SÃO LUIS, REI DA FRANÇA - Por Luciano Bandeira

                        Dos Reis ele foi o mais Santo. Passou ileso ao perigo das riquezas, e todo poder que possuia, nunca foi,para ele, ocasião de tropeço. São Luis foi um Rei que se fez,antes de tudo, servidor de todos.

                               Nasceu na França, na cidade de Poissy, no dia 25 de abril de 1215, aquele que seria mais tarde, Rei da França, Luis IX, filho do Rei Luis VIII e de Branca de Castela.  Sua mãe possuía uma fé impressionante! Ela já havia perdido alguns filhos ainda pequeninos e cuidou para obter a melhor ama possível, chamada Maria la Picarde. Esta, ao ver pela primeira vez o menino exclamou dizendo: “Senhora, eis o mais belo menino do mundo!”. E a mãe respondeu: ”Realmente ele é perfeito, mas o principal é que a sua alma se torne inteiramente limpa, e que o Senhor Deus a conserve assim por toda a sua vida.  Se assim não for, prefiro vê-lo morto”.  Sua primeira e grande preocupação foi que Cristo fosse muito amado por seu filho. Desde muito cedo já juntava as mãozinhas do pequeno Luis, que baixinho balbuciava orações para Jesus e Maria. O catecismo foi-lhe ensinado pela rainha-mãe e depois pelos capelães da corte. Guilherme D’auvergne, Bispo de Paris, era conselheiro de Branca de Castela e junto com outros religiosos ilustres souberam imprimir, no espírito de Luis, uma cultura sólida e uma alta devoção às coisas da Igreja. Os monges ficavam admirados com a humildade com que o menino participava dos ofícios divinos. O jovem príncipe tinha por eles grande reverência, ajoelhando-se sempre diante deles.

                A França e seu Rei

                Com a morte do Pai, fizeram-no rei aos 12 anos de idade. O Povo chorou a morte do Rei Luis VIII que adoeceu ao voltar de uma expedição,  vindo a morrer santamente na cidade de Mont-pensier em 7 de novembro de 1226. Sendo assim, foi coroado Rei em 29 de novembro do mesmo ano, mas em função da minoridade, sua mãe não permitia que ele tomasse as rédeas do governo. A confiança do Clero na Rainha e a lealdade do povo formaram um muro protetor à volta do pequenino Rei. Ele acompanhava a mãe em tudo e sempre estava calmo, seguro, resoluto e corajoso. Aos vinte anos de idade casou-se com a princesa Margarida de Provença e no ano seguinte, aos 21 anos começou finalmente a governar a França.

                O Rei caridoso

                Por livre decisão, cobria suas vestes de seda com grossas roupas de lã para que não fosse notado quando andava pelas ruas. Conta-se que ele, certa manhã, ainda muito cedo, viu, da janela do seu quarto, um grupo de pobres esperar pacientemente o despertar do palácio. Seu coração se encheu de comoção! Chamou um criado e deu-lhe um grande número de moedas. A seguir, ambos desceram as escadas do castelo, e Luis distribuiu sem cerimônia as moedas aos pobres. Ao retornar, foi censurado por um religioso do castelo e respondeu: “meu querido irmão, os pobres são meus credores; são eles que cobrem o meu reino com as benções de Deus; o certo é que eu ainda não dei o suficiente!”.  Apesar de rico,  conhecia perfeitamente o valor da pobreza e de seu mérito sobrenatural diante de Deus.  Depois de Deus, seu grande amor volvia-se para os pobres, para os doentes e para todos aqueles que sofriam enfermidades e misérias, seja no corpo ou na alma. Sua bondade foi também testemunhada pelas obras de misericórdia. Ele alimentava diariamente uma multidão de pobres, não contentando-se com aqueles que comiam em sua própria mesa, e dos quais humildemente lavava os pés doentes e fatigados. Atenção! O Rei da França além de alimentar e conversar humildemente, lavava os pés dos pobres que recebia em seu palácio! Ademais, não contente de haver fundado para eles, hospitais e hospícios, as chamadas “Casas de Deus”, ele próprio os visitava, curava e lhes prestava os mais humildes serviços. Um dos exemplos mais extraordinários de sua santidade veio através de um Frei chamado Leger, que era leproso. O Rei o assistia pessoalmente e esse pobre homem dizia que só comeria se fosse alimentado pelo próprio Rei.  O Santo Rei aceitava o pedido, e com todo amor o alimentava dando comida em sua boca. Além disso, tinha o cuidado de tirar os grãos de sal, que pudessem fazer sangrar os lábios e a boca corroída do pobre frade. É uma história simplesmente extraordinária! Luis seguia bem de perto os passos de Cristo e, sem dúvida nenhuma, o próprio Cristo estava com ele...              

