Especial - Material para formação e partilha - Por Marcos Rocha

           Neste especial, estamos publicando um pequeno material, porém indispensável conteúdo para formação do cristão. Vamos abordar os sete sacramentos, com uma pequena introdução e textos separados para cada um deles.

Sacramento do Matrimônio: Mt 19,3-9; Lc 16,18; Ef 5,22-28; Mc 10,11-12; Rm 7,2-3; 1 Cor 7,10-11; Mt 5,32.
 

Vamos refletir Mt 19,3-9.

 

Mais uma ordem expressa de Jesus. Aqui Jesus novamente é questionador e aperfeiçoa a Antiga Aliança. Cristo explica a mudança. Antes, na Aliança Antiga, aconteciam divórcios. Hoje, na Nova Aliança, o casamento só termina com a morte. É união sagrada entre homem e mulher que dura para sempre. O casal deve educar os filhos para serem bons cristãos, manifestando para eles o amor de Deus.Jesus elevou-o a condição de sacramento.

 

Jesus, aqui, abençoa o amor conjugal e o sacramentaliza. O amor abençoado passa a ser “sinal visível da graça de Deus”. No matrimônio também se vive a castidade. Enquanto os padres conservam o celibato, os cônjuges vivem uma castidade conjugal. A esposa só pode ter relações sexuais com seu marido e vice-versa. 

 

Jesus não permite nenhuma exceção, apenas no caso de matrimônio falso, como no verso 9. Não se trata de infidelidade, de traição, mas de um matrimônio que nunca aconteceu, ou seja, FALSO. Mateus confirma:

 

“32. Eu, porém, vos digo: todo aquele que rejeita sua mulher, a faz tornar-se adúltera, a não ser que se trate de matrimônio falso; e todo aquele que desposa uma mulher rejeitada comete um adultério.” (Mt 5,32)

 

No original, o termo grego usado é  pornéia, equivale ao termo aramaico ZENUT, que significa UNIÃO INCESTUOSA.  Para Jesus esta separação é desejável.  Jesus então, refere-se a esta união ilegítima (ou equivalente casamento falso), por motivo de parentesco proibido pela Lei de Moisés (Lv 18,12-16).

 

A Igreja, através de seu tribunal eclesiástico, pode declarar um matrimônio nulo, ou seja, ele jamais existiu. E o divórcio é a ruptura de um casamento “verdadeiro”, validamente contraído. Jesus rejeita o divórcio. No Direito Canônico existem outros casos, além do incesto (Lv 18), em que os casamentos são declarados nulos (jamais aconteceram, não se trata de divórcio), depois de processo eclesiástico correspondente, como a falta do livre consentimento dos cônjuges. Jesus não permite o divórcio por qualquer motivo. Matrimônio falso ou pornéia ou zenut significa que algo não aconteceu, não é verdadeiro, uma união ilegítima, como por exemplo, a incestuosa (Lv 18), que é nula por si mesma. Isto é algo tão sério que até os pagãos convertidos, no início da Igreja, eram orientados a não viverem tais situações, chamados também na Bíblia de impureza ou fornicação (sexo antes do casamento ou união ilegítima). Verifique em At 15,20.23.28.29 e At 21,25.

 

E mais: quem é contra o matrimônio indissolúvel pregado por Cristo é do Anticristo, como está em I Tm 4,1-3.

 

Como fica a situação de cristãos separados?
 

Catecismo da Igreja: §1650 São numerosos hoje, em muitos países, os católicos que recorrem ao divórcio segundo as leis civis e que contraem civicamente uma nova união. A Igreja, por fidelidade à palavra de Jesus Cristo ("Todo aquele que repudiar sua mulher e desposar outra comete adultério contra a primeira; e se essa repudiar seu marido e desposar outro comete adultério": Mc 10,11-12), afirma que não pode reconhecer como válida uma nova união, se o primeiro casamento foi válido. Se os divorciados tornam a casar-se no civil, ficam numa situação que contraria objetivamente a lei de Deus. Portanto, não podem ter acesso à comunhão eucarística enquanto perdurar esta situação. Pela mesma razão não podem exercer certas responsabilidades eclesiais. A reconciliação pelo sacramento da Penitência só pode ser concedida aos que se mostram arrependidos por haver violado o sinal da aliança e da fidelidade a Cristo e se comprometem a viver numa continência completa.