo ainda era muito infantil e inconstante na fé e para afastar o perigo da idolatria, pois o povo hebreu estava rodeado de povos pagãos e idólatras. A História da Bíblia mostra verdades gradativamente. No início, a Santíssima Trindade não estava totalmente revelada. Nos Evangelhos, Jesus mostra esta verdade quando institui o batismo. No início da Bíblia, o divórcio era permitido. Nos evangelhos, Jesus o condena e cria o matrimônio indissolúvel.

 

Jesus morreu na cruz por nós. É sinal do sofrimento de Deus e da salvação definitiva. A Cruz é o selo dos eleitos de Deus para a vida eterna. Lemos isto na última passagem destacada, em Jo 3,14-15.

 

Em Ex 12, 7.23.27 vemos uma prefiguração do sinal do sacrifício de Jesus, que irá nos salvar. Neste caso, é com o sangue de um cordeiro (que lembra o Cordeiro de Deus, o próprio Cristo) que é feito um sinal nas portas dos hebreus, preservando-os fisicamente da morte.

 

“7. Tomarão do seu sangue e pô-lo-ão sobre as duas ombreiras e sobre a verga da porta das casas em que o comerem.23. Quando o Senhor passar para ferir o Egito, vendo o sangue sobre a verga e sobre as duas ombreiras da porta, passará adiante e não permitirá ao destruidor entrar em vossas casas para ferir. 27. é o sacrifício da Páscoa, em honra do Senhor que, ferindo os egípcios, passou por cima das casas dos israelitas no Egito e preservou nossas casas.” O povo inclinou-se e prostrou-se.”

 

Em Nm 21,8-9 vemos a ordem de Deus Pai sobre a fabricação da imagem da serpente de bronze e seu significado para conservar a vida física. Jesus utiliza a imagem desta serpente, afirmando que seu sacrifício na cruz trará a vida eterna aos justos (Jo 3,14-15).

 

“8. e o Senhor disse a Moisés: “Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.”9. Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida.”

 

Nas passagens do profeta Daniel, vemos que o homem vestido de linho representa o Servo de Javé. Aquele que sofrerá e dará a vida para o resgate dos pecadores. Aquele que faz a vontade de Deus. Ou seja, trata-se de Jesus, o qual marcando os eleitos com a cruz na fronte os salva da morte. Este homem de linho é consubstancial ao Pai nas passagens de Daniel, e ambos são envoltos pelo fogo. Jesus é consubstancial ao Pai e o fogo representa o Espírito Santo (At 2,1s).

 

Ou seja, tais passagens de Daniel mostram a Santíssima Trindade .

 

“5. Levantando os olhos, vi um homem vestido de linho. Cingia-lhe os rins um cinto de ouro de Ufaz.
6. Seu corpo era como o crisólito; seu rosto brilhava como o relâmpago, seus olhos, como tochas ardentes, seus braços e pés tinham o aspecto do bronze polido e sua voz ressoava como o rumor de uma multidão.” (Dn 10,5-6)

 

“9. Continuei a olhar, até o momento em que foram colocados os tronos e um ancião chegou e se sentou. Brancas como a neve eram suas vestes, e tal como a pura lã era sua cabeleira; seu trono era feito de chamas, com rodas de fogo ardente.
10. Saído de diante dele, corria um rio de fogo. Milhares e milhares o serviam, dezenas de milhares o assistiam! O tribunal deu audiência e os livros foram abertos.
13. Olhando sempre a visão noturna, vi um ser, semelhante ao filho do homem, vir sobre as nuvens do céu: dirigiu-se para o lado do ancião, diante de quem foi conduzido.
14. A ele foram dados império, glória e realeza, e todos os povos, todas as nações e os povos de todas as línguas serviram-no. Seu domínio será eterno; nunca cessará e o seu reino jamais será destruído.” (Dn 7,9-10.13-14)

Obs.: A imagem do ancião nos reporta a Deus Pai. “Filho do homem” é um dos títulos dados a Jesus (a própria passagem de Jo 3,14-15 confirma) e o fogo é símbolo do Espírito Santo. No v.14 vemos toda a adoração que só pode ser devida a Santíssima Trindade. Belíssimo, não?