                O povo que amava seu Rei

                Certa vez, acompanhado por uma pequena escolta, percorria ele Orleans, desejoso de melhor conhecer o seu mundo, suas cidades, seus campos. E veio a ser esse o momento de sua vida que jamais esqueceu. Voltando feliz de sua viagem, eis que recebe um aviso: os barões (os inimigos do reino)  haviam enviado uma tropa para o atacar e fazê-lo prisioneiro. Sua guarda, o mais rápido possível, decide então escondê-lo em lugar seguro, e o lugar escolhido foi  MonthLéry. De lá, partiu um mensageiro a Paris em busca de socorro, pois corria perigo a vida do Rei. Aos guardas pessoais e soldados uniram-se, ao longo do caminho, camponeses, artesãos, lavradores e todos quanto souberam do que se passava, gritando com todas as forças: “Deus guarde e salve o nosso rei!”. Luis foi salvo, retornando a Paris transbordante de alegria e gratidão. Ele sempre se emocionava ao lembrar desse episódio. Segundo seus relatos, ao retornar a Paris, ao longo de todo o trajeto, o caminho estava coberto de pessoas amadas que, ajoelhadas, faziam reverência ao bom Rei. Além disso, ele escutava as pessoas rezando e pedindo a Deus que lhe concedesse uma boa e longa vida e que o salvasse dos inimigos.

 

                Um convidado ilustre

                As vezes o Rei convidava para uma refeição no palácio o extraordinário Tomás de Aquino. Esse Santo Doutor da Igreja quando não estava lendo ou rezando, ficava calado tentando resolver questões espinhosas de seus estudos. À mesa com o  com o Rei e outros nobres convidados, em seu silêncio habitualpensava, quando de repente, eis que ele, com seu enorme punho, dá um valente soco na mesa e grita sem cerimônias: “é isto que atrapalha os Maniqueístas!”. Os Maniqueístas sustentavam uma doutrina contrária a da Santa Igreja, e Frei Tomás havia encontado um argumento decisivo contra os mesmos. Imaginem o susto dos convidados com “tanta falta de cerimônia à mesa do Rei!”. O Rei porém, calmamente, fez um sinal para um de seus secretários, e pediu para que anotasse a feliz descoberta com receio de que viesse a se perder. E assim era São Luis: belo, cortês, humilde, afável, angélico e sempre com um doce sorriso no rosto.

 

                O Rei Piedoso

                Ao longo da vida foi tornando-se cada vez mais Santo e isso era notado em todos os seus gestos. Era belo vê-lo ajoelhado rezando por longo tempo em seu oratório ou em público. Cada vez mais afeiçoava-se aos ofícios divinos, e assistia, diariamente, a várias missas. Ele passava longas horas em oração, jejuns e penitências, sem conhecimento de seus súditos. Os religiosos vinham consultá-lo constantemente sobre as passagens mais difíceis do Ofício da Virgem Maria. São Luis foi um dos Reis mais doutos da História. Seus filhos aprenderam com ele o ofício completo da virgem, e Luis fê-los prometer que jamais deixariam de recitá-lo em todos os dias de suas vidas.Comunhões constantes, amor a Virgem e orações foram moldando todas as suas virtudes. Ele tornou-se perfeito em sua bondade e no controle de seu temperamento. Era modesto, inimigo das comodidades e de tudo que pudesse fazê-lo brilhar. Empenhava-se em esconder seus sacrifícios e atos meritórios, o que não lhe era fácil, por ser Rei.Em suas cartas, apesar de ser Rei assinava: Luis de Poissy.

                A morte do Rei

                São Luis foi o último cruzado convicto do século XIII. Foi capturado no Egito em 1250 e suas virtudes suscitaram adimiração até mesmo dos muçulmanos. Libertado, voltou à França. Somente em 1254 empreendeu uma última cruzada, morrendo de febreem Tunes, norte da Africa em 1270. Antes de morrer pediu o viático. Muito fraco mal podia levantar a cabeça para comungar. Porém, quando seu Deus lhe foi trazido, redobrou suas forças e de joelhos escutou as palavras de seu confessor: “Acreditas firmemente que esse é o verdadeiro Cristo?”. “Sim, respondeu ele, e eu acreditarei ainda mais quando O vir tal como os apóstolos O viram no dia da ascenção”.  Depois, recebendo a extrema unção, respondeu as preces da Igreja caindo em profundo silêncio. Os presentes começaram a achar que havia morrido, mas ele começou a falar palavras de amor e súplicas a Deus: “Senhor, olhai nosso povo, santifica nosso povo!”. Invocava também São João a quem foi consagrado por sua mãe desde pequeno e a Santa Genoveva, protetora da cidade de Paris. Ficou mais um tempo imóvel e por fim recitou em latim o salmo 5: “ Senhor, eu entrarei em vossa casa, adorarei vosso santo templo e glorificarei vosso nome”.  De braços cruzados entregou sua alma a Deus no dia 25 de agosto, dia se sua festa litúrgica. Foi canonizado em 1297 pelo Papa Bonifáco VIII.

                Conclusão

                A medida que nos aproximamos de Cristo, Ele vai tomando posse de nossa alma e assumindo nossa vida. Nos grandes Santos,como São Luis, esse Senhorio de Cristo acontece de uma forma notável, de modo a resplandecer suabeleza, justiça,verdade,paz e poder. São Luiz, por ser Rei e pela vida virtuosa que teve, pode, de maneira mais clara, - guardadas as devidas proporções-, ser comparado com Cristo. Era Rei e se fez servidor. Era nobre e rico e se fez pobre e humilde de coração. Era poderoso e só usou seu poder para o bem e para justiça. Como Cristo era justo, humilde,piedoso e obediente ao Pai.Como Cristo amou e obedeceu a mesma mãe, Maria Santíssima.

São Luiz, interceda por nós assim como intercedia por seu povo!