 

Outro profeta do Antigo Testamento, Ezequiel, também profetiza este sinal, que seria uma cruz mesmo:

 

“3. Então a glória do Deus de Israel se elevou de cima do querubim, onde repousava, até a soleira do templo. Chamou o Senhor o homem vestido de linho, que trazia à cintura os instrumentos de escriba,4. e lhe disse: Percorre a cidade, o centro de Jerusalém, e marca com uma cruz na fronte os que gemem e suspiram devido a tantas abominações que na cidade se cometem.” (Ez 9,3-4)

 

 

O selo de Deus é uma Cruz, claramente, um símbolo, uma imagem. A Cruz é símbolo da salvação. O próprio batismo constitui-se no ato da Cruz na fronte das pessoas.

 

“19. Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.” (Mt 28,19)

 

Este selo é realmente imagem, símbolo distintivo dos eleitos para a vida eterna.

 

“4. Mas foi-lhes dito que não causassem dano à erva, verdura, ou árvore alguma, mas somente aos homens que não têm o selo de Deus na fronte.” (Ap 9,4)

 

“1. Eu vi ainda: o Cordeiro estava de pé no monte Sião, e perto dele cento e quarenta e quatro mil pessoas que traziam escritos na fronte o nome dele e o nome de seu Pai.” (Ap 14,1) Obs.: 144 mil é um número símbolo, quer dizer 12x12x1000, números que simbolizam a totalidade. Este número em Ap 14,1 significa apenas a totalidade dos que serão salvos.

 

“4. Verão a sua face e o seu nome estará nas suas frontes.” (Ap 22,4)

 

O símbolo do sacrifício de Jesus é importantíssimo para o Cristianismo. Tanto que é o norte das pregações dos apóstolos.

 

"Os judeus pedem milagres, os gregos reclamam a sabedoria; mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; mas, para os eleitos - quer judeus quer gregos -, força de Deus e sabedoria de Deus." (I Cor 1,22-24)

 

Deus não provou seu Amor por nós ressuscitando. A ressurreição nos provou que Jesus é Deus e é uma antecipação do que iremos receber no fim dos tempos, no juízo final. A maior prova do Amor de Deus por nós foi ter se esvaziado de sua própria divindade, fazendo-se homem, exceto no pecado, e morrendo por nós na cruz. Por isso, é comum a imagem do crucifixo no pescoço de um cristão ou no altar de uma igreja católica. Não comunicamos através desta imagem que Deus está morto. Evangelizamos ou comunicamos através desta imagem que Deus fez tudo por nós, inclusive morrer  na cruz.

 

 

6) Por que Deus proibiu tão severamente em Ex 20 as imagens e logo depois permitiu que outras imagens fossem construídas?

 

Mais um motivo –além dos já citados- para Deus ter proibido as imagens na época de Moisés: antes, Deus era, para os olhos dos homens,  invisível, sem imagem. Deus no AT não se apresentou visivelmente aos israelitas, uma vez que sendo Javé o único Deus, qualquer imagem que não fosse ordenada por Ele, como os querubins, a Arca da Aliança e a Serpente de Bronze representariam algo sem ligação com Deus, incorrendo em idolatria. É o que dita Dt 4,12.15-16:

 

“12. Do meio do fogo o Senhor falou. Ouvistes o som de suas palavras, mas não víeis no entanto nenhuma forma, somente uma voz. 15. Tende cuidado com a vossa vida. No dia em que o Senhor, vosso Deus, vos falou do seio do fogo em Horeb, não vistes figura alguma.
16. Guardai-vos, pois, de fabricar alguma imagem esculpida representando o que quer que seja, figura de homem ou de mulher,”

 

Uma vez que Cristo, o Emanuel, se encarnou, Deus adquiriu forma/imagem e por conseguinte, a condição da Lei caiu, permitindo que represente-se o que for ligado a Deus, ou seja, o Cristo, e o sagrado, os santos. Deus se encarnou e veio habitar entre nós. Passou a ter uma “imagem”. Passou a ser visível. Com Cristo, podemos abraçar Deus. Podemos tocá-lo.

 

“23. Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel (Is 7, 14), que significa: Deus conosco.” (Mt 1,23)

 

“30. Eu e o Pai somos um.” (Jo10,30)

 

“27. Todas as coisas me foram dadas por meu Pai; ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai,  senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-lo.” (Mt 11,27)

 

“1. No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. 14. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos sua glória, a glória que o Filho único recebe do seu Pai, cheio de graça e de verdade. 18. Ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou.” (Jo 1,1.14.18)

 

 

7) Se os cristãos podem venerar, respeitar, imitar os bons exemplos de cristãos que estão com Deus na Jerusalém Celeste, ou seja, os santos, por que rezamos para eles e não para Deus?

 “1 Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galiléia, e estava ali a mãe de Jesus;2 e foi também convidado Jesus com seus discípulos para o casamento.3 E, tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm vinho.4 Respondeu-lhes Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.5 Disse então sua mãe aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser.6 Ora, estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam duas ou três metretas.7 Ordenou-lhe Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima.8 Então lhes disse: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E eles o fizeram.9 Quando o mestre-sala provou a água tornada em vinho, não sabendo donde era, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água, chamou o mestre-sala ao noivo10 e lhe disse: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.11 Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele.”( Jo 2,1-11)

Notamos nesta maravilhosa passagem a intercessão de Maria. Jesus observa que não era a sua hora de começar a executar milagres, porém é obediente a sua mãe. Maria pede para as pessoas que não possuam  vinho apenas, mas para todos os seus filhos. Filhos que não possuem esperança, que não possuem o pão.

A propósito, convém explicar a diferença entre a mediação de Jesus Cristo e a intercessão dos santos. Jesus é o caminho, o meio para nos salvarmos. Já os santos são exemplos de vida cristã e, por serem santos, estão com Deus, no céu e podem, com isso, conhecer os nossos pedidos e interceder por nós junto ao Pai. Jesus nos deu a mensagem, é o sacramento dos sacramentos. É a salvação personificada. Os santos apenas intercedem por nós com nossos pequenos anseios e aflições.

Mas como isso ocorre? Como ocorre a intercessão dos santos?

Qualquer um pode pedir pelo outro em oração (Lc 11,5-9). Uma mãe pode pedir pelo filho ter sucesso no vestibular. É exatamente isso que ocorre na comunhão dos santos. Cristãos vivos e santos podem pedir um pelo outro, para que Deus realize em cada vida a sua vontade.

Alguns cristãos desinformados, atentos apenas ao Antigo Testamento, acreditam que os mortos dormem, esperando o fim do mundo e, por isso, não podem interceder por nós, pois estariam inconscientes. Porém não é isso que a Bíblia aponta. Devemos olhar para a Bíblia toda, pois o Antigo Testamento possui imperfeições a serem corrigidas no Novo Testamento.

 “42 Então disse: Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino.43 Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23,42-43)

 “27 E aquele que esquadrinha os corações sabe qual é a intenção do Espírito: que ele, segundo a vontade de Deus, intercede pelos santos.” (Rm 8,27)

“9 Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que deram. (ou seja, os santos) 10 E clamaram com grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano, santo e verdadeiro, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?. 11 E foram dadas a cada um deles compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda por um pouco de tempo, até que se completasse o número de seus conservos, que haviam de ser mortos, como também eles o foram.” (Ap 6,9-11)

“22. Vós, ao contrário, vos aproximastes da montanha de Sião, da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celestial, das miríades de anjos,23. da assembléia festiva dos primeiros inscritos no livro dos céus, e de Deus, juiz universal, e das almas dos justos que chegaram à perfeição,” (Hb 12,22-23)

Jesus diz para o ladrão crucificado arrependido que o mesmo estaria hoje mesmo com Ele no paraíso. E no Apocalipse vemos os santos, antes do fim do mundo, despertos, conversando com o Pai.

Mas como os santos conhecem nossos pedidos?

6 Na verdade, entre os perfeitos falamos sabedoria, não porém a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que estão sendo reduzidos a nada;7 mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, que esteve oculta, a qual Deus preordenou antes dos séculos para nossa glória;8 a qual nenhum dos príncipes deste mundo compreendeu; porque se a tivessem compreendido, não teriam crucificado o Senhor da glória.9 Mas, como está escrito: As coisas que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram o coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.” ( I Cor 2,6-9)

Deus recompensa os justos com a sua sabedoria. Os santos não se transformam em deuses, pois não são eternos, onipotentes ou onipresentes; porém recebem (participam) de Deus a onisciência e, com isso, recebem o conhecimento de tudo, inclusive de nossos pedidos.

Existe algum exemplo de intercessão dos santos nas Sagradas Escrituras?

“Narrou-lhes ainda uma visão digna de fé, uma espécie de visão que os cumulou de alegria. Eis o que vira : Onias, que foi sumo sacerdote, homem nobre e bom, modesto em seu aspecto, de caráter ameno, distinto em sua linhagem e exercitado desde menino na prática de todas as virtudes, com as mãos levantadas, orava por todo o povo judeu. Em seguida havia aparecido do mesmo modo um homem com os cabelos todos brancos, de aparência muito venerável e magnífica majestade. Então, tomando a palavra, disse-lhe Onias : Eis o amigo de seus irmãos, aquele que reza muito pelo povo e pela cidade santa, Jeremias, o profeta de Deus.”(II Mc 15,12-15)

“9 Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que deram. (ou seja, os santos)10 E clamaram com grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano, santo e verdadeiro, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?.11 E foram dadas a cada um deles compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda por um pouco de tempo, até que se completasse o número de seus conservos, que haviam de ser mortos, como também eles o foram. (Ap 6,9-11)”

Podemos ver que Onias, um justo falecido, portanto, um santo, intercedia pelo seu povo. Avaliemos as passagens e notemos, sem dúvidas, que a intercessão dos santos é totalmente real. É a solidariedade entre os cristãos, que não se quebra com a morte.

As passagens são claríssimas! Nosso Deus Uno e Trino não é o Deus da morte, mas o Deus da Vida (Mt 22,32)! Esta solidariedade que existe e deve sempre existir entre os cristãos – pois o Deus dos cristãos é o Deus do Amor e a solidariedade é uma de suas  facetas – não é interrompida pela morte. Pelo contrário, é exercício louvável orar, dialogar com Deus, tentar encontrar as respostas para os anseios  de nossa vida terrestre. A Igreja é o Corpo Místico de Cristo, onde Jesus é a cabeça, e nós somos os membros. Alguns ainda estão na terra (militantes),  outros já estão no céu (triunfantes) e alguns no estado do purgatório (padecentes), se purificando. O que os santos do Céu fazem é pedir por nós a Deus, por nossas necessidades mais profundas. Quando oramos e pedimos a intercessão de algum santo (São Jorge, Santa Maria, São Francisco) estamos pedindo que este peça por nós a Deus. É um ato de caridade entre os cristãos, mas não é consulta aos mortos.  Logo,o pedido de intercessão aos santos não é a mesma coisa que a consulta aos mortos. Os cristãos não se reúnem em mesas brancas ou em terreiros de macumba para consultar mortos ou serem incorporados por eles. Os cristãos se ajoelham, muitas das vezes, e rezam para que os santos – que já não estão “mortos”, mas “vivos” com a vida eterna – intercedam por eles a Deus. Eles não respondem suas preces através de incorporações mediúnicas! Não há consultas. Não há diálogo ativo no sentido material, apenas uma oração. E, logicamente, podemos dialogar diretamente com Deus.

8) Só os católicos acreditam na intercessão ou comunhão dos santos?

 

É uma crença baseada na Bíblia. E a Bíblia é uma das fontes do cristianismo. Contudo, as comunidades eclesiais protestantes ou evangélicas, os mais tradicionais, já compreenderam tal doutrina e a aceitam, inclusive já assinaram um acordo teológico conhecido como Declaração de Malta. Reproduziremos aqui:

 

Ele foi assinado por um grupo de teólogos católicos, ortodoxos, luteranos, calvinistas e anglicanos, em 15/9/1983, ao final do Congresso de Malta, realizado entre 8 e 15/9/1983:

 

Em prosseguimento dos Cinco Congressos Mariológicos Internacionais precedentes, o Congresso de Malta (8-15 de setembro de 1983) permitiu a um grupo de teólogos anglicanos, luteranos, reformados e ortodoxos reunir-se com um grupo de teólogos católicos para refletir sobre a comunhão dos santos e sobre o lugar que Maria ali ocupa. Reconhecidos ao Senhor pelos encontros precedentes, e pelas convergências que surgiram, acreditam poder apresentar ao Congresso as conclusões de seu diálogo.

 

1-       Todos reconhecemos a existência da comunhão dos santos como comunhão daqueles que na terra estão unidos a Cristo, como membros vivos do seu Corpo Místico. O fundamento e o ponto central de referência desta comunhão é  Cristo, o Filho de Deus feito homem e Cabeça da Igreja (Ef 4,15-16), para nos unir ao Pai e ao Espírito Santo.

2-       Esta comunhão, que é comunhão com Cristo e entre todos os que são de Cristo, implica uma solidariedade que se exprime também na oração de uns pelos outros; esta oração depende daquela de Cristo, sempre vivo para interceder por nós.

3-       O fato mesmo de que, no céu, à direita do Pai, Cristo roga por nós, indica-nos que a morte não rompe a comunhão daqueles que durante a própria vida estiveram pelos laços da fraternidade unidos em Cristo. Existe, pois, uma comunhão entre os que pertencem a Cristo, quer vivam na terra, quer, tendo deixado os seus corpos, estejam com o Senhor (2 Cor 5,8; Mc 12,27)

4-       Neste contexto, compreende-se que a intercessão dos Santos por nós existe de maneira semelhante à oração que os fiéis fazem uns pelos outros. A intercessão dos Santos não deve ser entendida como um meio de informar Deus das nossas necessidades. Nenhuma oração pode ter este sentido a respeito de Deus, cujo conhecimento é infinito. Trata-se de uma abertura à vontade de Deus por parte de si mesmo e dos outros, e da prática do amor fraterno.

5-       No interior desta doutrina, compreende-se o lugar que pertence a Maria, Mãe de Deus. É precisamente a relação a Cristo que, na comunhão dos Santos, lhe confere uma função singular de ordem cristológica. Além disso, a oração de Maria por nós deve ser considerada no contexto cultual de toda a Igreja Celeste descrito no Apocalipse, ao qual a Igreja terrestre quer unir-se na sua oração comunitária. Maria ora no seio da Igreja como outrora o fez na expectativa do Pentecostes (At 1,14). Por outro lado, quaisquer que sejam as nossas diferenças confessionais, não há razão nenhuma que impeça unir a nossa oração a Deus no Espírito Santo com a da liturgia celeste e de, modo especial, com a da Mãe de Deus.

6-       Esta inserção de Maria no culto ao redor do Cordeiro imolado (aspecto cristológico), associada a toda a liturgia celeste (aspecto eclesiológico), não pode dar lugar a alguma interpretação que venha a atribuir a Maria uma honra que é devida só a Deus. Além disso, nenhum membro da Igreja saberia acrescentar qualquer coisa à obra de Cristo, que é a única fonte de salvação; não é possível passar senão por Ele, nem recorrer a uma via ‘mais cômoda’ que a do Filho de Deus, para se chegar ao Pai. Ao mesmo tempo, é claro que Maria tem o seu lugar na Comunhão dos Santos.

 

Ao término destas reflexões, nós desejamos dar um testemunho público da fraterna experiência vivida nestes dias. Ela não se limita à atmosfera em que o diálogo se realizou, mas estende-se a todas as atividades do Congresso e à mentalidade religiosa do povo maltês que, no fervor da sua oração com Maria, nos acompanhava. Consciente de que há muito problemas teológicos aos quais o diálogo deverá ainda levar, nós declaramos a nossa vontade de continuar as nossas reflexões no Nome do Senhor.

 

Não é supérfluo recordar, como se fez ao término do Congresso de Saragoça, em 1979, que os signatários, como membros da Comissão Ecumênica do Congresso, não querem senão empenhar-se, bem que tenham trabalhado com a preocupação constante de exprimir a fé das suas respectivas Igrejas.

 

                                                                 Malta, 15/9/1983.

 

Wolfgag Borowske (luterano) / Henry Chavannes (reformado) / John de Satge (anglicano) / Johannes Kalogirou (ortodoxo) / John Milburn (anglicano) / Howard Root (anglicano) / John Evans (anglicano) / Franz Courth (SAC), Theodoroe Koehler (SM), Charles Molette (Sac), Enrique Llamas (OCD), Stefano de Fiores (SMM) e Pierre Masson (OP- secretário).

 

Paz e Bem!